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"Tememos lidar com a morte dos pais", diz escritor Fabrício Carpinejar

Reprodução/SBT
Escritor Fabrício Carpinejar no "The Noite" de Danilo Gentili Imagem: Reprodução/SBT

Do UOL, em São Paulo

23/06/2018 02h29

Em entrevista ao "The Noite" de Danilo Gentili nesta sexta-feira (22), o escritor Fabrício Carpinejar deu um tom mais sério ao programa ao falar sobre luto e amadurecimento em sua relação com os pais. O tema é o foco de seu livro "Cuide dos pais antes que seja tarde".

"Esses tempos estava fazendo uma projeção sobre o que quero estar fazendo daqui a 20 anos, e fiz a mesma coisa com meus amigos. Quando pensei nos meus pais, gelei, porque eles estão com 79 anos e devem estar mortos daqui a 20 anos. Percebi que não estou preparado para perdê-los. Não quero ficar sem a ansiedade da minha mãe, a gargalhada do meu pai. E daí o futuro que projetei pra mim não faz mais sentido. Nós idealizamos a vida com os pais, e deixamos de fazer as coisas hoje. E vi que não era bom filho. Eu não atendia nem o telefone", afirmou ele.

Para o escritor, que também é pai, é essencial olhar para os pais como seres humanos, indo além das funções tradicionais do núcleo familiar. "Estava sempre ocupado, só preocupado com a carreira, eu via os pais como eternos provedores. Demoramos pra entender que eles não são funções, e não vemos que existem pessoas ali dentro. Não sabia a infância da minha mãe, a adolescência do meu pai, não tive uma conversa pra saber como eles eram como pessoas. Só queria ser atendido. Precisamos planejar a velhice dos pais assim como eles planejaram nossa infância. Não fazemos isso porque não queremos lidar com o fim".

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