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Holandês subverte bruxa clássica e usa até app em livro de terror moderno

Felipe Branco Cruz/UOL
Thomas Olde Heuvelt esteve no Brasil para divulgar seu livro "Hex" Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

15/06/2018 04h00

Guarde o nome do holandês Thomas Olde Heuvelt. Seu romance de estreia fora da Holanda, “Hex” (R$ 45), lançado recentemente no Brasil, já está sendo apontado como uma das grandes revelações no gênero de terror e suspense. Stephen King, por exemplo, afirmou que a obra é “totalmente brilhante e original”. George R.R. Martin chamou de “assustador e emocionante”.

Traduzido para nove idiomas, o livro chega agora ao país pela editora Darkside e conta a história de uma mulher condenada à morte há mais de 300 anos por bruxaria. O problema é que, de alguma maneira, ela sobreviveu e continua caminhando (e assombrando) até hoje a cidade de Black Spring, nos Estados Unidos.

No Brasil para divulgar o livro, Thomas conversou com o UOL em um hotel de São Paulo e contou que sempre gostou de histórias sobre bruxas. “Quando tinha sete anos, eu li ‘As Bruxas’, de Roald Dahl [adaptado para o cinema no filme ‘Convenção das Bruxas’, em 1990, com Anjelica Huston]. Na Holanda, muitas pessoas usam luvas por causa do frio e minha babá, Margot, apontava na rua: ‘Olha ela usando luva, pode ser uma bruxa’. Aquilo me aterrorizava”.

A sacada do autor, no entanto, não foi falar de uma bruxa como se ela fosse um fantasma ou um espírito maligno. Ela é real. Os moradores da cidade podem tocá-la (embora prefiram não fazer isso) e ela aparece nos momentos mais inconvenientes possíveis, como um jantar em família. Pragmáticos, os moradores jogam um lençol em cima da bruxa e seguem a vida. Para não serem pegos de surpresa, os habitantes desenvolveram um aplicativo, Hexapp, que informa onde a bruxa está e evitam que as pessoas que não morem na cidade fiquem sabendo da sua existência.

Imagine uma bruxa em pé, te olhando sem fazer nada. Isso abre muitas possibilidades aterrorizantes

Thomas Olde Heuvelt

Os poderes malignos da bruxa também são reais. Ela tem as mãos acorrentadas e os olhos e a boca costurados pois com eles é capaz de lançar mau-olhado e maldições que fazem as pessoas se matarem. Além disso, os habitantes não podem deixar a cidade por longos dias, ou têm pensamentos suicidas. Ou seja, todos ali estão praticamente presos à cidade. A coisa desanda quando um grupo de amigos adolescentes decide desafiar a bruxa, gravar vídeos e divulgar tudo na internet.

No enredo, o autor cita diversas referências da cultura pop, como “Sob a Redoma”, “A Bruxa de Blair”, “Morte Vermelha”, “A Vila” e “João e Maria”. “Não conheço Stephen King pessoalmente. Ele é meu herói da infância. Foi incrível quando li na internet que ele tinha elogiado meu livro”, diz Thomas.

Adaptação para a TV

Felipe Branco Cruz/UOL
Thomas Olde Heuvelt com a capa do livro ao fundo Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL
A versão em inglês foi lançada em 2016 e o interesse nela foi tão grande que ganhará uma série de TV pela Warner, com roteiro escrito por Gary Dauberman, o mesmo que escreveu os roteiros dos filmes “It - A Coisa” e “Annabelle”.

“A temporada deverá abordar todo o livro. Estou curioso para saber como ficará. É claro que a série terá coisas diferentes do livro, porque é assim mesmo quando rola uma adaptação. Cada episódio vai deixar um gancho assustador para o próximo”, diz.

Aos 35 anos, Thomas já é dono de Hugo Award For Best Novelette, além de duas indicações ao Hugo Awards e ao World Fantasy Award, dois dos mais importantes prêmios da literatura de ficção do mundo.

Novo livro

Thomas já começou a trabalhar em seu novo livro que desta vez falará sobre possessão. Ele afirma já ter escrito mais da metade da obra.

“Esta é a minha versão moderna de uma história de possessão. Não é sobre possessão demoníaca e sim sobre o espírito da montanha que entra num homem, sem aspectos religiosos”, diz ele. “Uma vez eu li que espíritos habitam o topo das montanhas e que alpinistas ficam alterados por um período quando descem por causa disso. E se um desses espíritos possuísse a alma de um alpinista e não quisesse mais abandoná-lo? É sobre isso que estou escrevendo”, adianta.

Ironicamente, os dois maiores medos de Thomas têm a ver com alpinismo. “Eu sou alpinista, mas meus maiores medos são de altura e da morte inesperada de entes queridos. Um dos meus melhores amigos, também era alpinista e morreu repentinamente”, diz.

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