Topo

Música

Gustavo Mioto, o sertanejo de 21 anos que é fã de AC/DC e canta com todo mundo

Divulgação
Gustavo Mioto: "O Brasil é o país mais rico em cultura no mundo, e ainda assim o sertanejo consegue ser o ritmo mais popular Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

13/06/2018 04h00

Com apenas 21 anos, Gustavo Mioto tem dois DVDs lançados e está entre os cantores mais ouvidos do Brasil. Suas parcerias, senha para o sucesso no sertanejo, incluem Luan Santanta, Jorge & Mateus, Claudia Leitte e Anitta. Sua fórmula? Composições próprias, carisma "brejeiro" e um belo “empurrãozinho”: o paulista é filho do empresário Marcos Mioto, um dos principais contratantes do gênero no país.

“[Ser filho de empresário] ajudou e atrapalhou. Todo bônus tem um ônus. Na real, ter alguém com o know-how que ele tem perto de mim é sempre incrível. Algumas portas vão sempre ficar abertas para vocês, mas outras vão ficar sempre fechadas. Faz parte”, diz Gustavo Mioto, fala mansa e educada, ao UOL.

A divisão do trabalho no clã Mioto é clara. Enquanto Gustavo se concentra na parte musical, criando e escolhendo repertório, singles e clipes, Marcos se dedica ao gerenciamento do filho: o dinheiro que entra, a escolha de shows, a agenda de participações especiais. Com esse suporte, o rebento tem a faca e o queijo nas mãos. Contatos dos artistas mais populares do país repousam na agenda de Marcos Mioto.

“A gente conversa sobre tudo, mas conseguimos dividir bem as coisas. Eu não influencio muito no lado dele e ele não influencia muito do meu lado”, conta Mioto, que começou cantando profissionalmente aos 15 anos cantando LS Jack e Dominó em uma banda de baile. Sua origem está circunscrita ao início do chamado “popnejo”, tendência mais lucrativa do gênero mais popular da música brasileira.

UOL - Como você lida com as críticas por ser filho de Marcos Mioto?

Gustavo Mioto - Claro que tem gente que critica, mas, depois de um tempo de carreira, acho que isso acabou dando uma diminuída. De qualquer forma, tudo resulta de eu ter que me virar sozinho. Se eu não fosse atrás de repertório, de estudar música, de entrar em conservatório, talvez nada tivesse acontecido. O lado ruim, claro, é que a cobrança vem em dobro por ser um “herdeiro”. Mas também existe uma melhora no trato com certas pessoas. Tudo tem dois lados.

O quanto sua carreira é traçada detalhes? Vocês têm meta de discos, streaming, shows?

Como sou muito novo, a gente acaba sonhando muito. Já pensei em várias parcerias que gostaria de fazer, e vai ter coisa nova no fim deste ano. Ainda estou começando, e graças a Deus tudo tem dado certo. Basicamente, nosso planejamento é pensado em quantas músicas e discos eu preciso fazer até me estabilizar.

Sobre shows, só não quero fazer a loucura de fazer 20 e tantos por mês, como alguns fazem. Isso é uma coisa que bato o pé. É impossível ficar tudo bem-feito. Uns shows vão sair capengado. Meu limite é fazer 15, porque fazendo 15 shows você já vai estar no mínimo 20 dias viajando.

Cara, fazer muito show acaba com a saúde. A gente não consegue viver e aproveitar o que está acontecendo. Não consegue jogar um videogame, jogar uma bola. A gente fica sem família e às vezes perde a cabeça
Gustavo Mioto

As parcerias viraram estratégia obrigatória no sertanejo. Como é o bastidor? Quem vai atrás?

Quase todas as parcerias do meu último DVD compus já pensando em quem gostaria de ter. Como as músicas são minhas, já consigo fazer direcionado. Surge naturalmente. Penso na pessoa, e a gente faz aquele jogo de xadrez que envolve relevância, amizade e o quanto a vibe do artista combina com a nossa, para não ficar uma coisa fria. Depois analisamos quem pode, marcamos a data e partimos para ensaios e gravações. Tenho sorte de ter contato muito fácil com tantas pessoas.

Divulgação
Gustavo Mioto canta com Gusttavo Lima Imagem: Divulgação

Como alguém jovem como você enxerga o domínio do sertanejo? De quem é a culpa?

Acho que é a inovação é o nosso segredo. Todo dia você vê um sertanejo fazendo algo diferente, misturando alguma coisa, seja um estilo, um papo novo, uma melodia nova, uma pegada mais bem-humorada. Ou até fazendo um sertanejo ruim, que às vezes a galera também gosta. A gente tem sorte de o sertanejo ser tão rico. O país que a gente vive é o mais rico em cultura no mundo, e ainda assim o sertanejo consegue ser o ritmo mais popular.

Divulgação
Gustavo Mioto Imagem: Divulgação

O que escuta um compositor de sertanejo? De onde vem a inspiração musical?

Cada música que faço vem de um lugar. Às vezes vejo um filme que o personagem diz algo incrível. Às vezes é a passagem de um livro, uma conversa com amigo. Eu não escuto muito sertanejo atual para não me basear neles, para tentar inovar. Escuto muito John Mayer, Ed Sheeran, Shawn Mendes, artistas que falam de amor e tem uma pegada moderna.

Cresci num ambiente sertanejo, mas sempre fui muito bagunçado musicalmente. Gosto muito de Michael Bublé, Bon Jovi, AC/DC.

Dá para dizer que, se tivesse aparecido, 30, 20 anos atrás, você seria um artista de rock ou pop rock?

Poderia ser, mas não tenho uma vez muito para o rock. Não sei se meu “drive” seria suficiente. Talvez eu estivesse em uma banda mais pop, algo como o que LS Jack ou o Capital Inicial faziam.