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"Sense8" termina com episódio feito sob medida para agradar aos fãs

Wolfgang (Max Riemelt), Capheus (Toby Onwumere), Sun (Bae Doona), Nomi (Jamie Clayton), Lito (Miguel Angel Silvestre), Kala (Tina Desai), Riley (Tuppence Middleton) e Will (Brian J Smith) se unem em cena de "Sense8" - Divulgação/Netflix
Wolfgang (Max Riemelt), Capheus (Toby Onwumere), Sun (Bae Doona), Nomi (Jamie Clayton), Lito (Miguel Angel Silvestre), Kala (Tina Desai), Riley (Tuppence Middleton) e Will (Brian J Smith) se unem em cena de "Sense8"
Imagem: Divulgação/Netflix

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

05/06/2018 04h00

“Sense8” nunca chegou perto de se tornar um fenômeno mainstream como “Game of Thrones” ou “The Walking Dead” – ou “Stranger Things”, para ficar dentro da Netflix. Mas a ambiciosa série criada por Lana e Lilly Wachowski (“Matrix”) e J. Michael Straczynski (“Babylon 5”) para a plataforma de streaming conquistou um exército de fãs fieis que conseguiu o que parecia impossível: trazer a série de volta para uma breve vida após seu abrupto cancelamento em 2017, pouco após a estreia de sua segunda temporada.

Portanto, não é de se surpreender que o episódio de despedida da série, que estreia nesta sexta-feira (8), pareça ter sido milimetricamente pensado para agradar aos fãs – o que ele consegue (e bem) com uma fórmula que mistura ação, sentimentalismo, humor e doses da pegação que fez a fama de “Sense8”.

Intitulado “Amor Vincit Omnia” (“o amor vence tudo”, em latim), o episódio começa exatamente de onde a segunda temporada terminou: Wolfgang (Max Riemelt) foi sequestrado pela maligna OPB, organização que quer acabar com os “sensates”, e seu cluster tenta resgatá-lo – agora com o vilão Sussurros (Terrence Mann) nas mãos.

Com os protagonistas (e seus coadjuvantes mais próximos) fisicamente no mesmo local, a ação transcorre com agilidade na maior parte das 2h30 do especial, focando-se quase que exclusivamente na missão do cluster, que se desenrola em cenários como Paris e Nápoles. É uma vantagem, já que o tempo passa rápido, mas acaba deixando com menos espaço os personagens que tinham as tramas paralelas mais complexas, como Lito (Miguel Ángel Silvestre) e o futuro de sua carreira de ator, e Capheus (Toby Onuwere) e suas ambições políticas no Quênia.

As respostas para os vários mistérios que a produção levantou em seus dois anos chegam – mas a necessidade de fornecê-las dentro da complexa mitologia da série resulta, por vezes, em momentos que destoam um pouco do resto da narrativa e acabam deixando entrever outras questões que seus criadores gostariam de ter tido mais tempo para explorar.

Entre perseguições, explosões e pancadaria, porém, a série nunca esquece sua mensagem de empatia e aceitação das diferenças. Essa mensagem, que começou pela escalação de um elenco diverso como poucas vezes se viu em Hollywood, foi o que tornou a série tão singular desde o princípio, e é ela que está por trás dos momentos mais emocionantes do final.

A trajetória de “Sense8” não foi unanimidade, como demonstra seu cancelamento precoce. Sua história ambiciosa, entretanto, conseguiu encontrar seu lugar. Aqueles cativados por ela não irão se decepcionar com o desfecho.

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