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"Jurassic World 2" erra ao tentar se aproximar de "Parque dos Dinossauros"

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Cena do filme "Jurassic World: Reino Ameaçado" Imagem: Reprodução

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

05/06/2018 16h00

A fascinação por dinossauros é antiga e parece que nem um meteoro vai abalar isso. O cinema apropriou o tema e soube usar muito bem a relação entre o homem e as criaturas extintas, especialmente com o blockbuster clássico "Parque dos Dinossauros" (1993). Para revitalizar a franquia e ganhar uma enxurrada de dólares, a Universal apareceu com "Jurassic World" (2015) e agora é a sequência "Jurassic World: Reino Ameaçado" que será seu ganha-pão.

Nem é preciso ser a Mãe Dináh para prever que uma multidão vai invadir as salas dos cinemas no Brasil a partir do dia 21 de junho, mas o filme acaba escorregando exatamente no que errou no anterior e é apenas um entretenimento sem personalidade. Um desperdício de talento do elenco, dos produtores e de enredo.

Novamente, referências ao primeiro filme, dirigido por Steven Spielberg e que revolucionou a cultura pop ao unir robôs realistas e incipientes efeitos visuais na época, são jogadas para o público a todo momento, o que seria excelente tanto para a molecada quanto para quem cresceu com "Parque dos Dinossauros", mas servem apenas como exemplo de comparação e expõe os erros da nova aventura.

Um exemplo para ficar claro. Nos trailers divulgados nos últimos meses vemos a aparição de um Braquiossauro, um dos primeiros dinossauros a aparecer no filme. É um reboot da cena em que Dr. Grant (Sam  Neill) e a Dra. Ellie (Laura Dern) veem embasbacados em carne e osso o que eles estudaram a vida inteira. Desta vez, uma jovem médica sai de um carro para observar o animal e, então, a trilha sonora épica entra em cena e uma tomada aérea do parque abandonado (com tantos efeitos visuais que parece até falso) força a barra de uma situação que não é mais mágica como foi nos anos 90.

Trailer legendado de "Jurassic World: Reino Ameaçado"

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Enredo

"Jurassic World: Reino Ameaçado" se passa três anos após a tragédia na Ilha Nublar, quando o parque foi evacuado e os dinossauros ficaram livres, leves e soltos na floresta. A questão principal é que um vulcão pode entrar em erupção a qualquer momento, o que mataria os dinossauros. Há aqueles que defendem a ideia de que a "vida encontra um jeito", como pregava o matemático Ian Malcolm, enquanto outros não querem ver as criaturas morrerem.

A premissa é interessante, e bem melhor do que um dinossauro modificado geneticamente como no filme de 2015. Mas em vez de focar na reciclagem natural e como "Deus" estaria consertando a iniciativa dos homens, vemos mais uma grande corporação sedenta em usar os dinossauros para benefício próprio.

Jeff Goldblum faz uma participação especial curtíssima novamente como o matemático sabichão que quase foi morto em “Parque dos Dinossauros” e, querendo ou não, traz questionamentos interessantes para o filme sobre como lidar com o poder genético de encarnar criaturas extintas.

Só que o filme pula para outro tema e nos pegamos em mais um dinossauro maravilhoso, inteligente e criado com o propósito matar, proporcionando as cenas mais nonsense nos 140 minutos de longa. Isso sem contar no núcleo infantil que tem uma “conexão” filosófica com os bichanos.

Acertos

Para ser justo, a sequência de “Jurassic  World” acaba corrigindo alguns aspectos abertos no filme anterior e é, no geral, um blockbuster divertido e cuja intenção é entreter -- nada mais. A relação entre Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard) parece mais natural, e ela deixou o salto em casa para poder correr tranquilamente pela floresta – fato que o filme faz questão de você entender umas três vezes.

Os irmãos chatos, sobrinhos da Claire, foram esquecidos (ufa!) e é uma garotinha esperta que ajuda os protagonistas a sobreviverem. Ela não é uma geek em dinossauros ou viciada em biologia, apenas uma menina normal que mora com o avô.

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Carnotauros poderia ter mais minutos de cena em "Jurassic World: Reino Ameaçado" Imagem: Reprodução

O curioso é que a melhor parte de “Reino Ameaçado” é o uso inteligente de animatronics (os robôs realistas maquiados de dinossauros, tecnologia conhecida há quase 30 anos), que foram praticamente esquecidos anteriormente e ganharam vidas graças ao poderio da CGI.

É sensacional ver Blue (o velociraptor treinado por Owen) ou um T-Rex bem de perto, com todos os detalhes lembrados pela equipe que comandou os bonecos mecânicos. As cenas trazem mais realismo do que simplesmente efeitos visuais e se equipara, pela única vez, a “Parque dos Dinossauros".

Tinha tudo para ser ótimo

Ao final de "Jurassic World: Reino Ameaçado", fica a sensação de que o filme poderia ser muito melhor. J. A. Bayona é um diretor mais sombrio do que Colin Trevorrow -- lembrando o estilo de seus filmes "O Orfanato" e o excelente "Sete Minutos Depois da Meia-Noite" --, o que vem a calhar no quesito suspense e em alguns bons momentos de tensão, especialmente nos primeiros cinco minutos.

A destruição da ilha é primorosa, o melhor trabalho visual do filme, apresentando inúmeros dinossauros que não vemos nas telonas há algum tempo -- preste atenção nos 15 minutos de fama do Carnotauros. É desesperador ver os humanos caírem no mar enquanto uma enxurrada de dinossauros se jogam na água para fugir da erupção.

Steven Spielberg ocupa a cadeira de produtor executivo, o que faz você pensar se ele realmente se importa com a franquia com está nela para ganhar uns trocados. E a grande dúvida é: será que teremos um outro filme de dinossauros que será revolucionário como "Parque dos Dinossauros" ou o domínio da computação gráfica em blockbusters roubou essa surpresa?

Os bastidores de "Jurassic World: Reino Ameaçado"

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