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"Nunca fui empregado para ser demitido", diz guitarrista após sair da Cachorro Grande

Divulgação
Marcelo Gross lança trabalho solo com Chumbo e Pluma Imagem: Divulgação

Marco Britto

Do UOL, em São Paulo

30/05/2018 15h40

Marcelo Gross morreu duas vezes em um ano. A primeira em julho de 2017, quando a namorada de 32 anos não resistiu ao desmaiar sozinha em casa e bater a cabeça. A segunda, pouco tempo atrás, quando seus parceiros da Cachorro Grande comunicaram, na van da banda após um show em Belo Horizonte, que ele estava fora.

A saída do guitarrista, fundador do grupo ao lado do vocalista Beto Bruno em 1999, foi, segundo o próprio, mal explicada aos fãs e até para ele mesmo. “Nunca fui empregado para agora ser demitido”.

Os últimos tempos na Cachorro Grande podiam não ser os melhores, mas segundo Gross, não eram nenhum caos. “Me fechei após a morte da minha mulher, fiquei na ‘ponta dos cascos’ (arredio)”, conta.

Ele sabe que não é nenhum cãozinho de colo, porém achou injusta a demissão repentina. Na sua opinião, merecia férias para “se tratar”. O guitarrista faz terapia para lidar com o luto (agora duplo) e conta com a ajuda de remédios para se manter estável emocionalmente.  “É difícil ver a banda fazendo shows sem estar lá”. 

Segundo comunicado da banda, pesou o distanciamento com o grupo. “O Gross continua nosso amigo e irmão. Essa atitude foi absolutamente profissional, pensando na nossa necessidade de ter uma pessoa mais perto, colaborando melhor no processo criativo”, esclarece Beto Bruno, vocalista.

Chumbo e pluma

Tudo que Gross faz agora é pensar na carreira solo e nos boletos. Como qualquer mortal, tem contas a pagar. O recém-lançado “Chumbo e Pluma” chega em versões para CD e vinil como álbum duplo, com acabamento primoroso - encartes, disco transparente e mais acabamentos. “Faço discos pensando que eles vão durar uma vida inteira”, avalia.

Aos 45 anos, o roqueiro senta na sua sala de estar na rua Augusta, em São Paulo, e se vê recomeçando do zero, “assoviando e chupando cana”. Está com um trio pronto com o baixista Eduardo Barretto, que faz shows na pele do francês Serge Gainsbourg na noite paulistana, e nas baquetas Alexandre “Papel” Loureiro, músico profissional que circula nas rodas de blues e jazz do país.

O clipe de “Alô, Liguei” foi gravado e em breve sai como primeira música de trabalho deste segundo disco solo do agora ex-Cachorro Grande.

“Os guris ficaram no conforto da marca Cachorro Grande, têm público, agenda. Eu estou fazendo tudo, marcando show, cantando 1h30 pela primeira vez na vida, enfim, fazendo o que tenho que fazer. Não vou ficar chorando pitangas”. Em junho o trio faz shows no Rio Grande do Sul. 

Tudo em ondas

A Cachorro Grande despontou no cenário nacional em 2005 com o álbum Pista Livre, que teve grande apoio da MTV, entrou em rádios e atrações de TV. Hoje os tempos são outros para o rock ’n’ roll, que voltou ao gueto e observa sertanejos e funkeiros dominarem as paradas. Para Gross, tudo são ondas.

“Surgem grandes artistas que puxam os outros. Guns ’n Roses, Nirvana, Oasis, The Strokes… são bandas que trouxeram o rock de volta em períodos como o de hoje”.

Os cachorros pegaram carona na moda stroke dos anos 2000 e se beneficiaram do que, até agora, foi o “último grito” do rock no mainstream. Em tempos de Instagram, Gross vai para o corpo a corpo. Sua solução é cair na estrada.

Para o artista independente, sem o apelo de massa de uma Anitta ou Michel Teló, é onde a grana está. “Gosto dessa coisa ‘oldstuff’ (antiga). Sou muito influenciado pelo rock dos anos 60 e era assim que se faziam as coisas. É assim que vou continuar fazendo”. O roqueiro acredita fielmente nos seus deuses.

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