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Harvey Weinstein é indiciado por estupro; magnata pode pegar 25 anos de prisão

Mark Lennihan/AP
Harvey Weinstein se entrega à polícia Imagem: Mark Lennihan/AP

Do UOL, em São Paulo*

30/05/2018 18h49

O magnata Harvey Weinstein foi indiciado por um júri formado por 23 membros pelas acusações de estupro e de atos sexuais criminosos. 

 O advogado de Weinstein, Benjamin Brafman, disse que o produtor vai se declarar inocente.

Mais cedo, Weinstein se negou a testemunhar perante o grande júri após um juiz negar um pedido de Brafman para adiar a aparição. O advogado havia argumentado que seu cliente teve acesso negado às informações sobre o caso e não teve tempo de preparação.

A acusação formal ocorre após uma investigação de meses do Departamento de Polícia de Nova York. A polícia não identificou as duas mulheres, mas informou que os crimes ocorreram em 2004 e 2013

"Esta acusação traz o réu um passo mais perto de responsabilização pelos crimes de violência pelos quais ele é agora cobrado", disse o promotor Dyrus Vance, Jr. em comunicado.

“Nosso escritório não trabalhará este caso na imprensa, mas, sim, no tribunal onde ele pertence. O recente ataque do réu à integridade dos sobreviventes e ao processo legal é previsível. Estamos confiantes de que quando o júri ouvir as provas, ele rejeitará esses ataques de imediato.”

Weinstein pode ficar 25 anos preso.

Mark Von Holden/Getty Images for Dimension Films
Os irmãos Bob e Harvey Weinstein. fundadores da produtora The Weinstein Company Imagem: Mark Von Holden/Getty Images for Dimension Films

Entenda o caso

Hollywood nunca mais foi a mesma depois do dia 5 de outubro, quando vieram a público as graves denúncias de assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein, um dos magnatas da indústria cinematográfica e responsável por "Shakespeare Apaixonado", "O Senhor dos Anéis", "Os Oito Odiados", "Cidade de Deus" e muito mais. As produtoras fundadas por Weinstein ao lado de seu irmão, Bob,  -- Miramax e Weinstein Company -- tiveram papel fundamental na indústria cinematográfica.

Em iniciativa inédita, atrizes (e atores) do primeiro escalão se abriram para falar sobre os problemas de discriminação e violência sexual dentro do cinema e da TV, descortinando uma faceta sombria de um mundo glamoroso, que envolvia abuso de poder, assédio, estupro e ameaças de ostracismo.

Entre as mulheres que abriram o jogo publicamente estão Lupita Nyong'o, Uma Thurman, Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Cara Delevingne e Lea Seydoux. Isso sem falar em nomes não tão famosos da grande mídias, sendo que muitas atrizes desistiram de seguir profissão após trauma com o magnata.

A onda de denúncias resultou em dois movimentos importantes: o #MeToo e o Time’s Up, que tiveram os caminhos abertos por outras duas campanhas abraçadas por Hollywood, a Ask Her More e o #HeForShe.

Enquanto tudo isso acontecia nos últimos meses, novos casos surgiam a cada dia -- e não apenas contra Weinstein. A Miramax, produtora fundada por ele, declarou falência após as polêmicas.

As polícias de Londres, Nova York e Los Angeles passaram a investigar o magnata. As acusações foram parar na justiça e, em março, as autoridades estiveram perto de prender o suspeito, mas foram interrompidas por um promotor que decidiu não incriminar o acusado.

Os estúdios, assustados com tamanha repercussão negativa por ter diretores e produtores investigados por crimes sexuais, também se movimentaram. Uma cláusula de contrato, que permite uma maior igualdade entre diferentes raças, gêneros e culturas, também começou a ser válido em Hollywood e muitos filmes já aprovaram a iniciativa.

Protestos foram recorrentes nas últimas premiações do cinema, principalmente no Globo de Ouro, onde todos usaram preto na cerimônia. No Oscar deste ano, a vencedora da estatueta de melhor atriz, Frances McDormand, roubou a atenção com um discurso inflamado para acabar com o abuso e ressaltar a importância da igualdade na indústria. O mesmo aconteceu no Festival de Cannes 2018, com uma marcha liderada pela presidente do júri Cate Blanchett, nas escadas do palácio principal.

* Com informações da Reuters

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