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Música

Harry Styles se distancia do One Direction e faz show como um rockstar dos anos 70

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

29/05/2018 23h20

A notícia da chegada de qualquer ex-membro do One Direction no Brasil sempre repete o mesmo script. Não foi diferente com Harry Styles, que se apresentou no domingo no Rio de Janeiro e nesta terça (29) em São Paulo, em show único no Espaço das Américas.

Ingressos esgotados em poucas horas, fila e acampamento no local do show, recepção calorosa e gritaria no aeroporto, imagens do cantor tomando sol nas piscinas dos hotéis e choro e mais gritaria quando o cantor sobe ao palco. Mas Styles não poderia estar mais diferente.

Longe das amarras e da formatação de uma boy band, o cantor volta ao Brasil, quatro anos depois de se apresentar com o One Direction, bagunçando o roteiro do que se espera de um ídolo pop. Em turnê solo, dessa vez o britânico de 24 anos aponta para novas direções.

Sem a pirotecnia e o aparato grandioso dos shows que o grupo fazia nos maiores estádios do mundo, sobrou um telão na parte superior e um par de novas canções que pouco lembram o pop pegajoso e às vezes previsível do antigo grupo, criado no reality show “The X Factor” em 2010.

Rock star

Vestindo uma camisa prateada com babados e dançando sem marcações, Styles emula um espalhafatoso rock star saído dos 1970, transferindo os refrães assobiáveis para uma sonoridade setentista, que busca referências em Elton John e Fleetwood Mac, nomes do pop rock que estariam facilmente fora do radar da faixa etária da plateia.

No entanto, não há queixas. Ao contrário, o público fez bonito e acompanhou todas as canções, mesmo aquelas em que Styles não pediu ajuda. Em troca, o cantor caprichou com os surrados e sempre eficazes cumprimentos em português: “Tudo bem?”

Prova de que a fidelidade dos fãs é intacta, teve quem levantasse os braços quando “Shine on You Crazy Diamonds”, clássico da fase progressiva de seus conterrâneos do Pink Floyd, tocou momentos antes do britânico subir ao palco. No bis, Styles ainda agitou os mais novos com uma versão barulhenta de “The Chain”, do Fleetwood Mac. A maturidade musical deixou o show prazeroso até mesmo para os pais que levaram seus filhos.

Keiny Andrade/UOL
Fãs no show de Harry Styles em São Paulo Imagem: Keiny Andrade/UOL

A boy band, colocada de molho em 2015, foi lembrada, claro. Durante “Stockholm Syndrome”, por exemplo, o alvoroço próximo ao palco foi tão grande que preocupou o cantor. Ele fez a banda parar de tocar até que tivesse certeza que tudo estava bem. Em seguida, atravessou a pista VIP para o palco secundário, montado no setor mais barato — o set acústico serviu como agrado para os fãs que sempre sofrem com a distância do ídolo.

Ainda mais conhecida e mais formatada, “What Makes You Beautiful” ganhou versão roqueira, próxima das referências que o cantor guarda desde a infância, como Beatles e Elvis Presley.

As bandeiras LGBT tomaram a plateia durante a nova e pesada “Medicine”, canção em que fãs enxergam uma referência a suposta preferência do cantor por ambos os sexos. Mesmo sem ter sido gravada, já estava decorada e foi intensamente aplaudida, principalmente no verso “The boys and the girls are in / I mess around with them / And I'm okay with it (em tradução livre: “Os garotos e as garotas estão aqui / eu brinco com eles / E eu estou bem com isso”).

Mas o ponto alto está nas canções de seu álbum solo homônimo, gravado na Jamaica. O disco abre e fecha a apresentação com “Only Angel" e "Kiwi", dois bons exemplos para sacudir qualquer arena, inclusive as do rock.

A banda enxuta (com mulheres no teclado e na bateria) defendeu bem a nova fase do cantor, seja em “Woman”, balada pop com referência ao R&B, ou “Sign of the Times”, viagem com elementos do rock progressivo.

Os fãs ouvidos pelo UOL negaram relativizar a nova guinada musical. “Eu amo o One Direction, mas o Harry é quem faz o som mais diferente de todos, fico feliz em vê-lo feliz”, diz Flávia Hoffman, 17.

Acompanhando a filha Érica, 13, José Muniz, 44, aprovou. “É bacana essa homenagem que ele faz ao rock dessa época”.

Keiny Andrade/UOL
Leon Bridges se apresenta antes de Harry Styles em São Paulo Imagem: Keiny Andrade/UOL

Leon Bridges

Responsável por abrir os trabalhos, o texano Leon Bridges mostrou seu soul e foi abraçado pelo público, que gritou seu nome e cantou “Ruver”, sua balada mais conhecida.

Mesmo com canções de seu novo disco, “Good Thing”, em que flerta com sonoridades mais modernas, Leon começou o show mais tímido que a plateia. Quando engrenou, teve que deixar o palco. A apresentação durou apenas meia hora, mas serviu como uma bonita introdução para essa nova direção de Styles.

Setlist:

Only Angel
Woman
Ever Since New York
Two Ghosts
Carolina
Stockholm Syndrome (One Direction)
Just a Little Bit of Your Heart (Ariana Grande)
Medicine
Meet Me in the Hallway
Sweet Creature
If I Could Fly (One Direction)
Anna
What Makes You Beautiful (One Direction)
Sign of the Times

Bis

From the Dining Table
The Chain (Fleetwood Mac)
Kiwi