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Como Donald Trump se tornou um supervilão digno das sagas da Marvel e DC

Arthur Adams/GQ/Reprodução
Trump como supervilão na ilustração do quadrinista Arthur Adams Imagem: Arthur Adams/GQ/Reprodução

Do UOL, em São Paulo

26/05/2018 04h00

A comparação partiu da influente revista “Forbes": a série documental da Netflix “Trump: Um Sonho Americano”, sobre a gradual e impressionante ascensão do presidente norte-americano, nada mais é do que a história clássica de um supervilão, que tantas vezes já vimos na literatura, cinema e quadrinhos.

Os ingredientes do arquétipo estão diluídos ao longo narrativa e depoimentos, desde edição à escolha da trilha sonora. Em quatro capítulos, a série pontua os caminhos de um empresário ambiciosamente cirúrgico, que passou a concentrar tanto poder que seu único destino parecia mesmo ser a Casa Branca.

Veja abaixo cinco indícios de que Donald Trump é, na verdade, um supervilão digno das sagas da Disney, Marvel e DC.

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Imagem: Reprodução

Contexto decadente

Na ficção, o surgimento de supervilões costuma estar estrelado a um contexto sombrio, com recessão e explosão da criminalidade. No “mundo real”, não por acaso, esse cenário lembra muito o do aparecimento de ditadores sanguinários. Com essa comparação em mente, “Um Sonho Americano” lembra que Trump virou figura pública nos anos 1970, época em que Nova York vivia um de seus períodos mais críticos, com crise fiscal, greves e graves problemas de infraestrutura. Como o próprio reconhece, o futuro presidente surfou na onda da desgraça como um empresário-Messias do ramo imobiliário que prometia reerguer a economia e a gerar emprego.

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Imagem: Reprodução

Incidente singular e/ou traumático

Antes de assinar seu primeiro grande empreendimento em Nova York, a reforma do hotel Commodore, Donald Trump em nada lembrava a figura histriônica a qual estamos acostumados. Discreto e racional, ele media com cuidado cada palavra em entrevistas, reflexo de uma sobriedade que se esvaiu com a fama. "Um Sonho Americano” defende que um acontecimento transformou Trump para sempre: o dia em que passou a ser confrontado ferrenhamente por jornalistas por pedir isenção fiscal em seus projetos. O caso mais emblemático é o de sua Trump Tower, inaugurada em 1983. A cidade, em crise, clamava por recursos provenientes de impostos. O "supervilão" levou o embate para a Justiça. E venceu.

Sonia Moskowitz
O advogado Roy Cohn e Donald Trump em 1983, na inauguração da Trump Tower Imagem: Sonia Moskowitz

Mentor

Assim como ocorre na jornada clássica do herói, a trajetória de vilões também é recheadas de mentores, figuras preponderantes na incubação da vilania, seja pela inspiração, pela sedução ou mesmo pelo puro desejo de confronto. Quem não se lembra, por exemplo, do Imperador Palpatine, o mal por trás de Darth Vader em “Star Wars”? A série mostra que, no caso de Trump, havia dois "guias". Seu pai, Fred Trump, cujo sucesso nos negócios ele sonhava em superar e trucidar e assim o fez e Roy Cohn, o influente advogado do empresário, um veterano “caçador de comunistas” de caráter questionável que chegou a defender a máfia. Foi principalmente dele que Trump herdou o gosto pelo embate e pelos holofotes.

Getty Images
Imagem: Getty Images

Visão binária do mundo

O documentário defende que, a exemplo dos maiores vilões da história, Trump foi se tornando com o tempo incapaz de enxergar nuances. Antes congruente, sua mente passou a ser "reta", baseado qualquer relacionamento na máxima do faroeste “olho por olho, dente por dente”, em um maniqueísmo latente. "Ele tem uma visão de mundo muito primitiva, uma visão binária, que eu acredito que tenha surgido da relação com o pai. Donald aprendeu que, para sobreviver, ele teria que ser tão ou mais rigoroso que seu pai”, diz Tony Schwartz, autor do best-seller “Trump - A Arte da Negociação”, lançado por Trump em 1987. “Essa visão binária era a de que existem apenas predadores e vítimas. É preto e branco. Então, se você não é o predador, você é a vítima."

Saul Loeb/AFP Photo
Imagem: Saul Loeb/AFP Photo

Sociopatia

Em se tratando de supervilões, não há exceção. A sociopatia está sempre presente. Caracterizado pelo egocentrismo, esse transtorno de personalidade está ligado à desconsideração de sentimentos e opiniões alheias. É um comportamento tóxico que leva facilmente a mentiras e manipulações. O "eu" está sempre em primeiro lugar. Isso é o Donald Trump de "Um Sonho Americano”, e a série traz exemplos. Por exemplo, o depoimento de um jornalista que resolveu testá-lo em uma entrevista, dizendo informações falsas sobre seu novo Cassino. Trump não só não o corrigiu as "fake news" como as incorporou às suas respostas. Outro exemplo de manipulação: o dia em que executivos de seu grupo morreram em um trágico acidente de helicóptero alugado. Para tentar comover a opinião pública, o "sociopata" Trump inventou à imprensa que quase embarcou na aeronave, sendo que, na época, ele se recusava a viajar se não fosse no próprio avião ou helicóptero,

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