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Conheça o universo compartilhado aterrorizante que bombou bem antes da Marvel

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O escritor H. P. Lovecraft revolucionou a literatura de terror Imagem: Reprodução

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

24/05/2018 04h00

Décadas antes de universos compartilhados serem moda com a Marvel e a DC, um escritor norte-americano bolou um mito complexo que virou febre para muitos e influenciou a cultura pop como conhecemos hoje.

Foi da mente um tanto perturbada de H.P. Lovecraft que saiu uma explicação nada cristã de como o mundo surgiu a partir de criaturas gigantescas e poderosas. E o personagem principal dessa mitologia -- pelo menos o mais conhecido -- é o grandioso Cthulhu, uma criatura descrita como a mistura de dragão, polvo e humanoide que descansa maliciosamente nas profundezas do oceano. 

Esta história complexa começa em 1919, com a entidade "Dagon", a primeira criatura do universo compartilhado do escritor. De forma simplificada, tem a mesma importância do Superman para a DC.

Vasto como um Polifemo, horrendo, aquilo dardejava como um pavoroso monstro saído de algum pesadelo em direção ao monolito, ao redor do qual agitava os braços escamosos ao mesmo tempo que inclinava a cabeça hedionda e emitia sons compassados. Acho que foi naquele instante que perdi a razão.

"Dagon" é narrado por um homem insano, viciado em morfina, que relembra de seu encontro com um monólito gigantesco em uma ilha pútrida. Enquanto observa a pedra, claramente não construída por mãos humanas, um monstro emerge da água, metade peixe metade homem, que caminha pelo mar como um Deus.

Odiado pelos religiosos

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Representação feita por H.P. Lovecraft de Cthulhu Imagem: Reprodução

Em moldes parecidos com o que estamos acostumados na Marvel e na DC, em que histórias individuais fazem parte de um plano maior, Lovecraft introduziu em suas obras nove Grandes Anciões. Denominado de o Mito de Cthulhu, eles viviam em harmonia, todos controlados pelo criador Azathoth, uma entidade de um olho só formada apenas por luz, tão vasta quanto o universo.

Diferentemente de outras histórias sobre alienígenas, as criaturas de Lovecraft não se relacionam com os humanos. Eles são monstros tão antigos quanto o universo e se caracterizam pelo domínio perante nós, meros mortais.

A intenção de Lovecraft era mostrar que o homem é indefeso contra as forças naturais. Um dos criadores do terror cósmico, o autor se diferenciava dos outros mestres do gênero por não apresentar resquício de esperança. Estamos condenados, sem Deus para nos salvar.

Não é preciso nem dizer que muitos fanáticos religiosos se revoltaram com o escritor, ainda mais quando sua obra ganhou repercussão. Lovecraft até inventou um livro sagrado, uma espécie de Bíblia dentro de seu mundo fictício, chamado "Necronomicon".

Alguns seguidores da religião lovecraftiana juram de pé junto que esse livro existe e tem algumas edições espalhadas pelo mundo -- inclusive na Argentina!

O "Necronomicon" seria um estudo aprofundado sobre magia negra escrito pelo louco Abdul  Alhazred, e é citado nos contos "Nas Montanhas da Loucura" e "A Sombra Perdida no Tempo". Além de revelar feitiçarias, a obra ainda detalha como os Antigos constuíram o universo.

Influência na cultura de hoje

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Cena do game "Call of Ctulhu" Imagem: Reprodução

Lá estavam o grande Cthulhu e suas hordas, ocultos sob as catacumbas viscosas e enfim transmitindo, depois de eras incalculáveis, os pensamentos que semeavam o medo nos sonhos dos homens sensíveis e os clamores imperiosos que incitavam os fiéis a partir em uma jornada de libertação e restauração.

"O Chamado de Ctulhu" define como é a literatura de Lovecraft. Muitos criticam que o escritor acaba repetindo adjetivos e transforma tudo em algo gigantesco, grandioso, horrendo e... indescritível. Mas como um autor pode deixar de descrever o que está acontecendo em sua história?

É justamente por permitir com que o leitor imagine seu próprio monstro que vemos tantas adaptações de games, livros, filmes e até utensílios domésticos com variações de seus personagens. Isso sem falar na construção de texto exótica do norte-americano, às vezes próxima de uma reportagem investigativa ou até mesmo baseada em um punhado de cartas escritas na febre do delírio.

"A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido".

Cthulhu já virou adversário de Aquaman, foi tema de música do Metallica no álbum "Ride the Lightning" e ajudou Cartman a transformar o mundo em lugar melhor na animação "South Park". Neste ano, a versão oficial da história vai chegar aos consoles, em game no formato survivor horror que foca em um investigador que precisa solucionar o assassinato de uma família. 

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