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Harvey Weinstein pode se entregar à polícia nesta sexta-feira (25)

Andrew Kelly - 10.fev.2016/Reuters
Harvey Weinstein Imagem: Andrew Kelly - 10.fev.2016/Reuters

Do UOL, em São Paulo

24/05/2018 16h56

É esperado que o magnata Harvey Weinstein se entregue às autoridades de Nova York nesta sexta-feira (24) após investigações sobre casos de violência sexual, informaram diversos veículos norte-americanos.

Representantes do produtor não se pronunciaram.

Mais de 100 mulheres ligadas à indústria cinematográfica acusaram Weinstein de má conduta, inclusive assédio sexual e estupro. As polícias de Londres e Los Angeles também estão averiguando acusações contra o ex-chefão da Miramax.

Em março, o capitão do departamento da polícia de Nova York, Robert Boyce, afirmou que "evidências consideráveis" foram encontradas contra Weinstein, mas o caso foi esquecido após o promotor Cyrus R. Vance Jr. decidir não acusá-lo de nenhum crime.

As autoridades da Big Apple estavam apurando dois casos contra o produtor. Da atriz Paz de La Huerta, que afirmou ter sido estuprada em 2010, e da aspirante a atriz Lucia  Evans, que disse que Weinstein a forçou a fazer sexo oral nele durante uma audição.

Boyce também confirmou que diversas testemunhas estão preparadas para testemunhar nos casos perante um júri. 

A polícia londrina avalia dez casos contra Weinstein, que teriam acontecido entre 1980 e 2015. Já em Los Angeles, cinco mulheres foram à justiça alegar que foram assediadas pelo produtor.

Entenda o caso

Hollywood nunca mais foi a mesma depois do dia 5 de outubro, quando vieram a público as graves denúncias de assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein, um dos magnatas da indústria cinematográfica e responsável por "Shakespeare Apaixonado", "O Senhor dos Anéis", "Os Oito Odiados", "Cidade de Deus" e muito mais. As produtoras fundadas por Weinstein ao lado de seu irmão, Bob,  -- Miramax e Weinstein Company -- tiveram papel fundamental na indústria cinematográfica.

Em iniciativa inédita, atrizes (e atores) do primeiro escalão se abriram para falar sobre os problemas de discriminação e violência sexual dentro do cinema e da TV, descortinando uma faceta sombria de um mundo glamoroso, que envolvia abuso de poder, assédio, estupro e ameaças de ostracismo.

Entre as mulheres que abriram o jogo publicamente estão Lupita Nyong'o, Uma Thurman, Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Cara Delevingne e Lea Seydoux. Isso sem falar em nomes não tão famosos da grande mídias, sendo que muitas atrizes desistiram de seguir profissão após trauma com o magnata.

A onda de denúncias resultou em dois movimentos importantes: o #MeToo e o Time’s Up, que tiveram os caminhos abertos por outras duas campanhas abraçadas por Hollywood, a Ask Her More e o #HeForShe.

Mais detalhes de como Weinstein orquestrava seus planos foram noticiados nos últimos meses, logo depois dele se internar em uma clínica contra viciados em sexo. A "The New Yorker" até publicou uma reportagem expondo o "exército de espiões" que sufocavam os casos de assédio e estupro desde a década de 80. 

A revista, que ao lado do jornal "The New York Times" fez revelações fortes sobre o caso, informou que uma ex-agente israelense entrou em contato com uma das principais acusadoras, a atriz Rose McGowan, se fazendo passar por uma militante dos direitos da mulher.

A mulher, funcionária da empresa privada de segurança Black Cube, gravou em segredo horas de conversas com a atriz, que estava a ponto de publicar suas memórias, com o título "The Brave", cujo conteúdo preocupava Weinstein.

Enquanto tudo isso acontecia nos últimos meses, novos casos surgiam a cada dia -- e não apenas contra Weinstein. A Miramax, produtora fundada por ele, declarou falência após as polêmicas.

As polícias de Londres, Nova York e Los Angeles passaram a investigar o magnata. As acusações foram parar na justiça e, em março, as autoridades estiveram perto de prender o suspeito, mas foram interrompidas por um promotor que decidiu não incriminar o acusado.

Os estúdios, assustados com tamanha repercussão negativa por ter diretores e produtores investigados por crimes sexuais, também se movimentaram. Uma cláusula de contrato, que permite uma maior igualdade entre diferentes raças, gêneros e culturas, também começou a ser válido em Hollywood e muitos filmes já aprovaram a iniciativa.

Protestos foram recorrentes nas últimas premiações do cinema, principalmente no Globo de Ouro, onde todos usaram preto na cerimônia. No Oscar deste ano, a vencedora da estatueta de melhor atriz, Frances McDormand, roubou a atenção com um discurso inflamado para acabar com o abuso e ressaltar a importância da igualdade na indústria.

Já no Festival de Cannes 2018, uma marcha, liderada pela presidente do júri Cate Blanchett, tomou as escadas do palácio principal. "Temos o conhecimento de que todas as mulheres e homens estão batalhando por mudanças. As escadas da nossa indústria devem ser escaladas por todos. Vamos subir.", decretou a atriz.

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