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Virada Cultural

Público cadeirante é maioria em shows da Virada Cultural na Arena Corinthians

Felipe Branco Cruz/UOL
Público cadeirante acompanha da Virada Cultural os shows na Arena Corinthians, em Itaquera Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

20/05/2018 16h07

A Arena Corinthians teve neste domingo o seu primeiro grande evento cultural desde a inauguração. O estádio na Zona Leste de São Paulo abrigou parte da programação da Virada Cultural. No estacionamento foram montados dois palcos com atrações voltadas para o samba, como Katinguelê, Dudu Nobre, Serial Funkers, Xande de Pilares e Fabiana Cozza.

Foi difícil, no entanto avaliar se o espaço passou no teste e está aprovado para receber, além de jogos, também eventos culturais. Segundo a organização, o local poderia receber até 20 mil pessoas, mas só 3 mil foram aos shows na noite de sábado. Já que o comparecimento do público foi pífio durante todo o domingo. Desde a abertura dos portões, até mais ou menos as 16h, a reportagem do UOL contou menos de 300 pessoas no local.

A surpresa, no entanto, foi o público cadeirante. Do total de 300 pessoas, mais da metade eram de pessoas em cadeiras de rodas, que participaram pela primeira vez da Virada Cultural. Eles foram ao estádio de Itaquera em 25 vans do Atende, que é o serviço de transporte grátis da Prefeitura para pessoas com deficiência. 

A escolha do local foi feita em conjunto com o Conselho Municipal de Pessoas com Deficiência e a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. O lugar, no entanto, dividiu as opiniões do público. A conselheira Municipal Maria de Fátima estava indignada. “Por falta de informação, muitas vans que chegaram às 10h foram obrigadas a desembarcar os passageiros no portão leste, no lado oposto do estádio, fazendo com muitos cadeirantes, pessoas com muletas e cegos tivessem que caminhar até o local”.

Felipe Branco Cruz/UOL
As amigas Diana e Fernanda curtem a Virada Cultural na Arena Corinthians Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL
O problema, no entanto foi resolvido logo depois e as vans que chegaram mais tarde puderam desembarcar os passageiros ao lado do palco, dentro do evento. Maria de Fátima reclamou também da longa distância entre um palco e a falta de um espaço coberto para eles. “Estamos aqui desde manhã e a previsão era ficar até às 19h. Não dá para ficar nesse frio por um longo período como esse com pessoas vulneráveis”, reclamou. “Além disso, se não fossem os cadeirantes aqui, o evento ficaria vazio. Nós somos maioria aqui. O público simplesmente não apareceu. Ficamos isolados em Itaquera”.

Marinalva Cruz, secretária adjunta da secretaria da pessoa com deficiência, reconheceu os problemas e disse que vai protocolar junto à Prefeitura sugestões de melhorias para os próximos eventos, como uma tenda para cobrir o espaço reservado para pessoas com deficiência. “Esta Virada Cultural foi a primeira pensada para as pessoas com deficiência. Tivemos 75 palcos com recursos para deficientes, áudio descrição e libras”.

O público também ficou dividido. Por volta das 15h30, algumas vans do Atende começaram a levar embora as pessoas que já estavam cansadas e sofrendo com o frio. Outra parte do público, no entanto, queria ficar até o fim e estava se divertindo dançando em suas cadeiras de rodas. Foi o caso das duas amigas Diana Souza, 50, e Fernanda Bezerra de Sousa, 38, ambas moradoras da Zona Leste e que dançavam ao som de Serial Funkers.

“Sou corintiana e estou amando estar aqui no estádio. É a primeira vez que venho aqui e participo da Virada”, disse Diana. Ela e a amiga chegaram às 10h e não queriam ir embora antes do fim. “A gente fica muito tempo em casa. É muito bom sair para se divertir”, disse Fernanda. “Aqui no estacionamento é fácil se deslocar com a cadeira porque é plano é asfaltado”, completou.

Quem também curtia a Virada era cadeirante Lurdes Clemente, 55 anos, que veio acompanhada do marido, ambos corintianos e que também estavam no estádio pela primeira vez. “Só não deixaram a gente entrar no gramado”, ela disse.

Lurdes veio com uma camisa do Raul Seixas e não parou de dançar nem para falar com a reportagem. “Gosto muito de rock. Mas o samba aqui também está valendo.” Quem não se divertiu muito foi Eulália Alves, 53 anos, que é deficiente visual e auditiva. “Achei a acessibilidade para mim muito ruim. Não consegui usar a áudio descrição e a entrada foi tumultuada”, lamentou.

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