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Em SP, público paga até R$1.900 para ouvir lições de empreendedorismo de Bruce Dickinson

Manuela Scarpa/Brazil News
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, discursa em evento de empreendedorismo em São Paulo Imagem: Manuela Scarpa/Brazil News

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

14/05/2018 15h27

Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, se apresentou em São Paulo nesta segunda-feira (14), mas não foi para cantar. Seus tradicionais gritos agudos foram substituídos por preciosas lições de empreendedorismo, entremeadas pelo ácido humor britânico e lembranças da sua vida e carreira na banda.

Durante 1h30, o artista falou para um público de 7 mil pessoas sentadas que pagaram de R$ 450 a R$ 1.900 para assistirem ao líder de uma das mais importantes bandas de heavy metal do mundo contar como conseguiu conciliar a carreira de cantor com a de piloto, mestre cervejeiro, esgrimista e, de quebra, ainda superar um câncer. A palestra ocorreu dentro do VTex Day, um evento voltado para empresários de e-commerce que tem a expectativa de receber 15 mil pessoas em dois dias.

Muitos ali, obviamente, conheciam a banda, mas certamente a maioria das pessoas não era fã do grupo. Isso ficou claro quando ele entrou no palco e foi recebido com aplausos -- porém bem menos calorosos do que um show de rock.

Bruce parecia saber que não estava falando para um público de fãs e logo no início deixou claro que era a celebridade ali. No telão, ele exibiu uma foto da plateia do Iron, lotando um estádio. “Vejam essas pessoas. Elas são fãs. Para vocês, empresários, o que significa ter fãs?”, ele perguntou. “Dizem que o consumidor tem sempre a razão. Eu odeio o consumidor. O consumidor é aquele que compra e vai embora. Vocês têm que ter fãs”, afirmou.

Logo em seguida, o vocalista usou o futebol como analogia. “Um torcedor nunca vai abandonar seu time. Seu time pode perder, mas você sempre vai apoiá-lo”, disse. “Nenhum consumidor vai ficar na chuva, no sol, no frio, na sua loja. Mas eles ficam num show de rock. É porque estamos lidando com pessoas reais. Não são seguidores do Instagram”, completou.

Em um momento da palestra, Bruce mostrou uma imagem de um mosquito e perguntou quem já tinha sido picado por um. A plateia ficou em silêncio. “Vamos lá, gente, aqui é o Brasil”, respondeu o cantor, arrancando alguns risinhos contidos. Em seguida, o inseto foi usado como analogia para as boas ideias, que estão no ar, ao redor da gente: basta agarrá-las.

Formado em história e doutor em música, Bruce afirmou que não é bom em matemática, mas sabe fazer contas: “0 + 0 = 1. Essa é a conta. Onde não existe nada, você tem que ir lá e criar algo novo”, apontou o cantor. “Antes de entrar no Iron Maiden, eu nunca tinha saído da Inglaterra. De repente, eu estava na maior banda do mundo. Logo depois, eu percebi que se eu não fizesse nada novo, o resto da minha vida seria assim: turnê, compor, lançar disco, turnê, compor… Eu não iria suportar. Então, eu resolvi criar coisas novas”, ele disse.

Dentre essas coisas novas, ele citou o seu trabalho como piloto de avião. “Meu único trabalho registrado na vida”, contou. Então, ele explicou por que decidiu pilotar o próprio avião da banda. “Foi Jimi Hendrix quem me inspirou. Ele viajava com três integrantes e poucos instrumentos. Então, ele poderia alugar um avião e fazer um show em Nova York e outro em Los Angeles. Nós também poderíamos fazer isso”.

Mas, para o artista, o Iron Maiden tinha um problema: seu contador. “Ele só sabia apontar como as coisas eram arriscadas, como eram caras, etc”. A saída, segundo ele, foi alugar um Boeing.

“No inverno do hemisfério norte, o aluguel do avião é mais barato. Ninguém quer voar em uma nevasca. Eu aluguei o avião, coloquei toda a banda nele e viajei para o verão do sul. E, então, todo um novo mercado surgiu para a gente no Brasil e na Austrália. Vejam só: 0 + 0 = 1”, calculou. “Talvez este seja o avião mais fotografado do mundo. Virou documentário, filme. E tudo foi muito barato. Nem preciso dizer que nosso contador amou a ideia”.

Antes de encerrar, Bruce falou sobre a cerveja do Iron Maiden, a Trooper, criada há cinco anos. “Alguém deu uma sugestão para criar um vinho do Iron Maiden. Mas vinho não tinha nada a ver conosco. Cerveja tinha. Então sugeriram trocar o rótulo de uma marca já conhecida pelo nosso. Não! Outra lição: integridade. Se vamos fazer uma cerveja, vamos fazer algo para se orgulhar”, ele disse.

Quando estava quase deixando o palco, o vocalista do Iron Maiden deu uma “não notícia”: “Não faremos show no Brasil neste ano. Talvez no ano que vem. Pode ser no Rock in Rio. Estamos conversando”.

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