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Ozzy inferniza em show de "adeus" a São Paulo; fãs não botam fé

Reprodução/Fabricio JR - Fotografia
Ozzy Osbourne se apresenta no Allianz Parque, em São Paulo, em show de "despedida" Imagem: Reprodução/Fabricio JR - Fotografia

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

13/05/2018 23h24

Depois de anunciar o que seria sua última turnê mundial, a "No More Tours 2", Ozzy Osbourne começou a se "despedir" oficialmente do Brasil na noite deste domingo (13) de Dias das Mães, em São Paulo. Mas nenhum dos cerca de 40 mil presentes no Allianz Parque pareciam comprar a ideia.

Explica-se: apesar da idade avançada e dos nítidos problemas de audição, o ex-Black Sabbath já está em sua segunda tour do gênero, e ele próprio já sinalizou ao UOL que pretende voltar a se apresentar por aqui. A ideia é apenas desacelerar e se dedicar mais à família. Resumindo: a despedida é balela.

"Vocês estão loucos para enlouquecer?", perguntou logo ao pisar ao palco, todo de preto, com seu sobretudo roxo usado apenas na primeira música, "Bark at the Moon", cantada com energia. Em seguida, o combo "Mr. Crowley" e "I Don't Know". Som pesado e no talo, cortesia do guitarrista Zakk Wylde, de volta ao grupo após oito anos. A banda de Ozzy é das mais competentes.

Aos 69 anos, o vocalista parece uma versão em câmera lenta da velha lenda do metal. Quase todas as suas marcas registradas seguem perenes no palco: o polichinelo, as corridinhas desajeitadas, os braços levantados com o símbolo "paz e amor" e seu bundalelê, arrebitado durante o solo de "Suicide Solution".

Essa cena, por sinal, assim como todas as outras, só pode ser registrada pelos celulares da plateia. Pela primeira vez no Brasil, Ozzy proibiu fotógrafos no show. Se fosse o caso de uma despedida de verdade, não teria ele deixado as imagens circularem à vontade rumo à posteridade? Foi essa teoria levantada por alguns fãs, que se deliciaram com o mais belo palco já trazido por Ozzy ao país. Telões, canhões de luz e uma imensa cruz cenográfica saltavam aos olhos ao fundo.

Em termos de performance, o vocalista sinaliza que esta não deve ser mesmo sua última turnê por aqui. Ele segura firme o vocal, com deslizes apenas em faixas mais antigas do Black Sabbath, da época do gogó juvenil, como "Fairies Wear Boots", que veio quase irreconhecível e abaixo do tom. Verdade seja dita: ninguém liga para as falhas vocais de Ozzy. O carisma e a presença de palco compensam, e com sobras.

Destaques: "No More Tears", apresentada como raridade no repertório, o que não é exatamente verdade, a versão de "War  Pigs", que fez o palco arder no fogo do inferno sob solos quilômetros de Wylde -- Ozzy precisava descansar --, e "Crazy Train", porque clássico é clássico. Mantendo a tradição, o set-list foi curto, com 14 músicas separadas por momentos solos de guitarra e bateria.

A superclássica "Paranoid", uma das melhores letras sobre loucura já compostas por um artista de rock, encerrou mais uma vez os trabalhos, de pouco mais de 1h30. Fim da linha para Ozzy no Brasil? Ninguém bota fé.

"Ele mesmo já falou que não vai parar. Não vai ter mais turnê mundial, OK, mas nada o impede de vir aqui em festival, ou com o próprio festival dele", entende o publicitário André Fonseca.

É a mesma opinião do programador Maycon Oliveira. "Quem esteve no Sabbath em 2016 já tinha visto a energia louca que ele ainda tem. Mesmo com a idade, com histórico de consumo de drogas, seria estranho pensar em parar de vir ao Brasil."

A auxiliar-administrativa Juliana Oliveira parece ter matado a charada: "O Black Sabbath realmente é uma história encerrada. Mas ele com certeza vai voltar. Ele tem muito público aqui. Vai voltar nem que seja como convidado de outro projeto ou de outro artista. O Ozzy nunca vai parar."

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