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Supergroupie dos anos 70 relembra a sua história: "Eu era a musa"

Pamela Des Barres com o baterista do The Who, Keith Moon - Reprodução
Pamela Des Barres com o baterista do The Who, Keith Moon Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

07/05/2018 11h07

Nos anos 1960 e 70, na esteira do movimento hippie e da formação de diversas bandas de rock, um tipo bastante particular de fã também surgiu: as groupies. Elas não se contentavam apenas em ganhar um autógrafo ou assistir ao show. Elas queriam também se relacionar sexualmente com os artistas e estavam dispostas a quase tudo para isso.

Várias groupies daquela época ficaram conhecidas. Os artistas tinham suas groupies favoritas em cada cidade do mundo. Em Los Angeles, nos Estados Unidos, a mais famosa delas foi Pamela Des Barres, hoje com 69 anos. Quando ela tinha 20 e poucos anos, os principais roqueiros daquela época a conheceram, como Alice Cooper, Keith Moon (baterista do The Who), Jimmy Page, Jimi Hendrix, os Rolling Stones, Buffalo Springfield, The Birds, Captain Beefheart, Frank Zappa, The Kinks, entre muitos outros.

Pamela Des Barres revelou em 1987 os bastidores de seus relacionamentos famosos no livro "I'm With The Band", que no Brasil foi lançado como "Confissões de Uma Groupie". Agora, 31 anos depois, ela relança a obra no Reino Unido. Em entrevista ao jornal "The Guardian", ela comentou sobre aquela época. "Uma groupie é uma pessoa que ama tanto música que quer ficar ao redor de quem a produz", ela disse.

"Um fã se contenta com um autógrafo, um show ou uma selfie. A groupie dá o passo seguinte. E isso requer muita coragem. Mas as groupies fazem de bom grado e, eventualmente, engatando um romance ou uma noite apenas. Às vezes até se casando com eles", completou.

Pamela conta que seu único arrependimento foi não ter dormido com Jimi Hendrix, quando ele a convidou para sair. A groupie também afirma ter presenciado momentos históricos da música, como o show dos Rolling Stones em 1969, quando um fã foi morto pelo grupo de motoqueiros Hells Angels. Pamela lembra que Mick Jagger ficou devastado e que ele pensou em desistir. "Ele apenas queria conforto após aquela traumática experiência. Lembro que ele quis também fazer sexo a três com Michelle Phillips, vocalista do The Mamas and the Papas. Aquilo me pareceu completamente errado".

Filme Quase Famosos - Reprodução - Reprodução
Cena do filme "Quase Famosos", que retrata como agiam as groupies
Imagem: Reprodução

A vida das groupies, aliás, foi retratada no filme "Quase Famosos", de 2000. O longa-metragem apresenta a groupie Penny Lane, inspirada na vida real na groupie Bebe Buell, mãe da atriz Liv Tyler.

Pamela Des Barres também se casou com um artista famoso, o cantor Michael Des Barres, que fez parte de bandas como Silverhead, Detective, Chequered Past, além de ter lançado álbuns solo e participado da série de TV "MacGyver" ("Profissão Perigo", no Brasil) interpretando o personagem Murdoc.

Eles se casaram em 1977, tiveram um filho, mas se separaram em 1991. Atualmente, ela diz buscar forças em sua fé cristã e tem autorização para realizar até casamentos. A groupie é hoje uma espécie de micro celebridade em Los Angeles e eventualmente organiza pequenos shows no quintal da sua casa.

Na entrevista ao The Guardian, ela contou sobre seu relacionamento com Keith Moon, o cultuado baterista do The Who, que morreu em 1978 aos 32 anos. "Eu era a garota dele em Los Angeles. Não há dúvidas sobre isso. Eu sabia que quando ele viesse na cidade, era para mim que ele ligava", afirmou. "Ele era uma alma necessitada. Eu o acalmava quando ele acordava gritando dizendo ser o assassino de seu motorista. Era o meu dever, como musa, cuidar desse gênio".

"Eu era a musa. E eu não me importo sobre o que a pessoas falam a respeito", completou. "Ninguém me processou pelo livro porque eu contei a verdade. A minha verdade", ela disse.

A groupie falou também sobre os recentes casos de abuso sexual em Hollywood. "Fico preocupada que a minha incrível vida possa ser ligada a algum desses comportamentos. Mas aquela época foi outra. Espero que as pessoas vejam a minha vida como uma escolha pela liberdade. A escolha por permitir que o sexo fosse uma parte linda e primorosa, em oposição a algo assustador. E, para dizer para esses filhos da p***: F***-se se eles chegarem perto de você sem sua autorização".