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Atrizes negras francesas vão denunciar em Cannes falta de representatividade

Reprodução/Noire N
Imagem do projeto Noire N'est Pas Mon Métier Imagem: Reprodução/Noire N'est Pas Mon Métier

RFI

04/05/2018 22h11

Enquanto no Brasil a polêmica cresce em torno de "Segundo Sol", nova novela da Globo, ambientada na Bahia mas com pouquíssimos negros no elenco, um grupo de atrizes negras e mestiças promete levantar, em Cannes, a questão da (pouca) representatividade negra nos cinemas.

A novela de João Emanuel Carneiro, prevista para começar dia 10, tem 26 atores no elenco, sendo que apenas três deles são negros numa Bahia que deve ser diferente da real, que tem 76% de população negra.

As 16 artistas assinam um livro coletivo, Noir n’est pas mon métier, um título cheio de jogos de palavras, que pode significar algo como “meu trabalho não é no negro”. No próximo dia 16, elas vão subir a escadaria vermelha mais conhecida do mundo, a do Festival de Cinema de Cannes, para promover o livro e a questão negra.

O livro reúne as piadas de gosto duvidoso, facilmente descambando para o racismo, e os clichês que ouvem no exercício da profissão de atriz.

“Ainda bem que você tem traços finos”. “Você fala africano?”. “Você é negra demais para fazer papel de mulata”. Essas frases foram lembradas por Nadège Beausson-Diagne, que trabalhou em "Bienvenue les Ch’tis", campeão de bilheteria da França.

Há também testemunhos da ex-miss França Sonia Rollad e da atriz Eye Hadara, indicada no último César (o principal prêmio do cinema francês) como revelação por seu trabalho em "Assim É a Vida", grande sucesso recente de público e crítica.

Clichês ultrapassados

“O imaginário das produções francesas ainda está repleto de clichês ultrapassados”, explica a atriz Aïssa Maïga, que teve a ideia do livro. “Os avanços são muito lentos”, diz. “Nossa presença nos filmes franceses ainda está frequentemente ligada à necessidade imperativa de se ter um negro no elenco ou um elemento de anedota”.

As ofertas de papéis raramente sobem a escala social mais humilde, de subúrbio, de criminalidade, raramente como médicas ou advogadas.

Sobre expor a questão no local mais simbólico do cinema francês, Maïga diz: “É importante desafiar o público francês e a mídia estrangeira, pois a França é um país de muita presença”.

A questão da representatividade negra no cinema também vai ser tema da masterclass, dia 10 de maio, de Ryan Coogler, diretor de "Pantera Negra", primeiro filme de super-heróis negros da Marvel, um blockbuster de bilheteria, já tendo desbancado até "Titanic".

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