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2 DVDs em 1 mês: João Neto e Frederico aceleram para seguir ritmo do mercado

Francisco Cepeda/AgNews
Banquinho e violão: João Neto & Frederico gravam o DVD acústico "Onde Nasce o Som" em estúdio de Goiânia Imagem: Francisco Cepeda/AgNews

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

23/04/2018 04h00

Banquinho e violão. MPB? Não, sertanejo universitário. O formato acústico é a nova aposta da dupla João Neto & Frederico, que acaba de gravar o DVD "Onde Nasce o Som" e já prepara mais um. No próximo dia 8 de maio eles voltam a sentar nos banquinhos acompanhados da dupla Diego & Arnaldo para outro registro acústico, uma parceria entre as duplas amigas.

A fase tranquila de João Neto & Frederico chega após 14 anos de carreira. O álbum "Em Sintonia", lançado no ano passado, segue em alta e representa a conhecida fórmula do novo sertanejo: cenário grandioso, banda completa, convidados de outros gêneros e palco com jeito de pista de balada. Bem diferente dos novos produtos que virão por aí.

"O projeto [de 'Onde Nasce o Som'] nasceu na casa de uns amigos há um mês. Pegamos o violão e começamos a cantar umas músicas mais antigas, que não foram trabalhadas. Aí surgiu a ideia de regravá-las desse jeitinho, só na voz e violão", explica Frederico ao UOL. "Hoje em dia temos que fazer um trabalho bonito, com músicas boas e mais seco, mais objetivo."

A ideia não é acabar com as músicas de balada, ou simplesmente recuperar o que as duplas antigas já faziam. "É apenas uma forma mais simples de mostrar a música. Não precisa rebuscar muito, colocar grandes instrumentos, violino, banda. A música vai passando por mudanças e a gente tem que ir se adaptando. O importante é o povo gostar e ouvir", diz Frederico.

"Depois de tantos anos de carreira você tem que estar sempre mesclando e brincando com a música. É o que a gente procura fazer em todo trabalho", completa o irmão.

No ritmo do mercado

Francisco Cepeda/AgNews
João Neto & Frederico e Diego & Arnaldo: dobradinha acústica Imagem: Francisco Cepeda/AgNews

A simplicidade também tem relação com a necessidade de seguir o ritmo do mercado de música atual. A ideia de gravar o show em Goiânia, onde contam com uma estrutura musical, além de familiares, fãs e amigos, ajuda a lançar o trabalho o quanto antes.

Com 24 músicas, sendo 19 regravações e cinco inéditas, "Onde Nasce o Som" foi testemunhado apenas por um grupo de convidados da dupla que se reuniu no estúdio do produtor musical Blener Maycon. Já o DVD com Diego & Arnaldo, prestes a ser registrado, deve ter clima de fazenda e focar nos artistas.

Líder disparado em 2017, o sertanejo tem dividido seu espaço nas listas de mais tocadas com o funk e o pop. A saída, além de se juntar a eles, é seguir a regra do mercado. Depois de estourar com "Cê Acredita", em parceria com o funkeiro Kevinho, a dupla agora quer ainda mais agilidade nos próximos lançamentos.

"A música passa rapidão. 'Cê Acredita' já ficou pra trás. No show o povo canta, sabe tudo. Mas temos sempre que trazer coisas novas. Tem influência da internet também. É outra velocidade", pontua João Neto. "Hoje tem que ser tudo muito rápido. Se você fica esperando demais o mercado te engole, daqui a pouco tem outras novidades e você fica para trás."

"A gente faz a balada"

Keiny Andrade/UOL
João Neto, da dupla com Frederico, escolhe figurino antes de gravar programa no SBT Imagem: Keiny Andrade/UOL

Se o som vai dar uma acalmada, a agenda dos cantores segue intensa. Os irmãos receberam a reportagem no camarim do SBT, em São Paulo, enquanto se preparavam para gravar o programa "Boteco do Ratinho". A agenda do dia que começou no aeroporto e passou pela emissora de Silvio Santos ainda incluía um show em uma casa noturna dedicada ao sertanejo na capital. 

"A gente faz a balada, a gente não curte a balada. Tem muita diferença. Acho que faz dez anos que a gente não sai pra curtir uma balada", diz João Neto enquanto escolhia a roupa para aparecer na TV. O desabafo não carrega lamento. "Tem que cantar para o público, pensar no estilo de vida deles. Para rolar identificação", admite.

Também pensado para o público do sertanejo universitário, o show não deve ter grandes mudanças, apesar da face acústica dos futuros trabalhos. "Pensamos em criar um momento dentro do show para ele [banquinho e violão]. Só vai ter um show todo acústico se o disco novo estourar demais, fugir do nosso controle. Está na mão de Deus. Mas a princípio vamos fazer um quadro dentro do show, com umas cinco músicas", adiantam os irmãos sobre o repertório que não vai deixar de lado sucessos como "Prisioneiros", parceria com Jorge & Mateus, e "Rapariga Não", com Simone & Simaria.

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