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Música

Marina Lima relembra depressão: "Estava assustada com o sucesso"

Ramon Vasconcelos/Rede Globo
A cantora Marina Lima é entrevista por Pedro Bial Imagem: Ramon Vasconcelos/Rede Globo

Do UOL, em São Paulo

17/04/2018 08h49

Marina Lima falou sobre a carreira no "Conversa com Bial" de segunda-feira (16). Ao lado do irmão, o poeta e filósofo Antônio Cícero, a cantora falou de "Novas Famílias", seu 21º disco, e o período em que encarou a depressão, na década de 1990, quando teve problemas nas cordas vocais.

"Naquele momento, acho que estava infeliz com minha carreira. Sou vira-lata, gosto de estar nos lugares. Estava bombando e um pouco assustada com o meu sucesso. Fiquei aflita. Quando voltei a ficar feliz, a voz voltou. Felicidade tem que se merecer, correr atrás. Não vem de graça", afirma.

A carioca trocou sua cidade natal pela capital paulista há 8 anos, bem antes da intervenção militar na segurança do estado do Rio de Janeiro. "Saí do Rio muito antes disso tudo, estava começando a ficar assim. Estava sentindo uma coisa estranha, mascarada, precisava ir para outro lugar".

Ela conta que o novo álbum, o primeiro nos últimos sete anos, traz novidades. "São Paulo tem um entra e sai de gente o tempo inteiro. Tenho contato com muita gente de diversos lugares do país que vai para São Paulo tentar sobreviver. Tudo isso me trouxe outra musicalidade: misturei coisas que me interessam no nosso Brasil de agora".

Marina diz ainda como é trabalhar em família. "Cícero é meu mestre. O que uniu a gente foi a música. Admirava bastante e aprendi muito com ele", elogia, após quase 200 músicas feitas em conjunto.

"Ela pegou um dos meus poemas enquanto estava na faculdade e botou uma música sem eu saber. Quando cheguei em casa, perguntei: 'Como você mexeu nas minhas coisas?' Aí, quando ouvi, achei lindo, adorei aquilo. Depois, invertemos o processo: ela me dava as músicas e passei a letrá-las”, diz o poeta, que tomou posse da Academia Brasileira de Letras há um mês.

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