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Artista nu do MAM diz que se sentiu "aprisionado" por acusação de pedofilia

Reprodução/Globo
Wagner Schwartz durante o programa "Conversa com Bial" Imagem: Reprodução/Globo

Do UOL, em São Paulo

11/04/2018 13h01

Wagner Schwartz se viu em meio a uma imensa controvérsia nos últimos meses: após fazer uma performance no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em que aparecia nu e tinha a perna tocada por uma criança, ele se tornou alvo de acusações de abuso sexual e pedofilia nas redes sociais. E ele falou sobre o caso pela primeira vez durante o programa “Conversa com Bial” da última terça-feira (10).

Em entrevista ao jornalista Pedro Bial, Schwartz disse que ficou espantado com as proporções que o assunto tomou. “Eu não sabia bem o que tinha acontecido. Foi difícil, para mim, entender que Wagner eles tinham criado e de que Wagner que eles estavam falando porque não era eu”, afirmou.

Baseada em uma obra de Lygia Clark, “O Bicho”, a performance costumava durar até 50 minutos -- mas foram os poucos segundos em que a criança tocava Schwartz que tomaram a internet. “Eles manipularam a informação a partir de 30 segundos da performance e pegaram apenas a parte que a criança me tocou, com a mãe”, disse o artista. “Me atacaram, disseram que eu era um pedófilo e que o museu estava incitando a pedofilia, o que pra mim era um absurdo. Eu, nessa época, não sabia como lidar com isso”.

Schwartz contou ter se sentido “aprisionado” por ter a palavra “pedofilia” associada a ele. “Me senti aprisionado como um bicho, como fizeram com o bicho da Lygia Clark. Me colocaram em uma prisão, me colocaram em um lugar que não sou eu, que não é o que eu trabalho há tantos anos para fazer”.

Ameaças de morte

Por conta da repercussão do caso, o artista passou a receber ameaças, algumas das quais ele levou à polícia. “150 ameaças de morte eu consegui levar até a delegacia e registrar. Foram muito mais que isso, por e-mail, por Whatsapp -- descobriram meu número --, pelas redes sociais. Chegavam muitas mensagens para mim, e eu fiquei assustadíssimo porque eu não desconfio delas”.

Schwartz inclusive mudou sua rotina, evitando sair sozinho. “Eu vou a lugares onde eu me sinto mais seguro. Saio com amigos. Saio sempre acompanhado. Eu ainda não me permitir ser tão livre de novo nas ruas, o que é pra mim uma tristeza muito grande”.

Instrumentalização política

Para Schwartz, a sua performance acabou sendo usada de forma política por vários grupos. Em particular, “por muitas pessoas que querem concorrer esse ano à eleição para presidente”. “Estamos em um ano muito complexo. Existe uma crise econômica, uma crise política muito grande no Brasil e as pessoas estão precisando de assunto para fomentar a própria candidatura delas”, argumentou.

Os artistas, completou, acabaram na mira desses grupos por serem “alvos fáceis”. “Nós denunciamos coisas com o nossos trabalho, e essa denúncia é tomada por eles como um exemplo, uma coisa real. Isso é um absurdo.”

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