Topo

Geek

Divertido, crossover de Supernatural e Scooby-Doo une o melhor das séries

Divulgação
"Supernatural" e "Scooby Doo" se encontram em crossover Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

10/04/2018 22h30

É possível questionar se “Supernatural” deveria mesmo ter 13 temporadas (ou 14, já que a série conseguiu mais uma renovação). Mas não dá para negar: quando quer, ela diverte como ninguém – e o episódio “Scoobynatural”, crossover com “Scooby-Doo” que foi ao ar no Brasil nesta terça-feira (10), é o melhor exemplo disso.

Ótimo entretenimento, o episódio uniu o melhor dos dois mundos: a ação e o humor que fizeram a fama da série dos irmãos Winchester com os bordões e a inocência do desenho animado que vem marcando a infância de várias gerações de fãs desde 1969.

ATENÇÃO: O texto abaixo contém spoilers do episódio. Não leia se não quiser saber o que acontece. 

Logo de início, fica claro que aquele não é um episódio comum: Sam (Jared Padalecki) e Dean (Jensen Ackles) lutam contra um dinossauro de pelúcia gigante em uma loja de penhores, e é impossível não pensar que uma máscara vai revelar a verdadeira identidade do culpado. Não é o caso (pelo menos não ainda): trata-se, de fato, de uma ocorrência sobrenatural. Como recompensa, o dono da loja os recompensa com uma TV, sob o olhar de um homem com aparência bem pouco confiável.

Reprodução/Youtube
Dean flerta com Daphne em crossover Imagem: Reprodução/Youtube

Quando a TV já está plenamente instalada no bunker dos irmãos, um misterioso raio os suga para dentro. Eles se veem, de repente, em formato bidimensional. E o carro Baby, misteriosamente, também está lá. Não demora para a dupla chegar até uma lanchonete e se deparar com a icônica van da Turma do Scooby – e é aí que o crossover começa para valer.

Se alguém ainda estava se perguntando “mas por que diabos juntar essas duas séries?”, Dean explica para Sam – de forma bem didática – as semelhanças entre as duas. Sobra até para Castiel, comparado por ele a certo “cão falante”. Aproveitando para flertar com Daphn, Dean se apresenta ao grupo, que revela estar comemorando a herança que Scooby ganhou de um homem chamado Coronel Sanders. Todos partem então para a mansão do falecido, onde descobrem que só aqueles que passarem a noite no local (obviamente mal-assombrado) receberão sua parte.

Dean é rápido em identificar o episódio em que eles estão: “A Night of Fright Is No Delight”, exibido originalmente em 1970 como parte da primeira temporada do desenho. As coisas, no entanto, não seguem o roteiro esperado, e a aparição de dois corpos leva os irmãos a concluírem que a casa realmente está assombrada. E, se os personagens morreram na animação, o mesmo pode acontecer com eles.

O bando, que no meio tempo recebeu a adição de Castiel (Misha Collins), se separa para procurar o fantasma. Todos acabam, inevitavelmente, perseguidos pela criatura sobrenatural em uma sequência divertidíssima que traz tudo aquilo que associamos com “Scooby-Doo”: passagens secretas, Salsicha e Scooby se jogando no colo de alguém e muita correria ao som da música tema da animação.

Mas lembre-se que se trata de um episódio de “Supernatural”, então a inocência da Turma do Scooby dura pouco. O fantasma joga Fred para um lado, faz Daphne e Velma flutuarem, e lança Salsicha varanda abaixo. O comilão acaba com um braço quebrado, o que nunca acontece no desenho.

Com os riscos agora mais palpáveis, Dean e Sam são obrigados a contar para a Turma que fantasmas, vampiros e outras criaturas do além existem (e nem sempre são apenas especuladores imobiliários disfarçados), lançando os personagens em uma verdadeira crise existencial. “Eu vou para o inferno?”, pergunta uma atônita Daphne. Cabe a Dean levantar novamente o moral da equipe com um discurso motivacional – e o arsenal de armas guardado no porta-malas da Baby.

O caso é resolvido com a ajuda de uma armadilha de Fred e a tradicional retirada da máscara do vilão. Não é exatamente do jeito que você se acostumou, mas pode ficar tranquilo: a frase “eu teria conseguido se não fossem esses garotos enxeridos” está lá.

No fim das contas, fica a sensação de que não há melhor série para unir a “Supernatural” do que “Scooby-Doo”. As duas se complementaram nos mistérios, e criaram uma dinâmica interessante entre a ingenuidade da animação voltada ao público infantil e o aspecto mais sombrio (pero no mucho) do universo dos Winchesters -- que renderam inclusive contrastes engraçadíssimos, como o momento em que Dean manda um palavrão depois de uma sequência de exclamações mais bem-educadas. Fica a pergunta: como ninguém pensou nisso antes?