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Após "O Mecanismo", Padilha quer contar a história de Belo Monte

Alexandre Loureiro/Getty Images
O cineasta José Padilha durante lançamento de "O Mecanismo" Imagem: Alexandre Loureiro/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

10/04/2018 12h42

Depois de lançar a controversa série “O Mecanismo” pela Netflix, José Padilha já sabe qual outra história brasileira gostaria de contar: a da usina de Belo Monte.

“Eu me interesso em falar sobre o que aconteceu em Belo Monte. Eu me interesso porque é uma mistura de corrupção com um profundo descaso ambiental e antropológico. É um crime que tem muitas dimensões. Eu me interesso e estou estudando para fazer talvez um filme”, disse o cineasta em exibida ao programa “Conversa com Bial”, da Globo, exibido na última segunda-feira (9).

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Padilha afirmou que é difícil fazer cinema no Brasil e alfinetou os “jornalistas de direita” que criticam cineastas por usar recursos públicos – como os provenientes da Lei do Audiovisual – para suas obras. “Tem essa ideia no Brasil de que o cineasta ‘mama nas tetas do governo’. É um pedaço dessa cegueira ideológica que a gente tem no Brasil. Os jornalistas de direita adoram falar mal dos cineastas que são formadores de opinião, normalmente de esquerda. Então eles vão lá e falam ‘você está recebendo dinheiro de Lei Rounaet, Lei do Audiovisual, e isso é uma moleza. Não é uma moleza”

“É difícil fazer cinema, é apertadíssimo o orçamento”, completou. “Ninguém ganha dinheiro e, para terminar, o incentivo no Brasil é muito menor que nos outros países. É menor do que o incentivo nos Estados Unidos. ‘Robocop’ tinha um orçamento de US$ 120 milhões, e US$ 35 milhões eram de incentivo. A direita brasileira não sabe o que está falando, é só pra espezinhar”.

Política

Conhecido por falar abertamente sobre política, Padilha disse que o Brasil “é um país maravilhoso”, mas com “uma história atribulada”. “O Brasil tem um monte de gente boa, um monte de gente talentosa. Não são os recursos naturais porque, o que tem lá no Japão? O japonês! E dá certo, não é? Então são as pessoas. E o Brasil tem as pessoas. O problema é que o Brasil tem uma história atribulada. Saiu de uma ditadura para uma democracia que se instaurou um pouco como farsa. A democracia no Brasil, se você compra a minha tese e a do ‘Mecanismo’, é um método de desapropriação. Você unge o desapropriador pelo voto popular, mas ele foi eleito com dinheiro de caixa 2, desviado do seu bolso e roubado de você”.

E essa corrupção incrustada na política, argumenta o cineasta, tem consequências perigosas. “Uma pessoa honesta vai pensar 100 vezes antes de entrar na política, porque ela não vai se dispor a fazer o que precisa ser feito para se eleger. Cargo público no Brasil é quase certidão de corrupção. Tem alguns políticos... por exemplo Marcelo Freixo é um político honesto, eu conheço. Tem políticos honestos, mas eles são a minoria”.

Freixo, aliás, é amigo de Padilha, assim como o ator Wagner Moura, protagonista de “Tropa de Elite” e “Narcos”. E não costuma conversar sobre política com eles, para evitar discussões. “Falo com o Freixo e o Wagner sobre tudo. Não gosto muito de falar com eles sobre política por isso. Na verdade, não é nenhuma ruptura ideológica. Se eu for caracterizar minha posição política, eu sou um socrático, eu sei que não sei”.

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