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Show de Maria Bethânia e Zeca Pagodinho ganha tom político em Olinda

Gabriella Guerra/UOL
Maria Bethânia e Zeca Pagodinho na estreia da turnê "De Santo Amaro a Xerém", em Olinda Imagem: Gabriella Guerra/UOL

Gabriella Guerra

Colaboração para o UOL

08/04/2018 13h17

Foi no bis, aproveitando o momento de pausa no show de Maria Bethânia e Zeca Pagodinho, que a plateia aproveitou para entoar o coro: "Olê, olê, olê olá, Lula, Lula". A cantora preferiu não fazer comentários, mas Zeca entrou na onda do público e, entre um verso e outro da canção "Deixa a Vida me levar", disparou: "Vamos lutar para um Brasil melhor".

Assim terminou a estreia da turnê conjunta "De Santo Amaro a Xerém", na noite deste sábado (7), em Olinda, no Grande Recife. Pela primeira vez, Bethânia e Pagodinho dividiram o palco e foram dos clássicos do samba e do pagode, passando por músicas inéditas, homenagens ao sambista Arlindo Cruz e às escolas de samba carioca Mangueira e Portela.

Por volta das 22h40, os dois entraram no palco cantando a inédita "Amaro Xerém", de Caetano Veloso. A canção foi composta especialmente para a turnê e faz referência à cidade natal de Bethânia e ao município onde Zeca tem seu sítio, no estado do Rio de Janeiro. "O Brasil é que é meu faro / Levaremos tudo além / É no samba que eu preparo / De Xerém a Santo Amaro / De Santo Amaro a Xerém / Aí amor, amor amaro / Aí cheirinho de Xerém", diz a letra.

Em seguida, a dupla veio com "Sonho Meu", música que cantaram juntos em 2016, na gravação do CD/DVD "O Quintal do Pagodinho". Foi a partir desse encontro que tiveram a ideia de criar uma turnê conjunta.

Depois de dividir o palco em seis canções, Maria Bethânia saiu de cena e deu espaço para Zeca. Ele contou ter feito terapia para participar desse show. "Foi tanta emoção que gastei com médico, com psicólogo. Sou fã dela, então tem que estar perfeito. Maria me fez ensaiar, me fez cantar coisas que eu nunca cantei. Ela mandou e eu tinha que obedecer, essa rainha", disse.

O carioca optou por um repertório com clássicos da carreira, como "Verdade" e "Vai Vadiar". Zeca Pagodinho ainda cantou "Saudade Louca", de Arlindo Cruz, quando beijou uma medalhinha que carrega no pescoço e falou em homenagem ao amigo: "Se Deus quiser, meu compadre vai ficar bom e vai estar aqui com a gente para fazer um show".  O cantor finalizou a apresentação solo com "Ogum" e jogou cerveja no chão, em "reverência ao santo".

Bethânia se juntou a ele novamente e declamou a oração de São Jorge para, então, seguir sozinha o show. A baiana trouxe a mistura de duas canções inéditas do compositor Leandro Fregonesi e outras seis já conhecidas do público, como "Reconvexo", "Ronda" e "Negue". 

Gabriella Guerra/UOL
Imagem: Gabriella Guerra/UOL

Homenagens às escolas de samba

De volta ao show, mais uma vez sozinho, Zeca homenageou a escola de samba de coração dele, Portela. Com roupa nas cores azul e branco, entoou três canções. Em "Foi um Rio que Passou em Minha Vida", de Paulinho da Viola, a plateia fez coro.

Depois veio Maria Bethânia, usando plumas nas cores verde e rosa e saudando a Mangueira. A baiana trouxe outra música nova: "A Surdo 1", composta por Adriana Calcanhotto quando a escola de samba Mangueira se sagrou campeã em 2016 com enredo que festejava a vida e a arte de Bethânia.

A baiana ainda cantava sozinha a música feita para ela, quando Zeca voltou ao palco e ensaiou uns passos de samba. A emoção tomou conta da casa de show no momento em que a dupla cantou "Naquela Mesa", de Sérgio Bittencourt. Os dois se despediram do público pernambucano com o clássico de Gonzaguinha, "O Que É, O Que É".

Serviço:

Turnê de De Santo Amaro a Xerém
14 de abril – Salvador (Concha Acústica)
21 de abril – Rio de janeiro (KM de Vantagens Hall)
05 de maio – Belo Horizonte (KM de Vantagens Hall)
19 de maio – São Paulo (Citibank Hall)