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"Objetos não pertencem ao patrimônio cultural", diz filho de Renato sobre bazar

Divulgação
O cantor Renato Russo posa no camarim Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

02/04/2018 22h41

Acusado pela irmã de Renato Russo de "se livrar" do valioso acervo do artista, Giuliano Manfredini, filho do ex-Legião, deu sua versão oficial sobre o bazar beneficente realizado no último fim de semana no Retiro dos Artistas, no Rio, que contou com objetos pessoais do ex-Legião Urbana disponibilizados pelo herdeiro.

"[Os objetos] são reminiscências de artigos pessoais do dia a dia do Renato. Roupas, pijama, mobília, cabeceira. Essas coisas que não pertencem ao patrimônio artístico/cultural dele. Para a causa do Retiro dos Artistas, têm valor muito grande, para eles cuidarem dos artistas velhinhos", argumentou Giuliano em entrevista à rádio 89 FM, classificando a carta aberta divulgada neste fim de semana por Carmem Teresa, irmã de Renato, de "desairosa e mentirosa". No mesmo tom, o Retiro dos Artistas emitiu uma nota em que confirma que apenas itens pessoais fazem parte do bazar.

Na carta, Carmem, que também é cantora, criticou duramente a postura de Giuliano, afirmando que o controlador do espólio de Renato Russo não soube zelar pelo acervo de músico e passou por cima da vontade da família, que, segundo ela, tinha intenção de manter objetos pessoais que foram à leilão, incluindo livros, LPs e fotos.

Segundo o herdeiro, o acervo mais relevante, ligado diretamente à obra do pai, foi recuperado, catalogado e tratado com o maior cuidado possível por funcionários do MIS (Museu da Imagem e do Som), após virarem uma megaexposição realizada no museu entre setembro de 2017 e janeiro deste ano. "Agora [os objetos] vão virar uma exposição itinerante."

"Essas pessoas [a família de Renato Russo] sempre se apropriaram da herança que meu pai me deixou. Nunca fizeram nada em relação à preservação da memória. Quando cheguei no apartamento em que fiquei proibido de entrar por quase dez anos, encontrei todo esse material do Renato trancado, gritando, morrendo por causa do tempo", afirmou.

"Quando cheguei na Legião Urbana Produções [empresa que cuida do legado de Renato Russo, hoje controlada por Manfredini], vi uma empresa depauperada, com tio-avô, tia-avó, primos, vivendo às custas dessa herança que era minha, que meu pai me deixou por escolha. Eu simplesmente acabei com essa mamata."

André Lobo/UOL
12.mai.2014 - Filho de Renato, Giuliano Manfredini, posa com objetos do pai em apartamento em Ipanema, no Rio Imagem: André Lobo/UOL

Leia abaixo alguns trechos da carta divulgada por Carmem Teresa

Como pode Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo, que deveria zelar por todo esse patrimônio, leiloar simplesmente tudo? Se desfazer do mesmo como não significasse nada?

A tristeza é muito grande porque esses objetos, ou seja, todo o seu acervo cultural e artístico, foi guardado com muito esmero e carinho pelo seu pai, Renato Manfredini, minha mãe e por mim desde a sua morte em 1996. Cuidávamos de tudo, absolutamente tudo.

Agora ele quer doar tudo como se nada valesse para nós? E os nossos sentimentos? E alguns objetos, que são meus também, por direito, como livros e LPs de infância, fotos? E também alguns que pertencem à minha mãe?

E os fãs? Vocês que têm um carinho imensurável e amor incondicional pelo Renato e que nunca mais poderão ter a chance de ver uma outra exposição, pois todo esse espólio vai ser separado, espalhado e dilapidado.

Fico imaginando o sofrimento que o meu pai que faleceu ha 14 anos teria, e também, com certeza, o pesar que as famílias Manfredini e Oliveira sentirão. Todos os meus tios e primos, sem exceção.

Toda a sua memória cultural e artística será desfeita.