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Autor de "Jogador Número 1" é dono do DeLorean mais nerd do mundo

O escritor e roteirista Ernest Cline no set do filme "Jogador Nº 1" - Divulgação
O escritor e roteirista Ernest Cline no set do filme "Jogador Nº 1" Imagem: Divulgação

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

31/03/2018 04h00

Existem vários candidatos para um hipotético posto de maior nerd do mundo. Nenhum deles chegou perto do escritor americano Ernest Cline, autor do livro “Jogador Nº 1”. A obra deu origem ao filme homônimo que estreia nesta quinta-feira (29), dirigido por Steven Spielberg.

De repente, você é uma pessoa com uma coleção de milhares de quadrinhos, participou de várias comic cons em San Diego (EUA), sabe tudo sobre as séries de TV mais obscuras e assistiu a todos os episódios de “Star Trek”. Ok. Tudo isso faz de você um cara muito legal, um verdadeiro nerd, mas Ernest Cline também é.

Se alguém quiser disputar o posto de maior nerd do mundo com Cline, no mínimo, vai precisar ter uma réplica tão legal do DeLorean, de “De Volta Para o Futuro”, quanto a que Cline tem (leia mais sobre o carro lá embaixo). E ele tem dois carros desses, sendo que um deles estava emprestado a ninguém menos que George R. R. Martin, autor de “Game of Thrones”.

E é basicamente sobre quem é a pessoa mais nerd do mundo que fala o livro de estreia do autor, “Jogador Nº 1”, lançado em 2011.

O livro é ambientado em um futuro distópico de 2044, onde maioria da população se distrai dentro do Oasis, um jogo imersivo de realidade virtual, repleto de obsessivas referências aos games e a cultura pop dos anos 1980. Vence o game quem encontrar um "easter egg" escondido pelo criador do Oasis. O prêmio é toda a sua fortuna e o controle total do Oasis.

Mas, para encontrá-lo, a pessoa precisaria entender muito do universo cultural dos anos 80, com seus games de baixa resolução, programas de TV, música e moda.

Ou seja, Cline escreveu um livro com a desculpa perfeita para destilar todas as informações geeks que ele adquiriu durante a vida, além de contar uma história pra lá de divertida. O sucesso do livro foi tão grande que o próprio Steven Spielberg, diretor de clássicos oitentistas como “E.T. O Extraterrestre” e “Indiana Jones”, decidiu dirigir a adaptação para os cinemas.

Cena do filme "Jogador Nº 1" - Divulgação - Divulgação
Em "Jogador Nº 1" todo mundo joga o game de realidade virtual Oasis
Imagem: Divulgação

Quem é Ernest Cline?

Antes de se tornar escritor em tempo integral, Ernest Cline, 45, trabalhou como cozinheiro, peixeiro e atendente em locadoras de vídeo. Entre um trabalho e outro, ele se dedicava a escrever poemas, fan fictions e roteiros para série de TV, além de colecionar videogames.

Em 2014, por exemplo, Cline foi convidado para participar do documentário “Atari: Game Over”, dirigido por Zak Penn, em que eles buscam por cartuchos do jogo “E.T”, enterrados em um lixão no interior dos Estados Unidos. O jogo, aliás, possui um dos primeiros "easters eggs" da história dos games.

No documentário, ele se descreve como “escritor, novelista, cavalheiro e aventureiro” e, para provar que é um supernerd cheio de amigos importantes, vai até a casa de George R.R. Martin pegar de volta seu DeLorean, que estava com o escritor, para viajar em grande estilo para o lixão.

No tuíte abaixo, George R.R. Martin pega carona no DeLorean de Ernest Cline

Seu carro, batizado de “Ecto-88”, é um caso à parte já que não é exatamente uma réplica perfeita do DeLorean de “De Volta para o Futuro” e, sim, uma mistura de vários elementos da cultura pop, como “Os Caça-Fantasmas”, “Supermáquina” e “As Aventuras de Buckaroo Banzai”. O veículo é bastante semelhante ao carro que o personagem Parzival possui em "Jogador Nº 1".

Em uma entrevista para a revista “Wired”, Cline contou que foi multado por excesso de velocidade em seu DeLorean. O limite era 65 mph, mas ele estava a 76. Então, num rompante de nerdice, ele tentou convencer o policial a escrever na multa que a velocidade aferida era de 88 mph, a mesma que Marty McFly precisava atingir para viajar no tempo em “De Volta para o Futuro”, ainda que isso significasse uma multa mais cara. “Desta forma, eu poderia emoldurá-la”, disse o escritor. O policial não aceitou.

Em 2015, Cline lançou seu segundo livro, “Armada”, também baseado em videogames. No enredo, um garoto joga todas as noites o game “Armada”, cujo objetivo é proteger a Terra de uma invasão alienígena. Até que um dia, ele vê pela janela de casa uma nave espacial parecida com a dos ETs do game e percebe que as suas habilidades, assim como a de milhões de jogadores do mundo, serão necessárias para combater os invasores.

Para os próximos anos, os fãs do autor aguardam uma continuação de “Jogador Nº 1” e, ao que tudo indica, enquanto Cline ainda tiver tanta história para contar, dificilmente perderá o posto de maior nerd do mundo.