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Em tom gospel, Chance the Rapper faz Lolla exaltar milagres e bênçãos

Show do rapper Chance The Rapper, no palco Budweiser, no primeiro dia do festival Lollapalooza, no autódromo de Interlagos - Eduardo Anizelli/Folhapress
Show do rapper Chance The Rapper, no palco Budweiser, no primeiro dia do festival Lollapalooza, no autódromo de Interlagos
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

23/03/2018 19h32

“Parece que as bênçãos continuam caindo sob meu colo”. O verso de “Blessings”, cantando pelo público do palco principal do Lollapalooza Brasil 2018, nesta sexta (23), fez valer a vinda de Chance the Rapper ao Brasil.

Para uma plateia lotada, enquanto as atenções eram divididas entre o show do LCD Soundsystem e o palco de música eletrônica, o rapper fez um show em que a celebração toma o lugar da denúncia, como em “Angels” e “Sunday Candy”, sem deixar de mandar a real sobre as mazelas e lançar versos melancólicos, como em “Some Drugs”.

No rap de Chance, o combate é travado com louvações aos milagres e às bênçãos da vida.

Auge

Um dos mais instigantes artistas do hip-hop, o americano de 24 anos vive seu auge. Mesmo com uma carreira independente, ele tem ampliado seu público e recebido os louros pelo seu som encorpado de referências gospel, diálogo que ele expandiu no seu último disco, “Coloring Book” (2016).

Saiu do Grammy 2017 com quatro prêmios, incluindo revelação, e emplacou parcerias com Kanye West, DJ Khaled e Justin Bieber —com os dois últimos fez “I´m the One”, hit que abriu as portas das rádios, inclusive no Brasil.

Mais diversidade

A exaltação no palco passa inclusive por esses prêmios. Em “No Problems”, quando os gramofones de ouro e as logos de gravadoras famosas, das quais Chance não precisou para estourar, aparecem reinventados, propondo uma indústria com mais diversidade.

“Levante suas mãos”

Com cinco backing vocals fazendo coro e um naipe de metais, o rapper de Chicago colocava as mãos para cima, como se estivesse no púlpito de uma igreja. O público seguiu o gesto para receber as mesmas bênçãos.

“Eu nunca tinha visto essa cidade linda, São Paulo”, disse, impressionado com o coro da plateia.