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Fofura, rock e política: 6 shows que compensaram chegar cedo ao Lolla

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

23/03/2018 17h36

O Lollapalooza Brasil abriu os portões às 11h desta sexta-feira (23) sob um calor forte, mas os valentes que chegaram cedo ao festival não tiveram motivos para reclamar dos shows. Veja abaixo seis apresentações que compensaram o sacrifício de quem chegou cedo ao Autódromo de Interlagos.

Plutão Já Foi Planeta no Lollapalooza Brasil 2018 - I Hate Flash/Lollapalooza/Divulgação - I Hate Flash/Lollapalooza/Divulgação
Imagem: I Hate Flash/Lollapalooza/Divulgação

Plutão Já Foi Planeta

A banda vice-campeã do reality global "Superstar" reuniu bom público no palco Axe, agora recolocado ao lado do Palco Onix. "Tem umas mulheres fodas que vão tocar nesse festival. E é isso, tem que botar as mulheres pra tocar", pregou a vocalista Natália Noronha. E por falar na líder da banda, ela roubou o show colocando o público pra dançar e pular na apresentação de 45 minutos, com o hit "Mesa 16" sendo cantado pelos fãs. O rapper paulista Rashid ainda deu canja em "O Ficar e o Ir da Gente", lamentando a morte da deputada carioca Marielle Franco, assassinada na ultima semana. A união do rock alternativo do grupo com a batida do rapper foi um dos pontos altos da tarde, com Rashid improvisando versos a todo momento sob a base pesada do Plutão.

Selvagens à Procura de Lei no Lollapalooza Brasil 2018 - M Rossi/Lollapalooza/Divulgação - M Rossi/Lollapalooza/Divulgação
Imagem: M Rossi/Lollapalooza/Divulgação

Selvagens à Procura de Lei

A banda, que já está na estrada há quase dez anos, fez um show cru no Lolla. Com a cozinha afiada segurando a base, os vocais poderosos de Gabriel Aragão puderam dialogar sem dificuldade com guitarras distorcidas em "Despedida" e "Gostar Só Dela". A banda deixa claro que têm como influência Legião Urbana e Barão Vermelho, principalmente com as faixas mais politizadas, mas o som é calcado nos grupos gringos mais recentes, como Queens of the Stone Age e Arctic  Monkeys. Sem muita frescura e com paulada a todo momento, o Selvagens mostrou que não é o destaque do novo rock nacional há tanto tempo à toa.

Vanguart no Lollapalooza Brasil 2018 - I Hate Flash/Lollapalooza/Divulgação - I Hate Flash/Lollapalooza/Divulgação
Imagem: I Hate Flash/Lollapalooza/Divulgação

Vanguart

Muitos se sentiram em uma fazendo no sul dos Estados Unidos com a mistura folk-bluegrass da banda liderada por Helio Flanders. Fernanda Kostchak é a encarregada do violino, o ponto de curva do grupo. O clima rural também fez sentido para o Palco Ônix, que fica de frente para um grande morro de grama no Autódromo de Interlagos. A união de instrumentos não tão populares no Brasil -- e ainda com um bandolim, figura importantíssima no grupo com dez anos de carreira -- fizeram o público dançar e aproveitar a brisa que passava pelo Lolla enquanto o sol se escondia atrás das nuvens.

Mallu Magalhães - Lollapalooza 2018 - Bruno Santos/Folhapress - Bruno Santos/Folhapress
Imagem: Bruno Santos/Folhapress

Mallu Magalhães

Com um vestidinho branco, Mallu subiu ao palco Axe mostrando pluralidade: teve sambinha, músicas mais calmas só voz e violão e outras um pouco mais agitadas. Mas tudo com a cara da cantora, delicado e charmoso. Os arranjos de sopro deram um toque diferente a algumas faixas ao vivo, e a galera comprou a ideia. Braços para o alto, danças desenvoltas e fofura marcaram quem estava vendo a apresentação da cantora, que há dez anos está relevante no cenário musical. Mallu sabe dominar a aparelho vocal que possui, ora aparenta fragilidade e o som até falha no microfone, mas de repente solta o vozeirão e quebra a imagem anterior. A estrutura do palco simples, apenas um telão com uma paisagem colorida, deu uma graça a mais no show.

Volbeat - Lollapalooza 2018 - Ricardo Matsukawa/UOL - Ricardo Matsukawa/UOL
Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

Volbeat

Mesmo sem atrair muito público no Palco Ônix, o Volbeat foi a banda mais pesada da tarde, mostrando uma mistureba de respeito de metal, rock e rockabilly -- e inaugurando as rodas punk desta edição do Lolla. O dinamarquês Michael Poulsen é um monstro nos vocais, e ajuda a banda a soar exatamente como nos álbuns de estúdio. Estreando no Brasil, o grupo ainda teve o experiente guitarrista Rob Caggiano (ex-Anthrax) aprontando das suas nos solos. Apesar de bem mais vazio do que a apresentação do Vanguart, no mesmo palco, a banda não se incomodou e fez o show que os fãs estavam esperando faz tempo, com Michael sempre simpaticão com o público, brincando com passagens (mais distorcidas) a lá Elvis Presley e Johnny Cash.

Lollapalooza 2018 - Rincon Sapiência no palco Budweiser - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Imagem: Mariana Pekin/UOL

Rincon Sapiência

Tão pesado quanto as atrações roqueiras, com rimas sobre a sociedade racista. O rapper da Zona Leste de São Paulo usou o balanço e o suingue das músicas africanas para animar o público do Palco Budweiser. A cantora pop Iza ainda fez uma participação especial para apresentar a faixa "Ginga", lançada algumas horas antes. O show ganhou repercussão ainda maior quando uma foto de Marielle Franco, vereadora morta a tiros no Rio de Janeiro, apareceu no telão. "Marielle, presente!", bradou o cantor.