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"O Negócio" estreia última temporada mostrando o lado família das prostitutas

Magali (Michelle Batista), Luna (Juliana Schalch), Karin (Rafaela Mandelli) e Mia (Aline Jones), protagonistas da série "O Negócio", da HBO - Divulgação
Magali (Michelle Batista), Luna (Juliana Schalch), Karin (Rafaela Mandelli) e Mia (Aline Jones), protagonistas da série "O Negócio", da HBO Imagem: Divulgação

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

18/03/2018 04h00

Há cinco anos, quando a série “O Negócio” estreou, boa parte dos brasileiros ainda começava a tomar gosto pelo formato. Neste domingo (18), às 21h, a produção nacional da HBO estreia sua quarta e última temporada embalada pela enorme popularidade que as séries ganharam no Brasil, principalmente depois do aumento da oferta e interesse por streaming. As outras três temporadas, inclusive, estão disponíveis no serviço de vídeos por demanda do canal pago, o HBO Go.

Protagonizada por um grupo de mulheres, “O Negócio" já mostrou como prostitutas construíram um império usando lições de marketing. E ganhou o interesse não só do público brasileiro, como o de vários países da América Latina, Europa e até mesmo os Estados Unidos, consumidores vorazes do formato. A estreia neste domingo acontece simultaneamente no Brasil e em outros 50 países. A partir do sexto episódio (são 12 no total), a quarta temporada vai anteceder a aclamada “Westworld”, que volta em 22 de abril.

O mote desta última temporada é o livro que a pioneira do grupo, Karin (Rafaela Mandelli), pretende lançar contando a história da empresa delas, a Oceano Azul, que está prestes a virar um hotel de luxo, um prédio todo dedicado ao sexo. Com a aprovação final da editora e a verdade prestes a vir à tona, todos os envolvidos com a empresa precisam se preparar para o desafio de revelar o que está por trás de suas bem sucedidas carreiras para as respectivas famílias.

"Posso dizer que construir o prédio vai ser muito mais fácil que combater o preconceito. É importante a série levantar esse diálogo. Nessa quarta temporada, a Karin vai finalmente batalhar pelo o que ela acredita. E ela sofre as consequências, mas ao mesmo tempo se liberta de muita coisa. É um momento muito importante para se falar disso, e a série vai falar”, garante a atriz Rafaela Mandelli, que se despede da sua protagonista.

“A Karin foi minha parceira e trouxe muita coisa bacana para mim como pessoa. A objetividade dela, a determinação, a coragem, a disciplina… Aprendi muito com ela e com os outros personagens nesses anos todos. Mas a gente sabe que uma hora tem que acabar, e levo uma sensação de orgulho e dever cumprido.

Preconceito

Narradora de “O Negócio”, e primeira parceira de Karin na empreitada no seu papel de Luna, Juliana Schalch lembra como as coisas mudaram ao longo do trabalho. "Na primeira temporada se falava muito de ser uma série sobre garotas de programa. A gente era muito questionada se a série era feita para agradar os homens, como se o sexo fosse de interesse só deles. Mas os temas são abordados com tanta profundidade, que não falamos só sobre prostituição. Estamos falando sobre minorias, sobre igualdade. Analisando isso agora é interessante ver como acompanhamos a sociedade”, pondera.

Parceiro de Juliana na série, o ator Gabriel Godoy lembra que “O Negócio” abraçou um tema que só cresceu. "Agora está tão em alta esse questão de faltarem protagonistas mulheres. E nós temos uma série assim há muito tempo”, destaca ele. Na quarta temporada, Oscar assume o papel de relações públicas do clube das meninas e finalmente engata seu relacionamento com Luna, a quem ele dá uma ajuda crucial para o momento de revelar sua profissão aos pais. "Quando envolve família é a prova para ver se estão juntos ou não”, adianta sobre o futuro do casal.

Outra protagonista, Michelle Batista, que vive a Magali, tem orgulho de em quatro temporadas ter mostrado uma mulher brasileira diferente para os estrangeiros que também consomem a série nacional. “É um roteiro que a gente lê e que poderia ser filmado e feito em qualquer outra cidade do mundo. Nova York, Tóquio, mil lugares. É uma imagem do Brasil que as pessoas não estão acostumadas. Estamos vendendo para o mundo uma imagem de brasileiras que são mulheres de negócio inteligentes e interessantes. Não estamos vendendo a Garotas de Ipanema pela vigésima vez, e sim algo diferente e tão interessante quanto ela.”

A atriz gaúcha Aline Jones, que entrou na série na terceira temporada no papel de Mia e também faz parte do time de protagonistas, conta que até levou sua mãe para a pré-estreia. Na quarta temporada, ela é uma das personagens que mais sofre com a reação dos pais. "Eu trouxe minha mãe para ela ver que esse tipo de mulher pode ser surpreendente. Ela ficou casada 35 anos, o marido não deixou estudar… A Mia sofreu a pior reação, mas é nesse embate que acontece a evolução de ambas as partes”, acredita sobre a relação de pais e filhos.

Os diretores de “O Negócio” acreditam que a pluralidade de temas abordados e o mergulho na história pessoal dos personagens foi o segredo para levar a série tão longe. Foi uma evolução natural da série. As meninas começaram questionando os cafetões e querendo ter autonomia em suas carreiras, e o primeiro caminho foi o marketing. Mas ao mesmo tempo fomos nos aprofundando nos personagens”, destaca Michel Tikhomiroff. Julia Jordão vê um acerto no protagonismo feminino. "O público tem ânsia de ver diversidade, cansou um pouco. Queremos ver outras coisas, outros assuntos. E se as mulheres têm tanto a oferecer, então por que não?"

Vice-presidente de produções originais da HBO para a América Latina, Roberto Rios destaca o pioneirismo involuntário de um de seus produtos de maior sucesso. "É uma coisa muito maluca ainda ter que falar hoje em dia que temos que acreditar e dar chance às mulheres. Achei que já tínhamos passado essa fronteira, mas o mundo parece regredir de vez em quando. Gostamos de estar seis anos na dianteira, e com atrevimento. Seria muito mais fácil se elas fossem santas, o bacana é pegar algo difícil e provar que existe dignidade e poder nesse mundo, que é a profissão antiga do mundo."