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Michael Bolton queria ser Bon Jovi, mas virou a voz das músicas românticas

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O cantor Michael Bolton Imagem: Reprodução

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

13/03/2018 04h00

Um dos maiores nomes do gênero romântico e que embalou tantas horas da programação das rádios FM pelo mundo, Michael Bolton toca em São Paulo nesta terça-feira (13) antes de encerrar a maior turnê brasileira da carreira no dia 15, em Curitiba. O cantor de 65 anos muitas vezes é taxado de brega e lembrado principalmente pelo hit blueseiro "When a Man Loves a Woman", mas, atrás da (antiga) cabeleira loura, o músico é um excelente vocalista e quase seguiu os passos de Bon Jovi durante sua fase hard rock nos anos 80.

Roqueiro sem fama

Os primeiros álbuns foram lançados ainda com seu nome verdadeiro, Michael Bolotin. Em meados dos anos 70, o cantor lembrava um David Coverdale (líder do Whitesnake) sem ostentação e sem o sotaque inglês, com cabelo comprido e uma pegada blues rock que inundava o mercado musical do período. Cantando sozinho, o sucesso não apareceu, e a oportunidade de entrar em uma banda bateu na porta.

Ao lado do guitarrista Bruce Kullick (que entrou para o Kiss em 1984), Bolton passou a usar o atual nome artístico e, em 1979, lançou o primeiro álbum com o Blackjack, banda de rock norte-americana que recebeu elogios da crítica, mas também não acabou vingando. 

Bolton deixou o Blackjack e, no auge do hard rock dos cabelos armados, montar uma outra banda, dessa vez carregando seu nome. A comparação com Bon Jovi foi inevitável: um vocalista bonitão, uma banda com o nome do líder, o cabelo rebelde, o rock farofa e a criatividade em encontrar tanto refrão chiclete.

Mas, novamente, a sorte não estava ao lado do vocalista. Nenhum single de seus álbuns "Michael Bolton" (1983) e "Everybody's Crazy" (1985) viraram --enquanto isso, a banda de Jon Bon Jovi explodia com "You Give Love a Bad Name", "Livin' on a Prayer" e "Wanted Dead or Alive". 

A escada para o sucesso

O sucesso de Michael Bolton só virou realidade em 1987 com o disco "The Hunger", que lançou o hit "That's What Love Is All About" e o cover "(Sitting On) The Dock of the Bay)", gravado por Otis Redding nos anos 60 (a versão de Bolton foi tão boa que a viúva do rei do soul admitiu que chorou a primeira vez que ouviu). O álbum entrou para a lista dos mais ouvidos nos EUA e Reino Unido, rendendo dois discos de platina.

Na sequência, uma bomba mundial na música. "How Am I Supposed to Live Without You" (escrito pelo próprio Michael no começo dos anos 80), "How Can We Be Lovers", "Soul Provider" e "You Wouldn't Know Love" estouraram nas rádios. Misturando o pop brega (tem até participação do saxofonista Kenny G.) com bons momentos mais pesados --um flashback dos anos roqueiros do cantor --, Bolton se diferenciou pela qualidade vocal e o repertório afiado em diferentes estilos musicais, o que o fez vender mais de 75 milhões de discos na carreira.

Alternando clássicos da Motown ("Ain't No Mountain High  Enough"), que ele ouvia quando ainda era uma criança em New Haven, nos Estados Unidos, com covers de Robert Johnson ("Sweet Home Chicago"), Percy Sledge ("When A Man  Loves a Woman") e Ray Charles ("Georgia  On  My  Mind", além dos hits românticos da carreira ("How  Can  We  Be  Lovers" e "Said I Loved... But I Lied"), Michael Bolton nunca largou suas raízes nos shows, mesmo que o mundo do hard rock seja uma vaga lembrança.

Michael Bolton em São Paulo

Local: Espaço das Américas
Endereço: Rua Tajipuru, 795 - Barra Funda
Data: 13/3/2018
Horário: 22h
Preços: R$ 100,00 a R$ 480,00
Vendas: www.ingressorapido.com.br
Informações: www.poladian.com.br

Michael Bolton em Curitiba

Local: Teatro Positivo
Endereço: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido
Data: 15/3/2018
Horário: 22h
Preços: R$ 170,00 a R$ 720,00
Vendas: www.diskingressos.com.br/event/7334