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#MeToo obriga festival South by Southwest a enfrentar sexismo

Selina Wang

Do Bloomberg

08/03/2018 15h15

O South by Southwest está levando o #MeToo muito a sério. Em meio às festas barulhentas e ao networking voraz do festival anual que leva gente da tecnologia, do cinema e da música a Austin, no Texas, haverá uma certa reflexão a respeito da discriminação de gênero, do assédio sexual e de como corrigir uma cultura de trabalho problemática.

Mas o SXSW não tem um histórico muito positivo em termos de tratamento de questões de gênero. Três anos atrás, o festival não conseguiu lidar muito bem com o debate do GamerGate, oferecendo espaço a homens acusados de assédio online e depois cancelando uma sessão sobre feminismo por problemas de segurança. Neste ano, a organização promete melhorar.

Ao longo de 10 dias, haverá mais de 50 painéis e eventos focados em assédio sexual ou paridade de gênero. Alguns desses painéis examinarão o movimento #MeToo -- uma designação das redes sociais que busca mostrar como o assédio sexual é algo generalizado -- e as medidas que as mulheres podem tomar para mudar as normas de gênero, com descrições como: "A sociedade está percebendo o que as mulheres sempre souberam -- o patriarcado é nocivo." Outros abordam setores específicos, como capital de risco e empreendedorismo.

"Estamos prestando muita atenção no movimento #MeToo e no poder do momento dentro da nossa comunidade", disse Hugh Forrest, diretor de programação da SXSW. "Esse foi um dos grandes objetivos no tocante à curadoria. Considerando a quantidade de vezes em que o tema é tratado, o foco é maior do que nunca."

O festival deste ano, que começa na sexta-feira (9), um dia após o Dia Internacional da Mulher, pretende abordar a questão cultural de forma direta, começando por se assegurar de que cada painel tenha pelo menos uma mulher.

A CEO da OpenTable, Christa Quarles, falará sobre como as empresas podem criar culturas corporativas inclusivas e abordará o sexismo "endêmico nos ambientes de trabalho, do Vale do Silício às cozinhas dos melhores restaurantes dos EUA". A diretora de marca da Uber, Bozoma Saint John, deve discutir a mudança de cultura da gigante de carona compartilhada.

Jay Fulcher, CEO da Zenefits, uma empresa de software de recursos humanos que se envolveu em escândalos após um crescimento muito rápido, discursará em um painel que analisa o "bem documentado colapso da cultura e dos valores do Vale do Silício". Autumn Manning, chefe da empresa de gestão de funcionários YouEarnedIt, estará no painel com Fulcher. Manning participou diversas vezes do SXSW, mas disse que a edição deste ano será notavelmente diferente.

"Isso ressalta o fato de que as empresas e suas lideranças estão dando prioridade à questão da cultura corporativa como nunca antes", disse. "Grande parte do painel vai desmistificar a definição de cultura e procurar assegurar que as pessoas saiam do evento entendendo que 100 por cento dos valores, da transparência e do comportamento de uma empresa começa no topo, com a liderança executiva."

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