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"Deixar filhos é terrorismo", diz Maria Rita sobre sair em nova turnê

Daryan Dornelles/Divulgação
Maria Rita começa turnê "Amor e Música" no Rio Imagem: Daryan Dornelles/Divulgação

Carolina Farias

do UOL, no Rio

02/03/2018 04h00

Depois de pouco mais de três anos sem percorrer o país em turnê, Maria Rita volta a cair na estrada com o show do álbum “Amor e Música”, seu oitavo, lançado em janeiro. A maratona começa a partir deste sábado (3) na Fundição Progresso, no Rio. Apesar de ter 15 anos de carreira, a cantora ainda sente frio na barriga ao sair em viagem, principalmente por deixar em casa os filhos Antônio, 14, e Alice, 5.

“A parte mais difícil, mais terrível mesmo, é deixar os filhos. Não me incomodo de cada noite dormir em um hotel, ou até em um ônibus. Mas deixar meus filhos é terrorismo. Mostro para os dois que não tenho arrependimento: ser produtiva, criativa, trabalhar, faz com que eu seja uma mãe e um ser humano melhor”, disse a cantora.

Aos 40 anos, a artista afirma que a maturidade trouxe o benefício de não se cobrar mais sobre o que vê na balança. Segundo ela, o que importa é o vigor em cima do palco. “Minha cobrança comigo é com o bem-estar em cima do palco. Senso estético eu tenho. Sempre digo que se tivesse na minha adolescência uma Gaby Amarantos como exemplo, teria sido mais bem resolvida e feliz. Sofri muito na adolescência com isso. Era tímida cheguei a pesar 75 kg”, conta.

O espetáculo traz seus sucessos e as músicas do novo disco, todo composto por sambas, feitos por amigos e parceiros como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Marcelo Camelo, Carlinhos Brown, Pretinho da Serrinha, além de Davi Moraes e Moraes Moreira, respectivamente marido e sogro da artista.

Há 11 anos morando no Rio, onde se sente uma artista plena, ela afirma: “É onde me sinto mais completa, mais relevante, mais intérprete, mais leve. No samba tem essa coisa de irmandade, de parceria, de todo mundo se fortalecendo”.

Apesar do nervosismo pré-estreia da turnê, Maria Rita afirma que o público pode ouvir no disco e vai ver nos shows uma artista um pouco mudada. “O diferencial desse disco vem da minha experiência, do meu conforto de uma mulher de 40 anos e com tempo de carreira. Essa maturidade me deixa mais tranquila, mas ainda tem esse friozinho, surgem coisas do tipo: ‘Será que vou lembrar a letra da música nova?’; ‘Será que a cor do figurino vai ficar bem?’; ‘O público vai gostar?’. Isso é normal. Estranho seria se estivesse confortável, achando que a batalha está ganha."

Depois do Rio, Maria Rita segue para São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Recife, entre outras cidades, além de Estoril e Viseu, em Portugal.

Família

Maria Rita conta que os filhos entendem seu trabalho, mas cada um lida de forma diferente com o ofício da mãe. “Quando era pequeno o Antonio me jogava na cara, quando estava magoado: ‘Não gosto das pessoas torcendo por você’ ou ‘Não gosto de você cantando’. Era uma forma de me dizer que estava chateado. Para a Alice, tem a mãe e a Maria Rita. Quando estou montada para show, ela vai para a casa. Não assiste, não divide a mãe. Isso é ótimo porque se inseriram no esquema. Não tem sofrimento, drama e não tem sensação de abandono em casa.”

A genética da caçula, aliás, é privilegiada. "Alice é super musical, muito sensível. Tem eu, o Davi, meu sogro, e os meus pais [César Camargo Mariano e Elis Regina]. Vamos combinar? Coitada dessa menina", brinca.

Por falar em Elis, a cinebiografia do ícone da MPB foi sucesso de crítica e público em 2016 - levou 13 prêmios, cinco para Andrea Horta, que interpretou a cantora, morta em 1982.

“Vi o filme sozinha em casa agarrada a uma almofada. Fiquei muito chocada com a interpretação da Andrea. O Caco Ciocler [que interpretou César Camargo Mariano] me espantou mais porque convivi com meu pai minha vida inteira. O jeito de colocar a mão na cintura, nossa, me arrepiou. Foi uma surpresa agradabilíssima, fiquei bem impressionada."

Já os netos ainda não assistiram ao longa sobre a avó. “Alice é muito pequena, não vai entender. Com o Antônio já conversei sobre o assunto, ele quer ver comigo. Vamos assistir quando ele quiser. Mas aí fica aquela coisa de qual momento teremos só nós dois, sem peso, sem drama. Só falta a oportunidade de sentar e ver. Ele é muito ocupado com a vida social dele”, diz, entre risos.

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