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Como Weinstein foi de jovem rejeitado a predador de mulheres em 5 pontos

Jack Taylor/Getty Images
Boneco representando o produtor de cinema Harvey Weinstein é queimado em festival na Inglaterra. Todos os anos uma celebridade polêmica é escolhida para queimar no evento Imagem: Jack Taylor/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

28/02/2018 18h25

Harvey Weinstein se imaginou em uma prisão quando ainda era adolescente, tinha como suas inspirações um tio charlatão e um colecionador de arte, e construiu seu ego trabalhando com música antes de se tornar um dos mais bem-sucedidos produtores de cinema de Hollywood.

É o que revela um longo e detalhado perfil publicado nesta quarta-feira (28) na The Hollywood Reporter. A revista investigou por meses a vida do ex-todo poderoso executivo da Miramax e teve acesso a documentos e pessoas que conviveram com Westein desde a infância.

Ciente da reportagem, o produtor que hoje vive escondido após ser rejeitado por amigos e pela própria família se recusou a comentar. "O senhor Weinstein pretende fazer suas próprias memórias de infância, mas agradece que a The Hollywood Reporter já esteja fazendo. Mesmo sabendo que ainda há muita coisa a ser dita, ele prefere fazer isso em um momento mais apropriado", diz um comunicado enviado por um representante à revista.

Weinstein é alvo de denúncias desde outubro, quando reportagens do jornal "The New York Times" e da revista "The New Yorker" trouxeram o relato de várias mulheres sexualmente assediadas ou abusadas pelo magnata de Hollywood, como Ashley Judd e Rose McGowan. Desde então, várias outras atrizes revelaram terem sido vítimas do produtor, incluindo Gwyneth  Paltrow, Angelina Jolie, Lupita  Nyong'o, Salma Hayek e Lena Headey. 

Infância e família

Segundo as fontes consultadas pela revista, como amigos de infância, o pequeno Harvey Weinstein idolatrava o pai, Max, que o apresentou ao cinema.

Mas teria ainda mais respeito por seu tio Shimmy, um charlatão que revendia eletrodomésticos em Nova York. Ele teria aprendido na convivência com o tio a negociar e pechinchar.

O modelo de homem que formou o caráter de Harvey era, além de impostor, racista.

Já a mãe, Miriam, era brava e botava medo tanto em Harvey quanto em seu irmão, Bob.

Mensagem subliminar

As pessoas que estudaram com Harvey Weistein o descrevem como um garoto nada atraente fisicamente, mas definitivamente inteligente. Ele era gordo, tinha espinhas e não há registros de que tenha saído com garotas nessa época.

Reprodução/The Hollywood Reporter
Imagem: Reprodução/The Hollywood Reporter

O que mais chama atenção nos registro obtidos pela revista é um livro de recordações escolares de uma das garotas que estudou com ele em que ele faz uma piada, falando que "o melhor está por vir" e assinando com o endereço de um presídio em Nova York.

Teria Harvey previsto o local onde ele pode parar depois de enfrentar centenas de acusações de mulheres que ele teria abusado durante toda a vida? As polícias de Nova York, Los Angeles, Londres e outras cidades investigam o produtor depois de receberem graves denúncias, inclusive de estupro.

A grande mudança

Tudo mudou quando Harvey terminou a escola e partiu para a universidade, onde conheceu um amigo que - mais tarde - viria a ser seu sócio. Juntos, eles ganharam popularidade criando um personagem cafetão para o jornal da faculdade. Quando Harvey voltou a encontrar os amigos de escola, quase um ano depois, ele já tinha o comportamento bastante mudado.

Um dos amigos de infância, Peter Adler, lembra que neste primeiro reencontro pode observar onde o Westein queria chegar. Eles foram juntos ao apartamento da namorada de Adler, que era filha de um colecionador de arte de Nova York. O local era luxuoso e cheio de obras caríssimas.

"Foi um dos primeiros contatos dele com a alta classe e lembro de observar os olhos dele saltarem". "Um dia eu também vou viver assim", teria previsto o ainda universitário ao amigo.

Mercado da música

De volta a Buffalo, Harvey Westein se juntou novamente a Corky Burguer, seu amigo de faculdade, e os dois passaram a trabalhar na cena musical da cidade. Juntos, conseguiram levar bandas como Rolling Stones e Jethro Tull a até então pacata cidade.

O trabalho como promotor musical massageou o ego de Harvey Weistein, que mesmo ciente de seu visual nada atraente começou a sair com várias mulheres. É dessa época os primeiros relatos de assédio. Uma das mulheres ouvidas pela reportagem conta ter ganho ingressos de shows de um Harvey Weinstein nu em uma banheira. O preço cobrado depois foi sexo oral forçado.

Os relatos, aliás, são bastante parecidos até mesmo com os mais recentes. O produtor recebia as mulheres só de toalha, pedia massagem, e - em alguns casos - partia para o sexo forçado.

Fracasso como diretor

Antes de virar produtor, Harvey Weinstein trabalhou como roteirista em "Chamas da Morte" (1981) (uma das denúncias de assédio sexual ocorreu já nos bastidores desse filme) e dirigiu o filme "Playing For Keeps" (1986).

O fracasso dos títulos o estimularam a investir na carreira de produtor. A partir daí, virou um magnata da indústria cinematográfica. Até ser derrubado pelo caráter. Ou a falta dele.

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