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Em pleno 2018, Phil Collins continua sendo zoado no Brasil; até quando?

Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Em sua primeira turnê solo no Brasil, Phil Collins se apresentou no Maracanã, na última quinta (22) Imagem: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

24/02/2018 04h00

Gigante do pop dos anos 1980 e 1990, Phil Collins é tão reconhecido pelo sucesso quanto pelas reações divergentes que costuma despertar. Aqui e lá fora, há quem o ame profundamente, alçando-o ao nobre patamar de “mestre da música”, como uma vez definiu um leitor do UOL. Mas também existem os que simplesmente o desprezam, e eles não são poucos.

Prova disso é um abaixo-assinado que pipocou na internet pedindo ao ex-Genesis que desistisse do retorno aos palcos e dos planos de um novo disco de estúdio, conforme o cantor anunciou em 2015. Pura "trollagem" maledicente.

E por que estamos falando de Phil Collins? O cantor está no país fazendo sua primeira e histórica primeira turnê no Brasil. Já passou pelo Rio e, neste sábado (24), toca no Allianz Parque, em São Paulo, onde repete a dose no domingo. Os ingressos estão nas últimas.

Resumindo o recado: você pode até não gostar de Phil Collins nem da música que ele compõe, você está no seu direito. Mas é preciso reconhecer os méritos de uma carreira extremante bem-sucedida e abarrotada deles. Méritos também artísticos.

Veja a seguir certas mentiras e injustiças que muitas vezes são associadas erroneamente ao cantor.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Ele só faz “easy listening”

Não é verdade. Nem tudo que Phil Collins faz se encaixa na seara “de elevador”. Muito pelo contrário. Apesar de ter ganhado vulto por baladas como “In the Air Tonight”, "Against All Odds” e "Another Day in Paradise", Collins tem repertório muito mais rico e eclético. Seja para animar festinha oitentista (“Sussudio”), para brincar de air guitar/drums sem ter medo de ser feliz (“Easy Lover”), para falar de tema sério com o divórcio (“The Roof Is Leaking") ou simplesmente para esquecer parte das preocupações e viajar pelo mundo (“Take me Home”). Tudo isso sem mencionar a maior parte das ótimas faixas que ele compôs para o Genesis.

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Imagem: Reprodução

É um mau instrumentista

Falso. Já tentou tocar bateria? Já experimentou rock progressivo? Tocar e cantar ao mesmo tempo? Embora, por problemas de saúde, Phil Collins toque o instrumento ao vivo apenas ocasionalmente hoje em dia, ele ainda é um baita instrumentista, preciso e virtuoso, capaz de enveredar por praticamente qualquer estilo. Preste atenção em no que ele faz em "I Don't Care Anymore", em "Unorthodox Behaviour", do grupo de jazz fusion Brand X, ou em clássicos como "The Musical Box", "Watcher of the Skies" e "The Cinema Show", do Genesis.

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É um músico limitado

Mentira. Primeiro, Phil Collins sabe compor, qualidade definidora de um bom músico e isso não se restringe a habilidade de tocar instrumento e escrever letras. Segundo: Phil Collins já compôs e gravou um disco inteiro tocando muito bem todos os instrumentos, o belamente melancólico “Both Sides” (1993). Também produzido por ele, o álbum é considerado um dos grandes momentos de sua discografia e um dos melhores trabalhos da chamada “música contemporânea para adultos” de sua época.

Getty Images
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Ninguém o leva a sério

Só quem tem ranço pensa assim. Foram várias as parcerias de Phil Collins com bambas da cena pop. Por exemplo: Collins é o único baterista além de Jason Bonham, filho do falecido John Bonham, a ter permissão para tocar no Led Zeppelin. Aconteceu em 1985, no festival Live Aid. A reunião da banda rolou às pressas, praticamente sem ensaio. Phil chegou a classificar sua participação como "desastrosa". Mas uma rápida espiadela no registro do show mostra que, dada as circunstâncias, ele não se saiu nada mal.

AFP
Imagem: AFP

Só tem reconhecimento do público

Errado. Como se não bastasse ter vendido mais 100 milhões de discos no mundo, Phill Collins tem vários discos elogiados pela crítica, como "Face Value" (1981) e "Hello, I Must Be Going!" (1982), e inúmeros prêmios importantes no currículo, incluindo cinco Grammys e dois American Music Awards. Também possui dois Globos de Ouro de melhor canção, por "Two Hearts", do filme "Buster - Procura-se um Ladrão" (1988), e "You'll Be in My Heart", trilha de "Tarzan" (1999). O tema do filho da selva também lhe rendeu um Oscar de melhor música. Não é para qualquer um.

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É música de "tiozão" e “gente velha”

Preconceito. Do início dos anos 1980 até 2010, pouco antes de anunciar a primeira aposentadoria, Phil Collins figurou nas paradas praticamente em todos os anos, renovando seu público e o interesse geral por sua música. Nos anos 2000, chegou até a virar videogame em "Grand Theft Auto: Vice City Stories", em que estrela três missões. Em uma delas, o protagonista do jogo precisa salvar o músico de uma gangue que o ameaça de morte. Nada mais justo que apresentá-lo às novas gerações. Para dar uma relaxada, é possível ainda assistir a uma performance exclusiva de "In the Air Tonight" no game.

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