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"Pantera Negra" mostra superpoder do público negro nas bilheterias

Divulgação
Lupita Nyong'o e Letitia Wright em cena de "Pantera Negra" Imagem: Divulgação

Jordyn Holman, Jeff Green e Anousha Sakoui*

Bloomberg

22/02/2018 14h16

Já estava claro há meses que o público negro compareceria ao cinema para ver "Pantera Negra", o primeiro grande filme de super-herói com um elenco predominantemente negro. O fim de semana definiu mais precisamente esse entusiasmo, com US$ 242 milhões em vendas de bilheteria nos EUA impulsionadas pelo público afro-americano, especialmente nas principais cidades negras.

A receita dos cinemas aumentou 56 por cento em relação à média de fim de semana em Atlanta, 31 por cento em Washington e 81 por cento em Memphis, de acordo com a Walt Disney, que distribuiu o filme de sua divisão Marvel Studios. Os números são especialmente notáveis considerando que é provável que as pessoas de cortenham se deslocado mais para ver o filme - muitas delas mais de uma vez - porque em geral há menos cinemas nos bairros predominantemente negros.

Para os cinemas, que têm sofrido as maiores quedas de público em 25 anos, "Pantera Negra" é uma injeção de ânimo. "Para nós, foi uma das maiores estreias de filme, com certeza", disse Ahmed Anwar, que administra o histórico Kent Theatre no Brooklyn com a esposa. "Todos tiveram uma reação muito positiva e gostaram muito do filme."

"Pantera Negra" é o mais novo e o maior de uma série de sucessos recentes que apresentam atores negros em papéis principais, como "Estrelas Além do Tempo" e "Corra!". Os negros representam um número desproporcional do que a Motion Picture Association of America chama "espectadores frequentes" - pessoas que vão ao cinema uma vez por mês ou mais. Entre os afro-americanos em particular, o número de espectadores frequentes cresceu 27 por cento desde 2012 (esse número caiu 21 por cento entre o público branco).

"O que 'Pantera Negra' tem de único é ser um filme de grande orçamento", disse Darnell Hunt, professor e reitor de ciências sociais no departamento de sociologia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. "É o clássico filme de super-herói de grande orçamento e grande bilheteria. Até agora, nunca tinha existido um filme como esse com um protagonista negro e um elenco maioritariamente negro."

Reivindicando Wakanda

Por isso, "Pantera Negra" se tornou um ponto de referência cultural para o público negro, que há anos pressiona Hollywood por filmes mais diversificados. Uma pesquisa da YouGov.com, por exemplo, concluiu que cerca de três quartos dos entrevistados negros pretendiam ver o filme, em comparação com menos da metade dos brancos.

"Todo mundo está reivindicando Wakanda", disse Vanessa Kelly, porta-voz do grupo Liga Urbana da Grande Atlanta, referindo-se ao reino fictício do filme. Kelly foi a uma sessão no dia 15 de fevereiro com cerca de 150 membros da organização, muitos vestindo estampas inspiradas na África Ocidental ou completamente de preto, como o personagem principal do filme. "Todos estávamos reivindicando Wakanda como um país universal. Houve muito orgulho pela representação, por ver nossa cultura na tela."

A partir de 2015, negros compraram a maioria dos ingressos para cerca de metade dos 10 filmes de maior bilheteria, disse Hunt, que produz um relatório anual sobre afro-americanos em Hollywood.

E a demanda por representação tem consequências materiais: filmes que apresentam negros em 20 por cento a 40 por cento dos papéis se saem melhor na bilheteria, de acordo com Hunt, cujo estudo mais recente será divulgado neste mês. Muitos espectadores dizem que já voltaram ao cinema para reviver a história, alimentando ainda mais as vendas para o filme da Marvel. Kelly, de Atlanta, conhece as pessoas que já viram "Pantera Negra" três vezes.

*Com a colaboração de Kevin Varley

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