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Onde foi parar o Oscar de Hattie McDaniel, 1ª negra premiada pela Academia?

AP
29.fev.1940 - Hattie McDaniel recebe Oscar de melhor atriz coadjuvante por "...E o Vento Levou" Imagem: AP

Do UOL, em São Paulo

22/02/2018 17h26

Em tempos de "Pantera Negra" dominando as bilheterias mundiais e destacando os talentos negros de Hollywood, volta à tona a história da atriz Hattie McDaniel. A primeira negra da história a ganhar um Oscar, em 1940, por seu papel em "...E O Vento Levou", teria feito dois pedidos em seu leito de morte (ela morreu em 1952 vítima de câncer de mama): que fosse enterrada no Hollywood Forever Cemetery e que sua estatueta do Oscar fosse doada para a Howard University.

Apenas o segundo pedido foi atendido, mas a estatueta já não se encontra mais na universidade. O troféu está sumido desde o começo dos anos 70 e várias teorias rondam sobre seu paradeiro. A história foi recuperada na última edição da revista Entertainment Weekly.

Uma das teorias mais fortes é a de que um grupo de estudantes teria pego a estatueta, que estava exposta no departamento de atuação da instituição, e jogado no rio Potomac em protesto contra o assassinato de Martin Luther King Jr, em 1968. Em 2011, a historiadora W. Burlette  Carter conduziu um estudo de um ano e meio para tentar descobrir o paradeiro do prêmio de Hattie.

Uma das conclusões é de que o troféu apenas foi guardado e está "perdido" em algum lugar nos arquivos dentro ou fora da universidade. Carter ainda descobriu que a universidade não tem nem mesmo um registro sobre ter recebido a estatueta. "Espero que seja encontrado algum dia. Não só por causa do desejo da Hattie  McDaniel, mas pelo o que ele representa para toda a comunidade negra dos Estados Unidos. A questão de eles terem sido calados por tantos anos", completa a historiadora.

Primeiro Oscar para um negro

Reprodução
Hattie McDaniel como Mammy em cena de "...E o Vento Levou" Imagem: Reprodução

Hattie McDaniel fez história no Oscar ao vencer, em 1940, como atriz coadjuvante pelo papel da escrava Mammy, em "...E o Vento Levou". Naquele momento, a segregação racial estava cada vez mais violenta nos Estados Unidos.

A atriz, que foi a primeira afro-americana a cantar no rádio nos anos 1920, discursou emocionada: "Espero, sinceramente, que eu seja sempre digna para minha raça e para a indústria cinematográfica".

Hattie desceu do palco com o troféu e voltou para sua mesa, em uma área separada, exclusivamente para os negros, próximo da cozinha e longe da mesa da equipe do filme.

Na época, membros da comunidade negra criticaram Hattie pelos papéis de empregada que fazia. "Por que vou reclamar em ganhar US$ 700 por semana para interpretar uma doméstica? Se não o fizesse, eu estaria ganhando US$ 7 por semana sendo uma".

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