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"Pantera Negra" tem atriz brasileira filha de Jimmy Cliff no elenco

Reprodução
A brasileira Nabiyah Be (centro) em cena de "Pantera Negra" Imagem: Reprodução

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

20/02/2018 04h00

Que "Pantera Negra" tinha uma pitadinha de tempero brasileiro, a gente já sabia (o diretor Ryan Coogler é fã de "Cidade de Deus" e o herói usa golpes de capoeira em meio a técnicas de outras lutas). O que a gente ainda não sabia é que também tinha sangue nacional no elenco do filme.

Sim, a cantora e atriz Nabiyah Be, 26, nascida em Salvador, interpreta Linda, a parceira no crime e no amor do vilão Erik Killmonger (Michael B. Jordan), um homem com conexões misteriosas com Wakanda, o país africano ficcional que é a terra do Pantera Negra, e que fará de tudo para tomar o trono ocupado por T'Challa (Chadwick Boseman). E a personagem de Nabiyah tem um papel importante em parte dessa jornada.

Jesse Grant/Getty Images for Disney
Nabiyah Be na pré-estreia de "Pantera Negra", em Los Angeles Imagem: Jesse Grant/Getty Images for Disney

"Minha personagem é meio que a Bonnie para o Clyde do Michael", brinca Nabiyah, em entrevista por e-mail ao UOL, referindo-se ao lendário casal criminoso. Ela conseguiu o papel depois de fazer um teste para viver Shuri, a irmã do herói do título, interpretada pela guianense Letitia Wright.

Mas participar de uma super-produção de um dos principais celeiros de blockbusters atuais, a Marvel, talvez nem seja a parte mais interessante da história da baiana, que tem sangue artístico correndo nas veias: ela é filha do músico jamaicano Jimmy Cliff com a brasileira Sonia Gomes.

O astro do reggae conheceu a psicóloga paulista em uma cerimônia espiritual na praia. Durante a gravidez, Sônia se mudou para a Bahia, onde Nabiyah nasceu e passou a infância, com o pai a acompanhando de perto --ele morou em Salvador até ela ter cerca de 11 anos. "Passei metade da minha infância em turnê e/ou visitando família em outros países, mas minha casa foi sempre Salvador", diz a atriz, que mora em Nova York há oito anos. 

"Pantera Negra" foi seu primeiro filme, mas ela já tinha experiência como atriz de teatro, e pouco antes de conseguir o papel tinha estrelado o musical "Hadestown", baseado no mito de Orfeu e Eurídice, que ficou em cartaz em Nova York e em Alberta, no Canadá. Mesmo assim, foi uma experiência bem diferente participar de uma produção tão grande.

"Eu sou fruto do teatro, tanto brasileiro como americano. Basicamente saí de um espaço extremamente comunal e colaborativo direto ao centro da máquina que é Hollywood!", brinca. "Como a Marvel tem de proteger suas histórias e manter muitas coisas em segredo, não tive acesso a muitas informações da narrativa e da personagem, o que seria normal de receber em outras produções. Então tive que me adaptar com essa maneira de trabalhar, de só saber o que é só seu. Desde a minha primeira reunião com o Ryan [Coogler, diretor] até o lançamento, a personagem mudou muito", conta.

Ouça Nabiyah Be cantando:

Apesar do choque inicial, Nabiyah gostou muito da experiência. "É muito bom saber que se é parte de algo que tem um peso comercial. mas também traz à superfície debates importantes sobre complexidades de identidade e como isso se reflete em traumas trans-geracionais. Essa foi a coisa mais legal. Mas não vou mentir que a criancinha dentro de mim não pulou de alegria em saber que essa seria a minha entrada para o cinema!", revela.

Muito tem se falado sobre como "Pantera Negra" levanta debates sobre racismo e colonialismo ao retratar uma fictícia nação africana altamente desenvolvida, que esconde essa sua faceta do mundo, e que escapou da dominação e exploração europeia que devastou o continente nos últimos séculos. E a atriz acredita que o público brasileiro deve se identificar com esses debates, especialmente os espectadores afro-brasileiros.

"Esse é um assunto que gosto muito por ser uma negra afro-brasileira-caribenha morando nos EUA. É importante entender que, apesar da negritude não ser uma experiência singular, quando se trata de países como o Brasil e os EUA, que cresceram nos ombros de escravos, nossos traumas são muito parecidos. Em termos de representatividade nas mídias, o Brasil ainda tem muito o que aprender", aponta.

Nabiyah ainda não tem novos projetos no cinema, mas está se dedicando a gravar seu primeiro disco. "Tenho carregado a maioria dessas canções por mais ou menos três anos e estou animada em dividi-las com o mundo este ano", diz.

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