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Ativistas aproveitam "Pantera Negra" no cinema para lembrar Panteras Negras

Divulgação/Marvel
Lupita Nyong'O, Chadwick Boseman e Letitia Wright em cena de "Pantera Negra" Imagem: Divulgação/Marvel

Do UOL, em São Paulo

16/02/2018 15h24

Enquanto “Pantera Negra” chega aos cinemas batendo recordes, um grupo de ativistas tem se reunido do lado de fora dos cinemas em Nova York para falar sobre os Panteras Negras – assim mesmo, no plural. Trata-se do grupo político que lutou contra a repressão aos negros nos EUA nos anos 1960 e 1970.

Para muitos desses ativistas, o filme da Marvel, dirigido por Ryan Coogler, com elenco e equipe majoritariamente negra, é muito mais do que a adaptação de uma HQ que quebra estereótipos em uma indústria dominada por homens brancos. É a chance de se levantar novamente a voz para a libertação de mais de uma dúzia de seus ex-integrantes, que ainda lutam pela própria liberdade após décadas de encarceramento.

O filme é lançado meses depois de ter sido revelado que a unidade de terrorismo do FBI (polícia federal americana) havia rotulado algumas pessoas como "extremistas de identidade negra", alegando que ativistas que lutavam contra a brutalidade policial representavam uma ameaça violenta -- conceito semelhante que o governo dos EUA tinha naquela década para monitorar os Panteras Negras e outros grupos esquerdistas.

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Sekou Odinga, ex-membro da Organização Organização de Unidade Afro-Americana (OAAU), fundada por Malcolm X Imagem: Divulgação
Solto da prisão em 2014, Sekou Odinga é um dos que lideram o movimento. "Muitos estão nas piores prisões e nas piores condições, e muitos deles envelhecem e sofrem de problemas de saúde", disse ao jornal “The Guardian” o ex-membro da Organização de Unidade Afro-Americana (OAAU), fundada por Malcolm X.

Odinga passou 33 anos atrás da grade acusado de assassinar policiais na década de 1980 e sempre negou as acusações. "Esta é uma oportunidade para lembrar as pessoas dos heróis reais das Panteras Negras e as condições em que vivem hoje".

“Temos que educar as pessoas de tudo isso que aconteceu antes, e que acontecerá novamente se não tivermos cuidado", disse Malkia Cyril, uma ativista da Califórnia cuja mãe era uma Pantera Negra. Kamau Sadiki, ex-pantera negra que Cyril considera umatia, foi condenada décadas após o assassinato de um oficial em 1971 e ainda está na prisão. Ela alega inocência.

"Precisamos que as pessoas compreendam que eles não são simplesmente criminosos que cometeram algum crime hediondo sendo punido", disse Cyril ao “Guardian”. "Estes são ativistas negros que são em grande parte punidos por seu ativismo".

Os Panteras Negras terminaram por implodir, enfraquecidos por disputas internas e por esforços do governo americano para solapar a organização. J. Edgar Hoover, então diretor do FBI, dizia que o partido representava "a maior ameaça à segurança interna da nação".

Hoje, o trabalho fundamental do partido centrou-se em "programas de sobrevivência" para comunidades negras negligenciadas pelo governo, além de inspirarem outros movimentos como o Black Lives Matter.

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