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Gênio? "Pantera Negra" tem personagem mais inteligente do que Tony Stark

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Letitia Wright como Shuri em cena de "Pantera Negra" Imagem: Divulgação

Natalia Engler

Do UOL, em Los Angeles (EUA)*

09/02/2018 04h00

Depois de conhecer Shuri, a irmã caçula do Pantera Negra, Tony Stark talvez queira rever sua frase de apresentação como “gênio, bilionário, playboy, filantropo”. Afinal, ela tem só 16 anos, mas já é capaz de deixar o Homem de Ferro no chinelo.

No filme que estreia dia 15 de fevereiro, a atriz guianense Letitia Wright, 24, interpreta a princesa e maior cientista de Wakanda, o país africano ficcional que é o lar do Pantera Negra, e chefia o laboratório de onde saem as maiores inovações tecnológicas permitidas pelo vibranium (o metal fictício mais resistente do mundo, depositado no solo do país por um meteorito). Nos quadrinhos, ela chega a assumir o lugar do herói enquanto ele está incapacitado.

“Já sou mais inteligente que o Homem de Ferro, Shuri é mais inteligente do que ele”, brinca Wright, em entrevista ao UOL. Mas a atriz desconversa sobre um possível encontro com Stark em “Vingadores: Guerra Infinita”. “Vocês vão ter que assistir ao filme”.

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Shuri pega no pé de T'Challa, mas ele sabe que pode contar com ela Imagem: Divulgação

Em “Pantera Negra”, é Shuri quem cria o traje indestrutível de T’Challa (Chadwick Boseman) e vários dos artefatos de comunicação, transporte e proteção usados em Wakanda. 

Mas não espere ver o mesmo tipo de engenhoca que as criadas pelo Homem de Ferro. As invenções de Shuri pendem mais para o sutil, como pequenos objetos que escondem grande poder de fogo ou utilidades secretas, mais ao estilo de Q, o inventor da franquia "007". A comparação também vale para a relação com o herói, com Shuri mais nos bastidores, mas também preparada para entrar em ação quando necessário.

"As pessoas ficam usando essa comparação com James Bond. Vou roubar isso e dizer que é um pouco assim, T'Challa conta com a irmã caçula. Ele é um homem feito e não precisa da sua irmãzinha, mas percebe a inteligência dela e quanto ela pode contribuir, e não menospreza. Pelo contrário, ele valoriza isso ao envolvê-la nas coisas que ele tem que fazer”, conta. “Ao mesmo tempo, ainda é uma relação de irmãos. Você pode ter uma irmã caçula que vai pegar no seu pé e tirar sarro e, ao mesmo tempo, ainda é alguém com quem você pode contar, ela te ama e te ajuda”, explica.

Shuri rouba a cena como essa caçula cheia de senso de humor, mas essa é só uma das facetas da personagem. “Ela é diferente, é alguém que ama tecnologia, é inteligente, engraçada. Não vejo muito disso na tela”, continua a atriz.

Mulheres, África e ciência

Justamente por que não se vê muitas Shuris por aí, Wright faz questão de apontar que a personagem reflete algo que já existe no mundo real. “Há muitas mulheres negras no mundo todo que estão fazendo coisas incríveis na ciência, isso só não foi exposto em uma plataforma para que todo mundo visse”, acredita.

“Este é um filme que mostra que na África há sim jovens envolvidas com tecnologia, jovens que amam essas coisas, e que são super inteligentes”, diz. “Temos roteiristas muito bons, Joe Cole e Ryan Coogler, que veem o mundo ao seu redor, sabem que há mulheres e homens que estão fazendo coisas incríveis. Eles apenas colocam a realidade na tela e adicionam um pouco de ficção científica e efeitos especiais”, completa.

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Nakia (Lupita Nyong'o) e Shuri (Letitia Wright) são duas das mulheres que quebram tudo em Wakanda Imagem: Divulgação

A atriz, que não é pessoalmente muito chegada em ciência e passou horas assistindo a vídeos no YouTube para se inteirar desse universo, acredita que Shuri pode ajudar a despertar uma nova geração de jovens que queiram trabalhar com tecnologia. “É assim que vamos ter o próximo Steve Jobs. Espero que Shuri faça com que as crianças que são super inteligentes e espertas, que sofrem bullying na escola, digam: 'Não, eu sou legal, eu tenho algo a oferecer ao mundo. Se ela está fazendo isso na maior tela do mundo, eu posso fazer também!'. Espero influenciar esse tipo de mentalidade”.

Outra influência positiva que Wright quer ter nos espectadores é mostrar que o mundo é feito de pessoas muito diversas. Ela, que tentou perder o sotaque para se adaptar quando sua família imigrou da Guiana para a Inglaterra, espera que, ao ver Shuri falando com sotaque, outras crianças entendam que isso não é um problema. “Agora, mais velha, aprendi que deveria poder ser eu mesma. Mas quando você é criança, porque sofre muita pressão, você começa a se moldar para ser o que o mundo quer que você seja”, acredita.

“Shuri pode contribuir para que [o sotaque] não seja visto como algo estranho. Uma criança de qualquer lugar pode reconhecer: 'Ah, você tem um sotaque diferente, já vi isso na TV'. Você se familiariza com aquilo. Essa é a beleza do cinema, pegar esses lugares diferentes e pessoas diferentes e os colocar na tela para que não seja mais algo estranho. Porque nosso mundo é muito diverso. Há 7 bilhões de nós, não somos todos iguais”, conclui.

Veja o trailer de "Pantera Negra"

UOL Entretenimento

* A jornalista viajou a convite da Walt Disney Pictures

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