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Da esperança ao fracasso: série de TV fica um ano dentro da equipe McLaren

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"Grand Prix Driver" mostra os bastidores da fracassada temporada 2017 da McLaren na F1 Imagem: Divulgação

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

09/02/2018 04h00

O ano de 2017 era para ter sido a volta por cima da McLaren na Fórmula 1, depois de duas desastrosas temporadas em 2015 e 2016. Mas não foi isso que aconteceu. A equipe britânica, que não vence nenhum Grande Prêmio desde 2012, ficou em penúltimo lugar no mundial de construtores e encerrou de maneira melancólica a parceria de longa data com a Honda. A primeira corrida da temporada deste ano começa no dia 25 de março, no Albert Park, na Austrália.

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Cartaz da série "Grand Prix Driver" Imagem: Divulgação
Nesta sexta-feira (9) estreia no serviço de streaming Amazon Prime Video a série documentária “Grand Prix Driver”, dividida em quatro episódios de 30 minutos, que mostra os bastidores da preparação para a temporada 2017. Os produtores conseguiram um inédito acesso a McLaren, revelando detalhes da suntuosa sede da escuderia em Woking, na Inglaterra, que deixam babando qualquer fã de automobilismo.

A série foi produzida pelo britânico Manish Pandey, que também fez o documentário “Senna” (2010), e seu objetivo era registrar o retorno da equipe à elite da competição, mas o que ele testemunhou foi uma sucessão de erros e frustrações com o carro e com o motor. “O que me impressiona na McLaren é que eles não sabem perder. Se eles não ganham, eles voltam e mudam. Se não ganham, voltam e mudam. É isso que faz da McLaren uma equipe vencedora”, disse Pandey por telefone ao UOL.

A McLaren é a segunda mais bem-sucedida equipe da Fórmula 1, só perdendo para a Ferrari. Foi na escuderia britânica, por exemplo, que Ayrton Senna venceu seus três campeonatos mundiais e toda essa história vitoriosa é mostrada com orgulho no documentário.

Acesso inédito

Logo no começo da série, somos apresentados à equipe de mecânicos e engenheiros, que estão empolgados com o novo chassi, aguardando somente a chegada do novo motor Honda. Porém, com o desenrolar dos episódios, acompanhamos a chegada do motor e a sequência de problemas. Primeiro, ele não encaixa no chassi, depois, o carro não liga. Quando vão para a pista de testes, o motor está tão ruim que os pilotos Fernando Alonso e o novato Stoffel Vandoorne são obrigados a voltar para o box o mais rápido possível.

O desastre com a Honda foi tão grande que o motor teve que ser substituído na metade da temporada passada e, neste ano, a McLaren vai usar motores da Renault. “Na Fórmula 1, seu inimigo não é o outro time ou outro piloto. Seu inimigo é o tempo e a complexidade do esporte. Uma pequena decisão ruim, pode se transformar em algo muito maior”, disse Pandey. Sobre a parceria com a Honda, o produtor não acredita que a culpa tenha sido da empresa japonesa. “Na McLaren, a filosofia é: você ganha como um time. Você perde como um time”.

“Me diga, que tipo de esporte você gosta de assistir? Aquele em que tudo é seguro, fantástico e confiável? Ou aquele onde as pessoas se esforçam para superar seus objetivos? Para mim, a resposta é clara”, contou o produtor. “É por isso que amo Ayrton Senna e a Fórmula 1. É o único esporte que faz as pessoas irem além. Quando você entende isso, você entende todo o esporte”, explicou.

Para o produtor, a McLaren tem em 2018 todas as condições para voltar a vencer. “Ela tem que voltar a vencer”, afirmou. “Na minha opinião, Fernando Alonso está abaixo apenas de Ayrton Senna. Eu o coloco acima do Michael Schumacher, do Sebastian Vettel e um pouquinho acima de Lewis Hamilton. Se o Alonso tem um carro ruim que só permite a ele chegar em 11º lugar, então ele vai buscar o 10º lugar. Ele sempre quer mais. É igual ao Senna”.

Os pilotos

O acesso à intimidade dos pilotos é outro ponto positivo do documentário. O produtor acompanhou Alonso em sua escola de kart, na Espanha, e a pista onde Vandoorne começou a correr, na Bélgica. Eles também mostram os bastidores da apresentação do novo carro à imprensa e o relacionamento dos pilotos no backstage. Fica claro nas imagens que Vandoorne idolatra Alonso, ao mesmo tempo em que quer saber tudo sobre Senna, Schumacher e a Ferrari.

“Vandoorne se preparou muito para ser um piloto de Fórmula 1. O comportamento dele no paddock é de um vitorioso. Ele fica horas conversando com os mecânicos, é calmo, focado, sabe como funciona o trabalho em equipe”, elogiou Pandey.

Embora não dito no documentário, ao final fica o sentimento de que a Fórmula 1 precisa de novos pilotos brasileiros campeões. “Eu sinto isso. Talvez o Brasil esteja vivendo um ciclo diferente. Quero que o ciclo dos grandes campeões brasileiros volte. Tenho certeza que vai voltar”.

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