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Com Gadu e Liniker, show em São Paulo tem releituras e protesto

Camila Cetrone e Fernanda Porta Nova/Sesc Pompeia/Divulgação
Liniker, Maria Gadú, Letrux, Xênia França e Luedji Luna dançam no show "Acorda Amor", no Sesc Pompeia Imagem: Camila Cetrone e Fernanda Porta Nova/Sesc Pompeia/Divulgação

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

05/02/2018 16h28

“Acorda Amor!”. Com essa frase, famosa por dar nome a uma canção de Chico Buarque na década de 1970, a banda Voa se apresentou ao público para dois shows no Sesc Pompeia, sábado e domingo, em São Paulo. Foram apenas a segunda e a terceira vez que eles se apresentaram, mas já em um projeto especial. Além de cinco músicos de renome, que compõe o conjunto, eles contaram com cinco cantoras para um show repleto de mensagens de protesto e ovacionado pelo público.

Liniker, Maria Gadú, Letrux, Xênia França e Luedji Luna foram as responsáveis por dar voz ao Voa e se revezaram nos microfones, interpretando músicas de uma lista de artistas do nível de Belchior, Rita Lee, Jorge Ben Jor, Caetano Veloso Gilberto Gil e Erasmo Carlos.

O Tremendão, por sinal, foi usado na emocionante abertura do show, com “Gente Aberta”, após ser lida a letra de "Kaira", de Arnaldo Antunes, falando do poder transformador da música - na voz da apresentadora Roberta Martinelli.

O teatro do Sesc Pompeia tem um palco ao centro e lugares para a plateia dos seus dois lados. O palco, coberto de pétalas de rosa, foi dividido por uma espécie de cortina e, no início, cada lado do público só via parte dos integrantes da banda. No desenrolar da primeira canção, “Gente Aberta”, uma a uma as cantoras foram aparecendo ao palco - também se dividindo entre os dois lados -, aumentando a expectativa até a cortina ser levantada e mostrar todos os artistas e o palco completo. O efeito misterioso e surpreendente foi ovacionado pela plateia.

Tudo gente aberta! ?? #acordaamor

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A apresentação ganhou um tom mais quente com o fato de as cinco cantoras permanecerem no palco durante todo o show - enquanto uma assumia o vocal, as outras quatro ficavam sentadas ao lado, interagindo com backing vocals ou dancinhas.

O quinteto do Voa é formado pelo baterista Décio 7 (Bixiga 70, João Donato), o baixista Fábio Sá (Gal Costa, Ana Canãs), os guitarristas Guilherme Held (Criolo, Lanny Gordin) e Pipo Pegoraro (Aláfia, Xênia França) e o percussionista Rômulo Nardes (Bixiga 70 e André Sampaio). O show teve direção artística de Décio e da jornalista e apresentadora Roberta Martinelli, com escolha de canções históricas, mas com uma roupagem atual. Décio foi convidado pelo Sesc para desenvolver um projeto especial para o fim do 2017, que virou estes shows "pré carnaval". 

"Passei alguns meses desenhando este show e pelo momento da banda Voa, resolvi fazer com ela. A Roberta entrou no processo desde o ano passado. O Sesc tinha algumas cantoras em mente, mas fomos mudando e quando pintou a ideia do 'Acorda Amor!', nos reunimos para ver quem representa isso em sua visão artística", explicou Décio 7, sobre a escolha do quinteto de vozes. 

A proposta da banda é lançar um disco ainda em 2018, focando em uma mistura de um som orgânico com levadas programadas, com destaque para grooves e riffs. Essa pegada moderna foi o que se viu com o quinteto de cantoras nas duas apresentações.

As músicas foram escolhidas por suas letras com mensagem de amor, mas também com recados fortes, em tom de protesto em temas como política, desigualdade, racismo e homofobia. Nos intervalos das canções, um texto lido por Letrux e outro declamado por Luedji Luna reforçaram os recados.

"Nós desenvolvemos um repertório que representasse esse sentimento que temos agora, de um retrocesso, de ver avanços sociais regredindo e de contra-informação. Os shows foram um manifesto, um protesto, tanto que o começo do show representa a união de dois lados", concluiu o baterista.

Camila Cetrone e Fernanda Porta Nova/Sesc Pompeia/Divulgação
Imagem: Camila Cetrone e Fernanda Porta Nova/Sesc Pompeia/Divulgação

Maria Gadu foi uma das mais aplaudidas cantando músicas como “O Quereres” e “Nuvem Cigana”. Ela ainda tocou guitarra em “Triste, Louca ou Má”, da banda Francisco, El Hombre.

Já Liniker se destacou com sua voz poderosa e danças em canções como “Não Adianta”, do Trio Mocotó, e em “Flutua”, música de Johnny Hooker em que gravou uma participação em álbum de 2017. A letra de “Flutua” cita “amar sem temer” e clama contra a homofobia: “Ninguém vai poder querer nos dizer como amar”.

“Andar com Fé”, com Luedji Luna no microfone, Letrux cantando “Sujeito de Sorte”, de Belchior, e “Saúde”, de Rita Lee, e Xênia França em “Deixa eu Dizer” foram outros grandes momentos.

No sábado, a banda foi muito aplaudida, mas não retornou para um bis, encerrando com “Cansaço”, de Douglas Germano. No domingo, com mais insistência do público, tocaram novamente a música de abertura, antes de deixarem o palco e parte das cantoras se misturar ao público na saída do teatro para fotos, autógrafos e conversas.

Décio 7 afirmou que gostaria de imortalizar os shows gravando um disco com as cantoras, as músicas e arranjos de "Acorda Amor!", mas, por enquanto, ainda não sabe se isso vai acontecer.

Muita gente me perguntando do setlist do show ?? aqui está! #acordaamor Foto @nonatsjr

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