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Exposição recebe ameaça por causa de obra com Jesus que nem é exibida

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Exposição "Contraponto", em Brasília, traz imagens de Jesus e Virgem Maria com balas de revólver acopladas em seus peitos Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

17/11/2017 14h12

A exposição "Contraponto", cuja abertura aconteceu na manhã desta sexta-feira (16) no Museu Nacional da República (DF), vem revoltando católicos há alguns dias por mostrar representações de Jesus e da Virgem Maria com balas de revólver acopladas em seus corpos. Acontece que tal obra não está, de fato, exposta no museu.

Chamada de "Bala Perdida", a imagem faz parte do acervo de Sérgio Carvalho, que separou um pedaço de sua coleção para a nova mostra, mas a obra que vem causando discursos raivosos na internet -- uma representação do Sagrado Corações de Jesus e do Imaculado Coração de Maria -- não entrou nesta lista.

"O trabalho é de Nelson Leirner e foi exposto nos anos 90", disse a produtora da 4ART, Daiana Castilho, que explicou ao UOL a intenção da obra: "Ela faz uma relação com a violência do Rio de Janeiro e a ideia é que qualquer um pode ser alvo, inclusive Jesus".

Uma petição online para o cancelamento da exposição "Contraponto", organizada pelo Movimento Legislação e Vida, já tinha reunido quase 5 mil assinaturas desde a publicação desta nota. "A exposição contém obras que atentam contra o art. 208 do Código Penal, por 'vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso', por representar cenas eróticas e grotescas de Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora", define o movimento.

Daiana reitera que nenhuma obra na exposição "Contraponto" fere qualquer crença religiosa e, com a polêmica, a produtora 4ART vai convidar a Arquidiocese de Brasília para visitar a mostra. "[A intenção] É que seja feita uma nota conjunta, para que a Arquidiocese acalme as pessoas, porque as postagens estão divulgando discursos de ódio e sequer visitaram  a exposição".

Os críticos ainda apontam que um dos artistas que possui obras apresentadas na exibição é Antonio Obá, que em julho deste ano fez a performance de “Atos da Transfiguração: Desaparição ou Receita para Fazer um Santo”, em que usa um ralador posicionado sobre seu órgão genital para ralar uma imagem de gesso da Nossa Senhora Aparecida.

O advogado Paulo Fernando, militante católico pró-vida, afirmou nas redes sociais que vai entrar com as devidas "medidas judiciais" e organizou uma vigília em frente ao museu para sábado (18), às 18h, trazendo "o seu Terço, uma vela e violão, rezaremos mil Ave Marias e cantaremos o Ofício da Imaculada Conceição".

Ao UOL, Paulo Fernando confirmou que conversou nesta sexta com a curadora e classificou a exposição como "muito boa, por sinal". Ele constatou que, realmente, não há nenhuma obra que denigre a imagem religiosa, mas apontou que algumas obras não estão corretamente perfilado, o que sugere que certas imagens foram retiradas da exposição.

Em sua página do Facebook, Paulo diz que o ato no sábado está confirmado e que a curadora da exposição garantiu a ele que "nenhum quadro havia sido retirado".

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