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Não é só um homem nu: entenda como é a performance que está em cartaz em SP

Reprodução/Facebook @Nikolai.Gulakov
Fyodor Pavlov-Andreevich fica nu e é tocado pelo público na exposição Carrossel Performático do Fyodor: De cabeça para baixo Imagem: Reprodução/Facebook @Nikolai.Gulakov

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

07/11/2017 09h37

Ainda sob o eco da polêmica com um vídeo da performance La Bête, no MAM, o Sesc Consolação, em São Paulo, recebe até o dia 20 de novembro o Carrossel Performático de Fyodor, exposição interativa em que o público pode tocar no corpo nu do artista russo brasileiro Fyodor Pavlov-Andreevich. Em cartaz desde segunda-feira (6), a experiência tem classificação indicativa de 16 anos, o que não restringe completamente a entrada de crianças, mas pode evitar uma polêmica parecida com a enfrentada em setembro pelo coreógrafo Wagner Scwartz.

No carrossel performático, o espectador tem a chance de interagir com oito diferentes artistas, um de cada vez, ou apenas observar. O único compromisso é o de permanecer no local pelo tempo proposto. Há também quem se comprometa a pedalar em bicicletas ergométricas por ao menos seis minutos, o que garante que a estrutura gire constantemente durante as performances.

O homem nu --representado pelo próprio idealizador do carrossel-- é apenas uma das oito performances apresentadas simultaneamente. A reportagem do UOL foi ao Sesc Consolação para assistir e acompanhar ao lado do público geral uma das primeiras sessões da performance coletiva.

Renata Mihatsch/Divulgação
Performance em São Paulo precisa da interação do público Imagem: Renata Mihatsch/Divulgação
 Um dos participantes era Denis Andrade, de 33 anos. O paulistano, que é frequentador do Sesc, confessa ter ido ao local curioso para ver como a instituição trataria a nudez pouco tempo após a polêmica com o MAM. "Eu não vi erotização. O artista não tem nenhuma relação com o público, a gente que interage com o corpo dele. Não tem nenhuma insinuação, é bem tranquilo", observa. Ele ainda pretendia voltar à exposição, que é gratuita, já que foi praticamente pego de surpresa com a quantidade de interações e a diversidade de temas tratados na sessão.

Rafael Nicolas da Silva, 34, também saiu do local após mais de uma hora de interações impressionado com a reflexão gerada pela pluralidade do carrossel. "Quando soube da exposição achei que era só aquela interação, do homem nu. Eu não imaginei que teria um carrossel. Você entra e consegue tratar vários assuntos em uma performance só, e assuntos que são corriqueiros e atuais. Achei muito interessante", explica. Ele ainda vê a polêmica com a nudez na arte como exagerada.

"A arte é livre, independente de idade. A intenção deles não era expor o ato sexual pelo fato de estar nu. É arte em si. É incabível a repercussão que teve em relação a outra exposição e em relação a essa também não vejo problema nenhum. A arte é do jeito que é, ela é nua", opina Silva.

O público que desejar interagir com o russo é orientado pelos monitores a lavar as mãos antes de fazê-lo. Assim como o corpo de Lênin exposto em um mausoléu, o artista fica deitado sobre uma estrutura de madeira e estático. Enquanto cada sessão do carrossel tem capacidade para receber até cem pessoas, o espaço em que Fyodor está deitado recebe confortavelmente até seis pessoas por vez. A proposta é tocar em um sensor instalado em uma barra em volta do mausoléu em que o corpo descansa e, ao mesmo tempo, tocar em uma das partes do corpo do artista.
 
A cada toque, um som é reproduzido por uma espécie de orquestra. Quanto mais intenso o toque, mais forte o som, ecoado por caixas de som instaladas no alto da estrutura. A única parte que não deve ser tocada são os cabelos do artista, que reage aos toques apenas com respirações mais profundas e não conversa nem orienta o público durante a performance. Nesta e nas outras sete performances quem orienta o público que deseja interagir são os assistentes, um para cada artista.

A experiência não é nada sexualizada-- as pias e o pedido para lavar as mãos dão um ar quase hospitalar-- e quem participa parece esquecer o fato de o artista estar nu. A curiosidade das pessoas é a de descobrir qual parte do corpo produz cada som e como tocá-las da maneira certa para ouvir algo mais específico. Durante a visita da reportagem, as partes do corpo do artista mais tocadas foram as mãos, o ombro e o peito, e as pernas. 

Os outros sete espaços são ocupados por artistas convidados pelo idealizador do carrossel. Eles não sabem o que cada seus companheiros estão fazendo nos compartimentos vizinhos. Em algumas das experiências, como a da alemã Evamaria Schaller, e do brasileiro Rafael Menôva, o público pode se despir se se sentir à vontade para isso. Na primeira usando um avental hospitalar por cima da roupa ou apenas cobrindo o corpo nu. E na outra com a possibilidade de usar um biquíni de fita isolante como os que são a sensação do momento nas lajes cariocas.

Vestida como uma médica, a artista alemã reflete sobre o valor do ser humano reproduzindo livremente experimentos médicos dos nazistas. Ela mede e examina os participantes e, ao final, avalia cada um deles em uma espécie de ficha. Já o brasileiro usa sunga e convida os participantes para uma festa em uma piscina de bolinhas, testando o pudor alheio. O som alto reproduz de hits de artistas pop nacionais e internacionais. Seu monitor se oferece para criar o biquíni de fita, caso o participante queira usá-lo. Mas é possível mergulhar na piscina de qualquer forma.

Há ainda performances do britânico Jamie Lewis Hadley, da brasileira Clarissa Saccheli, do grego Pashias, da artista visual nascida no Gabão Anghuezomo MBA Bikoro e da paulistana Guta Galli, que performa com os seios de fora sobre os arquétipos de mães. Apesar de virem de diferentes países, os oito artistas compartilham de uma mesma geração, entre 30 e 40 anos.

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