Urban Taste

Imigrantes e refugiados dão nova cara à gastronomia paulistana

Alberto Rocha/Folhapress
Misto de bar, restaurante árabe e espaço cultural, o Al Janiah (pronuncia Al Jânia) é perfeito para curtir com os amigos Imagem: Alberto Rocha/Folhapress

Adriana Terra

Colaboração para o UOL

03/08/2017 14h39

Talvez uma das formas mais fáceis e primordiais de tomar contato com outras culturas seja pela comida. São Paulo está bem servida nesse aspecto: além das centenas de restaurantes de imigrantes de longa data com sabores já tradicionais para quem vive aqui, nos últimos anos novos deslocamentos trouxeram outros paladares para a cidade. 

Abertas por migrantes e refugiados, essas portinhas — ou portões, como veremos — guardam gostos diversos. Abaixo, veja uma seleção de locais para se viciar na mistura improvável de cachaça com araque, tomar um potente suco de gengibre, provar nhoque de banana da terra, homus com castanhas e ceviches diferentes. Na lista, priorizamos espaços informais, bons tanto para comer quanto para ouvir música e tomar drinques.

Al Janiah | Bixiga

Gabriel Cabral/Folhapress
Imagem: Gabriel Cabral/Folhapress

Após um período na região do Anhangabaú, o bar, restaurante e centro cultural de refugiados sírios e palestinos se mudou em 2017 para um casarão de esquina no Bixiga. Dá para tomar drinques como o Palestina Libre (invenção da casa que leva o destilado árabe araque, cachaça, zátar e pimenta biquinho), ver como é feito o pão sírio, comer um falafel macio ou experimentar o Da Janiah — prato com homus, shawarma (carne em fatias assada no espeto) e castanha de caju —, é possível curtir música de diversas partes do mundo: há bandas latinas e africanas que se apresentam ali, músicos tocando alaúde, DJs de ritmos brasileiros. O local também recebe palestras e filmes e é um importante pólo de debate sobre a situação dos refugiados na cidade. Após comer, beber, conversar e dançar, prove um docinho: Salam Alsayyed vende, perto do caixa, quitutes que são tanto um deleite visual quanto ao paladar, feitos com pistache, damasco e chocolate.

Endereço: Rua Rui Barbosa, 269.
Funcionamento: de terça a quinta-feira, das 18h às 0h15; sex-sab, das 18h às 2h.
Preços médios: entre R$ 35 e R$ 60 (há couvert em algumas noites). Saiba mais aqui.

Biyou'Z | Campos Elíseos

Fernando Moraes/UOL
Imagem: Fernando Moraes/UOL

A alameda Barão de Limeira, na região central da cidade, concentra imigrantes de diversos países africanos. Foi por ali que há quase uma década a chef Melanito Biyouha, de Camarões, instalou seu restaurante decorado com máscaras nas paredes amarelas e mesinhas de madeira, servindo pratos do seu país e também de Angola, Gana, Nigéria e Senegal. Apesar do tempo de existência, o sucesso do local entre os brasileiros vem dos últimos três anos. No cardápio, um item chama a atenção: trata-se do fufu, massa substancial de milho ou arroz. Tipo uma polenta, ela é servida com guisados de carne, peixe ou frango, cozidos num delicioso molho de amendoim, acompanhados de banana-da-terra frita ou mandioca cozida. Peça a pimenta da casa — espessa e de cor clara, ela é picante e saborosa. Para beber, prove os sucos potentes: tem de gengibre, hibisco e tamarindo.

Endereço: Alameda Barão de Limeira, 19-A.
Funcionamento: Todos os dias, das 12h às 23h.
Preços: entre R$ 40 e R$ 50. Saiba mais aqui.

Sabores de Mi Tierra | Pinheiros

Divulgação/Instagram
Imagem: Divulgação/Instagram

Em uma casa na parte mais tranquila da rua Lisboa, quase em frente ao Instituto Goethe, fica esse cantinho de delícias colombianas que nos últimos dois anos passou a funcionar no modelo que é hoje: como um pequeno restaurante, bar e fabriqueta. O empreendimento da chef Magdalena Torres funciona bem para um happy hour ou um sábado ensolarado, sendo possível tomar por ali um mojito ou a típica limonada de coco do norte do país, drinques que podem vir acompanhados de platanitos (chips de banana) com molhinhos para petiscar, arepas com carne de porco e abacate ou patacones (banana da terra verde e frita) cobertos com ceviche de camarão. No balcão ou em mesas na garagem e na calçada, a chef serve ainda quitutes e pratos preparados sazonalmente em brunchs e almoços.

Endereço: Rua Lisboa, 971.
Funcionamento: de terça a sexta-feira, das 19h às 23h; aos sábados, das 14h às 23h.
Preços: entre R$ 25 e R$ 40. Saiba mais aqui.

Sabor Latino | Santa Cecília

Divulgação
Imagem: Divulgação

Um dos mais recentes locais da série de restaurantes peruanos abertos nos últimos anos na cidade, o Sabor Latino tem atmosfera simples e caseira, e fica em um simpático sobradinho na região de Campos Elíseos. Serve ceviches saborosos, drinques com pisco e petiscos como os piqueos (chips de banana com milho gigante torrado) aos sábados e domingos, no almoço, abrindo eventualmente para festas à noite -- vale ficar de olho na página do local. Entre as sobremesas diferentes, há flan de lúcuma (fruta dos Andes) e bolo de milho roxo. 

Endereço: Alameda Ribeiro da Silva, 762.
Funcionamento: sábado e domingo, das 12h às 16h, e ocasionalmente à noite.
Preços médios: entre R$ 20 e R$ 40. Saiba mais aqui.

Outros projetos:

Jantar dos Refugiados no Fatiado Discos | Sumaré

Todas as terças-feiras, acontece um jantar com comidinhas árabes no Fatiados Discos, no Sumaré. Isso graças a uma parceria entre a Ocupação Leila Khaled (de onde é grande parte da equipe do Al Janiah) e a loja de discos e bar de cervejas. Dá para provar o saj, sanduíche de falafel, ouvir música, comprar vinis e curtir o terraço com uma vista panorâmica da região.

Endereço: Av. Prof. Alfonso Bovero, 382.
Funcionamento: de terça a domingo, das 14h às 22h.
Preços médios: entre R$ 25 e R$ 50. Saiba mais aqui.

Congolinária | Eventos itinerantes

Opção boa para os vegetarianos que querem novos sabores, o Congolinária hoje busca um endereço fixo via campanha de financiamento coletivo, e enquanto isso participa de eventos onde o chef Pitchou Luambo serve pratos da África central como sambusas (salgado com recheios de vegetais e cogumelos), pomme sautèe (batata temperada frita inteira), entre outros preparos sem carne — a dieta base do Congo é vegetariana. Como nem todos os ingredientes da culinária congolesa são encontrados aqui, o chef propõe também releituras como o nhoque de banana da terra com molho de shimeji. Para saber onde o Congolinária está a cada semana — entre 4 e 6 de agosto, por exemplo, será na região da Penha —, basta acompanhar a página.
 

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