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"Harry Potter", 20 anos: Os bastidores do livro que definiu uma geração

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Capa do livro "Harry Potter e a Pedra Filosofal" Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

26/06/2017 04h00

Há exatos 20 anos, a história do menino raquítico que se transformaria no maior bruxo da sua época começou. “Harry Potter e a Pedra Filosofal” chegou às livrarias inglesas com poucas unidades e como uma aposta de uma editora britânica. O livro definiu uma geração, vendeu milhões de unidades, virou filme e se transformou em um clássico.

Mas o caminho para o sucesso não foi nada fácil para J.K. Rowling. De uma infância difícil a um casamento desmoronado e sem perspectiva do que fazer com a sua vida profissional, era nos cafés de Edimburgo, capital da Escócia, que ela escrevia o livro que salvaria sua vida.

Rowling disse em uma entrevista que apostou todas as suas fichas no livro. E mesmo após uma dúzia de editores rejeitarem o projeto, um recém-chegado na seção infantil da editora Bloomsbury, Barry Cunningham, deu uma chance para a obra e comprou os direitos na Inglaterra por 2 mil libras (pouco mais de R$ 8 mil no valor atual).

Sucesso (nem um pouco) garantido

Foram disponibilizadas mil cópias do livro, sendo metade distribuída para as bibliotecas. Barry sabia claramente o que estava buscando para o mercado infantil e infantojuvenil: histórias que cativassem, que as crianças não conseguissem largar e sentissem que o autor era seu melhor amigo. Segundo consta no livro "Harry, A História", escrita por Melissa Anelli, o editor não gostava dos livros da época, que se concentravam em problemas pessoais, e deixavam de escanteio a imaginação e a fantasia.

De imediato, as mais de 200 páginas chamaram a atenção do editor, mas havia alguns problemas. A primeira parte da saga do bruxo era longa, tinha um título não muito agradável para as crianças e as magias eram "confusas". As outras tantas editoras que receberam o livro para análise deram os mesmos argumentos para não aceitarem a obra e ainda complementaram que um enredo sobre um internato era muito elitista.

Mas Barry acreditou em "Harry Potter", apesar de os livros da Bloomsbury serem direcionados para crianças de até dois anos e não irem tão bem no mercado. Rosamund de la Hey recebeu das mãos do editor o livro e também aderiu ao coro. Ela ficou conhecida como uma das que mais apoiaram a publicação da obra e comandou a primeira companhia de marketing.

No final de contas, a Bloomsbury deu o aval. Uma revisão mais precisa foi feita (Rowling tinha escrito o livro inteiro em uma máquina de escrever por não ter dinheiro para comprar um computador) e algumas mudanças no texto também ocorreram, o que deixou a autora louca de raiva, justamente porque "ela tinha trabalhado tanto por cada palavra que estava lá".

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J.K. Rowling, autora da franquia "Harry Potter" Imagem: Divulgação

As mil cópias iniciais da obra valem hoje quase R$ 100 mil. Em apenas cinco meses, "Harry Potter e a Pedra Filosofal" ganhou seu primeiro prêmio, e em fevereiro do ano seguinte levantou o troféu de livro infantil do ano entregue pelo British Book Awards. 

Em 1998, a editora norte-americana Scholastic adquiriu os direitos por US$ 105 mil dólares. Rowling revelou que "quase morreu" quando soube do valor e logo comprou um apartamento na capital da Escócia. 

O trio Harry, Rony e Hermione conquistou as crianças, que se sentiram como uma quarta parte dentro dessa amizade e se encaixavam de alguma forma entre os protagonistas, seja pela coragem de Harry ou o estilo nerd da amiga estudiosa.

Mas com o sucesso sempre vem as polêmicas. Traduzido para 67 línguas, a obra-prima de Rowling foi banida em alguns países por instituições religiosas, que a acusaram de promover bruxaria. Mas o que ficou foi a qualidade do livro, o poder de sacrifício próprio e como suas decisões moldam a personalidade das pessoas.

"Harry Potter" atraiu a atenção de uma geração para a literatura. Uns tiveram Monteiro Lobato, outros Ruth Rocha e Ziraldo, enquanto tantos se apaixonaram por "O Pequeno Príncipe" e os contos dos irmãos Grimm. Mas é inegável que desde 1997, J.K. Rowling transformou crianças em adultos tanto na literatura quanto indiretamente. E olha que foram milhões de jovens que cresceram com Harry, Rony e Hermione.

Quanto de J.K. Rowling há em Harry Potter?

A autora inglesa teve uma infância difícil, mas que acabou influenciando um dos personagens mais queridos. Rowling escreveu seu primeiro livro aos seis anos de idade e sempre foi uma menina fascinada por literatura e muito estudiosa. Hermione veio justamente daí.

Quando adolescente, Rowling teve que lidar com a doença da mãe, que viveu por dez anos com escleroso múltipla, e um relacionamento conturbado com o pai, algo semelhante ao que Harry enfrentava com seus tios.

No colégio, outra inspiração para seu futuro livro. Um de seus melhores amigos, Sean Harris, comprou um Ford Anglia azul, que décadas depois viraria o famoso automóvel voador que Rony e o amigo usaram para chegar a Hogwarts em "Harry Potter e a Câmara Secreta".

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Imagem: Reproduçâo

Rowling entrou na Universidade de Exeter, no sudoeste da Inglaterra, como bacharel em francês e estudos clássicos. Com 20 anos, a universitária era fã da banda Smiths e lia constantemente obras de J. R. R. Tolkien e Charles Dickens. Após passar um ano na França, ela foi para Londres trabalhar na Anistia Internacional.

 Porto, em Portugal, foi o próximo destino da escritora, que ensinava francês e inglês quando conheceu o jornalista Jorge Arantes, com quem se casou e teve a primeira filha, Jessica. Mas o relacionamento não deu certo e Rowling voltou para o Reino Unido, já com um rascunho do livro, no momento mais tumultuado de sua vida.

A autora conseguiu uma ordem de restrição para Jorge, que foi para a Escócia procurar a mulher e a filha. Rowling vivia em uma casa simples, não arranjava trabalho, vivia de seguro desemprego e enfrentou a depressão. Passava o dia com a filha andando nas ruas à procura de algum trabalho e o café The Elephant House era o refúgio em que conseguia escrever o livro e onde sua filha dormia.

Os Dementadores, criaturas das trevas sugadoras da felicidade alheia, surgiram nessa época difícil, em que a mãe solteira não tinha um rumo na vida. Rowling demorou cinco anos para terminar a primeira parte da saga e mais dois para conseguir lucro. 

Tanta luta de J.K. Rowling não poderia faltar no livro, talvez o tema que mais chame a atenção. Não apenas o aspecto física, mas a batalha mental que Harry enfrenta desde pequeno, após "Você-Sabe-Quem" travar o primeiro encontro com o filho de Lillian e Tiago Potter.

A diferença é que a autora não tinha uma varinha mágica para tentar resolver os problemas.

 

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