Livros e HQs

Mistério do Acre: Na espera da volta do filho, pai lança livro cifrado

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No quarto de Bruno, a obra era escrita até mesmo nas paredes e móveis que restaram no cômodo. Tudo meticulosamente arranjado em volta de uma estátua do filósofo Giordano Bruno (1548 - 1600) Imagem: Reprodução

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

22/06/2017 19h09

Peça central de um dos casos mais enigmáticos que o Brasil já acompanhou, o livro escrito por Bruno Borges, conhecido como “menino do Acre”, será lançado em julho.

O estudante de psicologia sumiu em 27 de março, deixando para trás um trabalho que o consumiu durante quatro anos: 14 volumes de uma obra criptografada. Mesmo com conteúdo incerto, o livro ganhara aura mística desde o primeiro momento em que o caso veio a público.

Antes de sumir, Bruno organizou a obra em volumes encadernados e outros escritos nas paredes e nos poucos móveis que restaram em seu quarto. Tudo meticulosamente arranjado em volta de uma estátua do filósofo Giordano Bruno (1548 – 1600) que logo a internet veria clara semelhança física com o desaparecido.

Com o apelo midiático, e as redes sociais em polvorosa com memes e teorias, grandes editoras sinalizaram o interesse de comprar o conteúdo cifrado. “Mas eu percebi que o negócio deles era simplesmente dinheiro”, conta o empresário Athos Borges, 58.

O primeiro volume, “Teoria de Absorção Conhecimentos – TAC”, sai pela Infinity Editora e terá 20 mil exemplares físicos, além de versão em e-book. A pré-venda está prevista para começar no dia 7 de julho e a vontade da família é que o valor não ultrapasse dos R$ 24.

Passado três meses do sumiço do filho, ele analisa a decisão de bancar do próprio bolso o lançamento: “Não temos outra opção”, desabafa. “Eu tenho que acreditar nele e no que ele escreveu.”

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Capa do primeiro volume deixado por Bruno Borges antes de desaparecer Imagem: Divulgação
"Revolucionar toda a filosofia"

A obra misteriosa não era segredo em casa. Anos antes, Bruno havia pedido aos pais para se ausentar do trabalho que desempenhava na casa de eventos da família para a realização de um projeto que, segundo ele, “revolucionaria toda a filosofia”.

Os pais receberam a informação com certa hesitação. “Na época, ele tinha 18 anos. A gente dava certo crédito para não desfazer daquilo que ele pensava, mas não acreditávamos muito nessa história toda. Sabíamos que ele era um menino diferente, mas não nesse ponto”, conta Athos. A hesitação fez com que o filho fosse em busca de ajuda de amigos mais próximos para viabilizar uma futura publicação.

Após o choque do desaparecimento, o pai sentou em volta da obra para decifrá-la. Tratava-se de uma metodologia para potencializar a absorção e criação de conhecimento, algo que a família conseguiu entender graças a uma ‘chave’ com código maçônico deixada pelo jovem. "Nada de Pato Donald", alerta. Na época, internautas apontavam que Bruno teria usado um código "O Manual do Escoteiro do Escoteiro Mirim", da Disney.

Para os outros tomos, de criptografias diferentes – muitas ainda não reconhecidas --, a família conta com a ajuda de profissionais. “Vai demorar meses”, conta Athos. Segundo a coach literária, Renata Carvalho, de São Paulo, contratada pela família, o conteúdo foi devidamente revisado, incluindo as informações técnicas. "Há muitas citações de teorias e personalidades da filosofia. E está muito bem escrito", garante.

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Estudante de psicologia deixou 14 volumes de uma obra criptografada Imagem: Reprodução

Isolamento é citado no livro

Registrado na Biblioteca Nacional na categoria Filosofia e Teoria da Religião, o livro deve ganhar seguidores no campo espiritual. Na página do Facebook criada pela promover o lançamento, a editora afirma que Bruno teve uma “projeção astral” de fatos e teorias perdidos no passado. 

Segundo Athos, Bruno expressa, no final do livro a ser lançado, a necessidade de viver um longo período de isolamento para potencializar os órgãos espirituais e sensoriais. “É uma coisa muito bonita de se ler, só não é bonito de se aceitar como pai e mãe.”

Este é o único ponto de confluência entre a polícia local e a família: Bruno se isolou voluntariamente.

“Isso assusta a gente. Imagina se esse menino passa mal, pegue uma gripe essa última semana esfriou, a gente não sabe o que ele está comendo, onde está dormindo”, observa Athos, ao revelar que acredita que o filho não deve voltar tão cedo.

“Já choramos muito, mas a cada dia eu me apaixono mais pelo meu filho, apesar de ele não estar aqui.”

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