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Pela 1ª vez com mais mulheres, Flip 2017 também investe em autores negros

Reprodução
O escritor Lima Barreto, homenageado da Flip 2017 Imagem: Reprodução

Rodrigo Casarin

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/05/2017 11h17

Pela primeira vez em seus 15 anos, a Flip, Festa Literária Internacional de Paraty, terá mais convidadas mulheres do que homens em sua programação. Serão 24 mulheres e 22 homens em 22 mesas da edição 2017, realizada de 26 a 30 de julho, na cidade do litoral fluminense.

Não por acaso, a festa volta a ter uma mulher curadora após 10 anos, com Josélia Aguiar substituindo Paulo Werneck, que esteva à frente da programação do evento por três anos. A primeira e, até então, única mulher a comandar a Flip foi Ruth Lanna, em 2005 e 2006.

Em conversa com jornalistas nesta terça (30), Josélia disse que, quando assumiu como curadora, foi conversar com grupos de movimentos ligados aos negros e às mulheres. "Foram dois movimentos paralelos de ativismo. Precisamos repensar a representatividade nesses eventos", acredita.

"Não dá mais para ter uma programação toda de homens brancos, com uma mesa de mulheres, uma de negros, uma de indígenas... ", afirmou.

"Não foi fácil, sabemos que isso não representa ainda o mercado. A oferta de homens é maior, eles são mais premiados, mais conhecidos... As mulheres também recusam mais viagens do que os homens, certamente por conta de questões relacionadas ao machismo, ela normalmente tem questões para dar conta, o que não acontece tanto com os homens. É muito mais fácil, muito mais rápido fechar uma programação só com homens, então, muitas mesas estão mesmo pensadas do ponto de vista feminino", completou Josélia, sobre a atenção dada às mulheres na programação.

Josélia é jornalista, cobriu o mercado editorial durante 12 anos e trabalha em uma biografia de Jorge Amado. Olhando para a literatura, ela sempre demonstrou uma preocupação muito grande com as minorias e com temas como o racismo e o preconceito, o que se vê refletindo nas escolhas dos participantes anunciados e do autor homenageado, Lima Barreto (1881 - 1922).

Negros

Negro, Barreto é apontado por especialistas como um autor marginal e rebelde por conta da obra fortemente pautada por temas relacionados à desigualdade social em uma época na qual a literatura era ainda mais elitista do que hoje. Dentre seus principais livros estão "Triste Fim de Policarpo Quaresma", "Numa e Ninfa", "Vida e Morte de M. J. Gonzaga" e "Clara dos Anjos", além do famoso conto "O Homem que Sabia Javanês".

Segundo a organização, o evento deste ano terá 30% de autores negros, com nomes como Scholastique Mukasonga, ruandesa que já escreveu sobre os conflitos étnicos que resultaram no genocídio dos tutsis em 1994; a brasileira Conceição Evaristo, referência dentre os escritores negros do país; e a angolana Djaimilia Pereira de Almeida. Dentre os africanos temos ainda o também angolano Luaty Beirão, músico preso acusado de preparar um golpe para tirar o presidente José Eduardo dos Santos do cargo que ocupa há 37 anos.

Em 2016, o curador Paulo Werneck foi duramente criticado porque não havia nenhum negro na programação principal.

A curadoria ainda convidou o Grupo Intelectuais Negras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para o lançamento da obra "Intelectuais Negras", um catálogo de informações biográficas e profissionais de mulheres negras atuantes em todo o país. O evento está marcado para o dia 29/7, sábado.

Pop

Do lado mais pop, a festa traz o ator Lázaro Ramos para dar voz ao homenageado Lima Barreto na abertura do evento, em uma apresentação criada por Lília Schwarcz, com direção de cena de Felipe Hirsch.

Entre os convidados, destacam-se nomes como o jamaicano Marlon James e o norte-americano Paul Beatty, autores negros que venceram, respectivamente, o Man Booker Prize em 2015 e 2016, além de William Finnegan, repórter da revista "New Yorker", que acaba de vencer o prêmio Pulitzer com seu livro de memórias como surfista.

Merecem ainda alguma atenção a espanhola Pilar del Rio, viúva de José Saramago, a sul-africana Deborah Levy, nome que vem ganhando algum destaque na literatura de língua inglesa, a chilena Diamela Eltit, proeminente da literatura de língua espanhola, e o islandês Sjón, escritor e compositor, parceiro de Björk em diversas músicas e indicado ao Oscar de 2001 pela trilha sonora do filme "Dançando no Escuro", de Lars von Trier.

Além disso, a Flip deste ano acontecerá no entorno da Praça da Matriz, no coração de Paraty, com o espaço principal montado dentro da igreja, o que deve reduzir a capacidade de 800 pessoas, que a antiga tenda comportava, para 420 pessoas, segundo estimativa da organização.

Houve também uma queda no orçamento de R$ 6,8 milhões no ano passado, para R$ 5,7 milhões este ano, continuando uma tendência que já vem desde 2014.

"É mesmo um momento de redesenho e para pensar a Flip para os próximos 15 anos", disse Mauro Munhoz, presidente da associação Casa Azul, que organiza a Flip.

Os ingressos este ano custarão R$ 55 e começam a ser vendidos no dia 13/6.

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