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Virada Cultural

Descentralizada, primeira Virada de Doria tem falhas e shows vazios

Do UOL, em São Paulo*

21/05/2017 20h03

A primeira Virada Cultural de João Doria não virou. O evento, marcado pela descentralização e com os principais espetáculos musicais espalhados por São Paulo, será lembrado por falhas e apresentações quase vazias. A chuva que caiu durante boa parte do tempo foi o menor dos problemas para o público, que teve de viajar pelas cinco regiões da cidade para curtir os shows.

O primeiro dia teve pouco público e protestos contra Doria e o governo de Michel Temer. Pela primeira vez no Sambódromo do Anhembi, na zona norte, a Virada recebeu Daniela Mercury para uma plateia pequena. Apesar da animação, o público deixou o local após o palco apresentar várias falhas técnicas.

Sem clima, Fafá de Belém cancelou seu show marcado para 0h30 alegando "leve indisposição". O Sambódromo manteve o baixo público no segundo dia da Virada, e grupos como Olodum e Tarado Ni Você se apresentaram para poucas pessoas.

Renata Nogueira/UOL
Brasileirinhos se apresenta no palco principal da Viradinha de Interlagos para 11 pessoas Imagem: Renata Nogueira/UOL
Também estrearam na Virada a Chácara do Jockey (zona oeste) e autódromo de Interlagos (zona sul). O local, que foi alvo de críticas quando foi anunciado como um dos principais palcos do evento, desagradou boa parte do público. Os shows da Viradinha, neste domingo, competiram com o barulho de uma prova automobilística. A apresentação do grupo Brasileirinhos, por exemplo, foi vista por apenas 11 pessoas.

"Houve uma época em que a Virada tomava a cidade. Agora ela foi tomada da cidade. Ela está em espaços confinados, está sob controle”, diz a cantora Kennya Macedo, do grupo Brasileirinhos, presente em todas as Viradas. Para ela, o evento de Doria falhou na infraestrutura, na divulgação, dificuldade de acesso e diminuição do tempo. "A Virada foi sucateada. A programação aqui, por exemplo, não é virada. É das 9h às 15h. Só mostra a falta de investimento na cultura."

Simon Plestenjak/UOL
Palco do Sambódromo do Anhembi estreia na Virada Cultural 2017 com baixo público Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Centro esvaziado

Ponto tradicional da Virada, o centro de São Paulo foi esvaziado e teve shows menores e com muitas falhas. No sábado, a organização se esqueceu de montar a estrutura para os DJs do "Palco Festas", no Coreto da Bolsa de Valores. A banda Talco Bells lamentou nas redes sociais e publicou uma foto em frente ao local vazio.

Mariana Pekin/UOL
Público se protege da chuva para assistir ao show do É o Tchan na Virada Cultural Imagem: Mariana Pekin/UOL
No domingo, o trio do É o Tchan ficou parado por causa do mau tempo e mudou de local às pressas, deixando o público perdido.

A estrutura foi criticada por Tiago Abravanel, que encerrou o palco do Centro em frente à praça da República: "Eita, porra. Isso aqui está parecendo um parque aquático", disse ele antes de começar a cantar. "Gente, é uma cachoeira. Está chovendo mais aqui dentro que aí fora", disse ele enquanto um membro da organização empurrava a lona preta improvisada sob o trio para tirar o excesso de água acumulada.

A 13ª edição da Virada Cultural terminou com queixas na organização, na estrutura e na distância dos palcos, pontos que precisam ser revistos se a gestão Doria quiser continuar com o evento em 2018.

"Não deu tudo 100% certo"

Secretário municipal de Cultura, André Sturm admitiu as falhas pontuais registradas por imprensa e público ao longo do evento. "Não deu tudo 100% certo", declarou.

Mano Brown

O cancelamento do show do rapper Mano Brown aconteceu, de acordo com o secretário por divergências com a agenda do músico. "Caiu um dilúvio na sexta-feira e não conseguimos montar o palco para que ele pudesse passar o som, conforme tinha exigido. Aconteceu com outros palcos. Mas ele poderia ter passado o som no sábado de manhã", afirmou Sturm.

Fafá de Belém

Também cancelado, o show da cantora Fafá de Belém, programado para acontecer à 1h no Anhembi, não ocorreu em decorrência dos problemas de saúde da cantora, que subiu ao palco no domingo com Alcione.

É o Tchan

A mudança no local da apresentação do grupo É o Tchan, no Centro, também foi forçada pela chuva do domingo. Inicialmente, estava previsto que o grupo sairia com o trio elétrico do Theatro Municipal. Em vez disso, o caminhão de som ficou estacionado próximo a Praça da República. "Tivemos que colocar uma lona às pressas e por causa da lona o trio não iria passar em alguns locais", explicou.

Palco Festas

De acordo com Sturm, o Palco Festas que também não foi montado a tempo no sábado, prejudicando a apresentação dos DJs da festa Talco Bells, sofreu com um problema de produção. "O produtor responsável trouxe um equipamento errado, e os primeiros DJs não conseguiram tocar. Foi uma falha nossa", disse Sturm.

*Com reportagens de Mariane Zendron, Natalia Guaratto, Renata Nogueira e Tiago Dias

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