Teatro e musicais

Zélia Duncan canta a Tropicália e engrossa coro de cantores no teatro

Marcos Ribas/Brazil News
Zélia e elenco em ensaio de "Alegria Alegria" Imagem: Marcos Ribas/Brazil News

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

12/05/2017 15h28

Artista é a estrela principal de "Alegria Alegria - O Musical" que revisita a Tropicália

Em março desse ano, Zélia Duncan deu um tempo nas turnês. Os eventos da artista agora atendem todos pelo mesmo nome, pelo menos até as próximas semanas: “Alegria Alegria”. O musical sobre a Tropicália, movimento liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil que completa 50 anos em 2017, estreia no Teatro Santander, em São Paulo, neste sábado (13), e inaugura uma nova fase na carreira da artista.

Embora tenha começado nos espetáculos de Oswaldo Montenegro nos anos 1980, e flertado com o teatro em seu show mais recente, “Totatiando”, a cantora agora divide os holofotes, segue as marcações no palco e no roteiro com mais rigidez e se segura para não improvisar alguma história ou canção para a plateia.

“É um jeito diferente de estar no palco”, diz. “Claro que eu sou a Zélia, sou mais velha, fiz mais coisas, mas quando estou ali com o elenco, me sinto realmente um deles. Eu não posso errar, nem mudar um movimento para não esbarrar em alguém. Isso é muito excitante para mim.”

Na peça, Zélia é uma espécie de corifeu, figura vinda do teatro grego que enuncia textos e interfere na peça ao dialogar com os atores. Ela não reencarna Caetano, foco principal da homenagem, mas talvez a própria cultura brasileira. “Se você parar para olhar, individualmente, a primeira coisa que eu faço nesse palco não é cantar, é falar”, observa, sem deixar de rir do salto no escuro. “Qual é a cantora MPB sem vergonha que ia aceitar fazer um negócio desses?”

Montagem/UOL
Wanderléa revive a jovem guarda em "60! Década de Arromba" e Michel Teló conta a saga da música do campo em "Bem Sertanejo" Imagem: Montagem/UOL

Zélia, na verdade, só engrossa o coro de outros cantores que têm dado uma pausa nas turnês habituais para se jogar na experiência teatral. Atualmente em cartaz, Wanderléa e Michel Teló, protagonistas de “¨60! Década de Arromba” e “Bem Sertanejo”, respectivamente, têm ajudado a recriar e popularizar ainda mais esses "documentários musicais".

No palco, abre-se mão dos personagens e de uma narrativa clássica. O fio narrativo passa a ser a própria música brasileira, habitat desses artistas.

“Dentro da produção artística, o teatro musical no Brasil é o segmento que mais se profissionalizou”, conta o diretor de “Alegria Alegria”, Moacyr Góes, experiente nos palcos, mas também estreante no campo dos musicais. “Você tem uma galera boa hoje de atores, bailarinos, músicos e cantores, que não tinha há 20 anos. Se produziu uma expertise muito grande e um público que sustenta de alguma maneira essa atividade”.

Ao olhar para a própria cultura brasileira -- até mesmo da TV, com adaptações das novelas “Roque Santeiro” e “Vamp” --, o teatro musical abriu o leque de possibilidades e até mesmo os próprios teatros têm entrado na produção, devido ao sucesso das temporadas. “Isso é muito bom. A gente só mantém esse mercado se produzir obras com qualidade extraordinária, com singularidade e originalidade”, observa Góes.

Moacyr Góes
Zélia Duncan encarna o espírito tropicalista no musical "Alegria Alegria", de Moacyr Góes Imagem: Moacyr Góes

Tropicália, 50 anos depois

A Tropicália que ressurge no palco dilui a atitude pop e anárquica dos baianos nos tempos da repressão em cenário e figurinos coloridos, repletos de referências sincréticas.

As principais canções estão lá – “Alegria Alegria”, “Tropicália”, “Lindonéia” --, assim como as obras que alimentaram os baianos na época, de Luiz Gonzaga a Roberto Carlos. Mistura tida como heresia na época, tanto pela direita conservadora quanto pela esquerda purista.

“Eles eram muito mais livres do que as cabeças ditas pensantes no Brasil. A direita e a esquerda nacionalistas tinham como projetos de país algo muito fechado, reacionário”, relembra o diretor, que há 50 anos ouvia os discos escondido dos pais.

Com apenas quatro anos na época, Zélia observou o movimento de maneira mais passiva, embora brinque que tenha tomado uma dose maior desse ácido lisérgico ao liderar a volta dos Mutantes em 2002. “Agora, com ‘Alegria Alegria’, parece que eu ainda não voltei da viagem”, diz.

Cinco décadas, no entanto, não foram o bastante para desatualizar essas canções. “No fim, não mudamos tanto. Você vê as pessoas repetindo discursos de preconceito com muito orgulho. É terrível para todos nós, mas como artista me dá mais vontade de encher a boca para cantar esse repertório”, observa Zélia.

“A Tropicália está dizendo exatamente o contrário. Somos diferentes, e por isso somos importantes. O nosso tesouro está na diversidade”, explica. “Isso ainda é uma contramão e me interessa estar na contramão neste momento."

Serviço: “Alegria Alegria – O Musical”
Teatro Santander (JK Iguatemi - Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 – São Paulo)

Quinta-feira, às 21h
Ingressos: http://www.entretix.com.br/
Plateia VIP (inteira) – R$ 230,00
Plateia Superior (inteira) – R$ 180,00
Frisa Plateia (inteira) – R$ 140,00
Frisa Balcão e Balcão A (inteira) – R$ 100,00
Balcão B (inteira) – R$ 50,00

Sexta-feira, às 21h, Sábado, às 18h e 21h, e Domingo, às 18h
Ingressos: http://www.entretix.com.br/
Plateia VIP (inteira) – R$ 250,00
Plateia Superior (inteira) – R$ 200,00
Frisa Plateia (inteira) – R$ 160,00
Frisa Balcão e Balcão A (inteira) – R$ 120,00
Balcão B (inteira) – R$ 50,00
 

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