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Bienal de Veneza, onde os ricos acham os próximos "hits" do mundo da arte

Stefano Rellandini/Reuters
Visitantes observam instalação no pavilhão da Áustria na Bienal de Veneza Imagem: Stefano Rellandini/Reuters

James Tarmy

De UOL, em São Paulo

12/05/2017 15h49

Depois de um dia e meio analisando obras de arte na Bienal de Veneza, Maria Giulia Maramotti parou para descansar em frente ao Punta della Dogana, um espaço de exposição no Grande Canal.

"Tem sido interessante entender o que o mundo da arte considera relevante", disse Maramotti, diretora sênior de varejo na América do Norte da Max Mara, empresa fundada por seu avô. "Vou voltar para casa sabendo de alguns artistas que eu não necessariamente teria pensado em colecionar, mas que agora considero que poderiam ser interessantes como parte da Collezione Maramotti", a coleção de obras de arte da família, com sede em Reggio Emilia, Itália.

Durante uma semana do mês de maio, centenas das pessoas mais ricas do mundo se reúnem em Veneza para uma esbórnia de inaugurações, festas e recepções em torno do começo da 57ª Exposição Internacional de Arte, uma exposição pretensamente sem fins lucrativos, conhecida informalmente como a Bienal de Veneza.

A Bienal inclui 85 pavilhões nacionais, 29 deles localizados no frondoso parque Giardini, onde países como EUA e Rússia organizam exposições de arte contemporânea. O restante da exposição oficial fica no Arsenale, um enorme complexo de depósitos onde um curador (a edição atual foi organizada por Christine Mace, principal curadora do Centro Pompidou, em Paris) dispõe centenas de obras de arte em relação a um tema. O deste ano é Viva Arte Viva, uma exposição "inspirada no humanismo". A Bienal acontecerá de 13 de maio a 26 de novembro.

Exposições complementares também serão patrocinadas por instituições filantrópicas e museus, e, no caso do Punta della Dogana, pelo bilionário François Pinault (enquanto Maramotti conversava do lado de fora, Pinault saiu do edifício, que atualmente expõe um conjunto polêmico e potencialmente muito lucrativo de novas obras do artista Damien Hirst).

Xinhua/Jin Yu
Visitante observa obra no pavilhão chinês da Bienal de Veneza Imagem: Xinhua/Jin Yu

Formação de consenso

Devido ao grande número de ricos internacionais, sem falar no conjunto de negociantes de obras que trabalham para eles, a Bienal se tornou um fórum não oficial onde se forma o consenso sobre os padrões do mercado da arte (nos primeiros dias das festividades de abertura, foram vistas em distintos eventos pela cidade pessoas tão dispares quanto a herdeira do setor farmacêutico Maja Hoffmann, a filantropa e moradora de São Francisco Pamela Joyner, a imperatriz exilada do Irã Farah Pahlavi e o magnata Poju Zabludowicz, residente do Reino Unido). Novos artistas são consagrados como estrelas, e o status das celebridades do mundo da arte é fortalecido.

"Nem sempre [a Bienal] faz carreiras, mas sem dúvida tem capacidade para isso", disse Heather Harmon, diretora da assessorial de arte KCM Fine Arts, que tem sede em Nova York e está ajudando a construir Lune Rouge, a coleção do bilionário Guy Laliberté, fundador do Cirque du Soleil. "Um exemplo é a [instalação performática de] Anne Imhof no Pavilhão Alemão. Vai ser um dos principais resultados desta Bienal, o que significa que ela é uma das pessoas que deverão chamar atenção globalmente."

Stefano Rellandini/Reuters
Visitantes observam a obra "Imitação de Cristo" de Roberto Cuoghi, na Bienal de Veneza deste ano Imagem: Stefano Rellandini/Reuters

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