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Pernambucano que desenha para a Marvel lança trabalho autoral na CCXP

Roberta Guimarães/UOL
O quadrinista pernambucano Thony Silas e Eron Villar, roteirista da série "A Noiva" Imagem: Roberta Guimarães/UOL

Guilherme Gatis

Colaboração para o UOL, no Recife

16/04/2017 04h00

“Pernambuco debaixo dos pés e minha mente na imensidão”. O verso da música "Mateus Enter", de Chico Science, ícone da cultura pernambucana, tornou-se o lema do quadrinista Thony Silas, 30 anos, mais de 15 deles dedicados aos quadrinhos. Nascido em Paulista, região metropolitana do Recife, Silas conquistou notoriedade ao desenhar títulos da Marvel e DC Comics como Homem-Aranha, Demolidor, Batman e a Liga da Justiça.

Trabalhar para as gigantes rendeu frutos e o ilustrador chegou a morar nos Estados Unidos, onde tem público cativo. Mas sua volta para Pernambuco tem um motivo: depois comprovar seu talento no exterior, Silas espera ter reconhecimento pelo seu trabalho autoral.

O passo inicial foi dado na CCXP Tour Nordeste, com o lançamento do primeiro volume da série “A Noiva”. O quadrinho é baseado no romance "A Noiva da Revolução", do historiador Paulo Santos de Oliveira, e narra uma história de amor verdadeira, ocorrida entre uma brasileira e um português. O casamento, até então proibido, foi celebrado durante a Revolução Pernambucana de 1817, único movimento emancipacionista que ultrapassou a fase conspiratória no período colonial brasileiro.

Divulgação
Capa da HQ "A Noiva" Imagem: Divulgação

“Nós conhecemos muito pouco da história do Brasil, e menos ainda da história fora do eixo Rio-São Paulo. Muita gente não sabe que há 200 anos Pernambuco se declarou independente do Brasil por mais de 70 dias. Essa série é uma tentativa de darmos mais visibilidade a esse momento pouco difundido”, explica.

A revista lançada na CCXP é a primeira de oito volumes. É, também, a primeira publicação da editora Ueon Productions, criada por Silas junto com o roteirista Eron Villar, que co-assina o projeto. “Junto aos demais capítulos de 'A Noiva', também começaremos a publicar, a partir de junho, a série 'Reconnectors', uma trama que mescla futurismo e história tomando o Recife como ponto de partida para abordar questões universais”, explica o roteirista. A Ueon também deve lançar projetos multimídia, unindo quadrinhos, literatura e games.

Além de dedicar-se à Ueon, Silas também pretende difundir seu conhecimento: já anunciou para logo após a convenção de quadrinhos um curso gratuito de desenho para cem pessoas, recrutadas a partir de suas redes sociais. Sua expectativa é encontrar futuros quadrinistas locais dispostos a aprender e partilhar a experiência que mudou sua vida. “Venho da periferia e já perdi amigos de infância para a violência. Quero contribuir, de alguma forma, para mudar essa realidade”. 

Trajetória

André Burity Fotografia
Imagem: André Burity Fotografia

O contato de Thony Silas com os quadrinhos começou cedo, aos 12 anos, e teve um mentor: o ilustrador Wamberto Nicomedes, que iniciou Silas nas primeiras técnicas de desenho. “Para me testar, Wamberto me mostrou uma pilha de quadrinhos do Tex e me mandou, em uma semana, desenhar 400 rostos. A ideia dele era me fazer desistir”. Thony não desistiu e ainda demonstrou possuir boa técnica. Passou a trabalhar como assistente e, para poder chegar perto das principais produtoras, se desdobrou para trabalhar na limpeza de um hotel, estudar inglês e, nas poucas horas vagas, continuar praticando.

Os desenhos que Thony compartilhava em fóruns e em outros ambientes virtuais foram chamando a atenção de colecionadores, que encomendavam ilustrações originais dos heróis tradicionais para o pernambucano. “Foi a partir de uma rede de encomendas de originais para os colecionadores que meu nome chegou na Marvel e na DC”, conta. No seu currículo, Silas coleciona desenhos seus em revistas como "Amazing Spider-Man: Ends of the Earth", "Venom", "Daredevil: Dark Nights" e ‘Batman Beyond 2".

Silas ainda trabalha para a Marvel e atualmente está envolvido em um projeto que ainda não pode ser divulgado. “Meu tempo é todo dividido entre a Marvel, minha produção autoral e os projetos da Ueon, as encomendas de desenhos originais e os cursos para formação de novos quadrinistas. Quero provar que é possível viver de quadrinhos, desde que haja esforço e dedicação”.

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