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Poeta Ferreira Gullar morre aos 86 anos no Rio de Janeiro

Erbs Jr./Folhapress
O poeta e escritor Ferreira Gullar Imagem: Erbs Jr./Folhapress

Do UOL, no Rio

04/12/2016 12h00

O poeta  e escritor Ferreira Gullar morreu na manhã deste domingo (4), aos 86 anos, de complicações respiratórias decorrentes de uma pneumonia que o atacou há 20 dias. A informação foi confirmada ao UOL pela direção do hospital Copa D'Or, na zona sul do Rio, onde ele estava internado.

O velório acontece a partir as 17 horas deste domingo na Biblioteca Nacional no Centro do Rio. Na segunda-feira, o corpo será velado de 9h às 15h na Academia Brasileira de Letras. De lá, será levado para o Mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio.

Desde de 2014, Gullar ocupava a cadeira número 37 da Academia Brasileira de Letras (ABL), que foi anteriormente ocupada pelo também poeta Ivan Junqueira, falecido em julho daquele ano.

José Ribamar Ferreira nasceu na capital do Maranhão e era um dos onze filhos de Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.

Durante a adolescência, descobriu a poesia clássica e em seguida, Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes, entre outros.

Seu primeiro livro, "Um pouco acima do chão" (1949) acabou excluído de sua bibliografia. Em 1950, com o poema "O galo", ganhou um concurso promovido pelo Jornal de Letras, tendo no júri Manuel Bandeira, Willy Lewin e Odylo Costa Filho.

Ferreira Gullar mudou-se para o Rio de Janeiro em 1951, onde conheceu o crítico de arte Mário Pedrosa e o escritor Oswald de Andrade, e trabalhou como revisor na revista "O Cruzeiro".

Em 1954, publicou "A luta corporal", cujo projeto gráfico chamou a atenção de Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Gullar trabalhou na revista "Manchete" e no "Diário Carioca", e depois se engajou no projeto do "Suplemento Dominical" do "Jornal do Brasil".

Ele participou da I Exposição Nacional de Arte Concreta no MASP, em 1956. No ano seguinte, quando a mostra foi para o Rio de Janeiro, distanciou-se do grupo concretista de São Paulo. Em 1958, lançou o livro "Poemas".

Um ano depois, redigiu o "Manifesto Neoconcreto", publicado no "Suplemento Dominical" e também assinado por Lygia Pape, Franz Waissman, Lygia Clark, Amilcar de Castro e Reynaldo Jardim, entre outros. "O manifesto" abriu o catálogo da I Exposição de Arte Neoconcreta, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Durante o governo militar, em 13 de dezembro de 1968, Gullar foi preso na companhia de Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em 1969, ainda lançou o ensaio "Vanguarda e subdesenvolvimento", mas passou a dedicar-se à pintura e, em 1971, partiu para o exílio, morando em Moscou e depois em Santiago, Lima e Buenos Aires.

Durante esse período, colaborou com O Pasquim, sob o pseudônimo de Frederico Marques.

Em 1997, lançou "Cidades inventadas" e passou a viver com a poeta Cláudia Ahimsa. "Rabo de Foguete - Os Anos de Exílio" é publicado em 1998. No ano seguinte, lançou "Muitas vozes" e foi agraciado com o Prêmio Jabuti, na categoria poesia. Em 2000, recebeu o Prêmio Multicultural Estadão, de O Estado de São Paulo, pelo conjunto de sua obra.

Gullar teve três filhos com Thereza Aragão: Marcos, Paulo e Luciana. Marcos, que tinha esquizofrenia, assim como Paulo, morreu em 1992 de cirrose hepática.

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